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    Criticas

    “Labyrinth” volta aos cinemas: por que o labirinto de Jim Henson encanta há 40 anos

    Matheus AmorimPor Matheus Amorimjaneiro 7, 2026Nenhum comentário5 Minutos de leitura
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    Quando Labyrinth chegou às salas em 1986, o público saiu confuso com a mistura de fábula infantil, humor ácido e desejos adolescentes. Quatro décadas depois, o longa retorna aos cinemas entre 8 e 11 de janeiro, disposto a provar que o tempo apenas deixou seu labirinto mais hipnótico.

    Dirigido por Jim Henson e estrelado por David Bowie e Jennifer Connelly, o filme custou US$ 25 milhões e arrecadou modestos US$ 12,9 milhões nos Estados Unidos. O fracasso inicial deu lugar a uma legião de fãs, sessões especiais e incontáveis análises acadêmicas — panorama que o 365 Filmes acompanha de perto.

    Jim Henson mistura humor e surrealismo em “Labyrinth”

    Depois do sombrio The Dark Crystal, Henson queria algo menos sisudo. A solução foi abraçar referências diversas, de Alice no País das Maravilhas a Salvador Dalí, criando um mosaico de imagens pop e citações literárias. Dentro do quarto da protagonista, Sarah, livros e pôsteres viram pistas visuais dessa colagem.

    A metalinguagem começa no próprio prólogo: o nome do livro que a adolescente recita é “Labyrinth”, sugerindo que realidade e ficção caminham lado a lado. Esse efeito se estende ao design dos cenários, onde escadas impossíveis emulam gravuras de M. C. Escher e criaturas de Maurice Sendak parecem ganhar vida.

    A comédia como alicerce

    Henson deixou claro que não queria “competir” com O Mágico de Oz, mas dialogar com ele. Por isso, cada obstáculo no caminho de Sarah é pontuado por piadas rápidas ou trocadilhos visuais. O diretor acredita que a graça ajuda a digerir temas sérios como responsabilidade e amadurecimento.

    David Bowie e Jennifer Connelly roubam a cena

    Vestido com collant cinza e um generoso adorno na região da virilha, Bowie criou um vilão carismático, quase andrógino, que oscila entre mentor e ameaça. Seus números musicais, compostos pelo próprio cantor, adicionam camadas de charme e deixam claro por que Jareth, o Rei dos Duendes, virou ícone fashion.

    Já Jennifer Connelly, então com 14 anos, segura a narrativa ao interpretar Sarah como uma adolescente contrariada, presa entre brincadeiras de infância e o peso de se tornar adulta. A química entre os dois — especialmente na sequência do baile de máscaras — introduz subtexto psicossexual sem jamais perder o tom de conto de fadas.

    Destaques de atuação

    • Bowie alterna sussurros e grandiloquência, reforçando a aura de rockstar alienígena.
    • Connelly entrega fragilidade e coragem em igual medida, evitando que Sarah soe mimada demais.
    • Fantoches como Hoggle, Ludo e Sir Didymus complementam o elenco com vozes marcantes e timing cômico preciso.

    Roteiro abraça a metalinguagem e questiona a realidade

    Escrito por Henson, Terry Jones e Dennis Lee, o texto propõe logo de início: o que é imaginação e o que é concreto? Não há resposta clara, e o filme prefere sugerir que ambas as esferas se alimentam. A cada enigma, Sarah precisa “fazer a pergunta certa”, evidenciando que autoconhecimento é chave.

    Frases como “o caminho à frente às vezes é o caminho de volta” funcionam tanto como instrução prática dentro do labirinto quanto como conselho filosófico para a vida adulta. Esse jogo de espelhos aproxima Labyrinth de obras modernas que falam sobre amadurecer através da fantasia.

    Temas recorrentes

    • Responsabilidade familiar: Sarah só compreende o valor de Toby depois de quase perdê-lo.
    • Percepção versus verdade: muros “sólidos” desaparecem quando olhados de outro ângulo.
    • Progesso não linear: retrocessos fazem parte da jornada, ideia explicitada pelo relógio que acelera nos momentos de dúvida.

    “Labyrinth” volta aos cinemas: por que o labirinto de Jim Henson encanta há 40 anos - Imagem do artigo

    Imagem: Imagem: Divulgação

    Efeitos práticos x computação nascente: parceria improvável

    Labyrinth foi filmado num momento em que CGI ainda engatinhava. O resultado é um choque estético: marionetes complexas dividem cena com animações de computador simples, como o pássaro da sequência de créditos. A alquimia nem sempre é elegante, mas passou a ser vista como charme retrô.

    O exemplo mais citado é a música Chilly Down, em que criaturas de cabeças destacáveis dançam sobre fundo verde fosforescente. O segmento parece datado, porém ilustra a ousadia de Henson em experimentar ferramentas que, anos depois, se tornariam padrão na indústria.

    Por que os bonecos continuam convincentes

    A textura tátil dos fantoches, aliados a mecanismos animatrônicos, transfere peso e gravidade às figuras fantásticas. Ludo, por exemplo, move cada músculo facial graças a cabos e motores escondidos na máscara, permitindo expressões sutis que convencem até o público atual.

    Reestreia de 40 anos: programa obrigatório para fãs e curiosos

    De 8 a 11 de janeiro, Labyrinth retorna às telonas em cópia restaurada de 102 minutos. A ação faz parte das comemorações de 40 anos do lançamento original, ocorrido em 27 de junho de 1986. Para muitos, será a primeira oportunidade de ver o filme em projeção grande, com trilha de Bowie reverberando em som digital.

    Cinemas selecionados já abriram pré-venda, e exibições costumam incluir debates ou distribuições de brindes. A iniciativa reforça a posição de Labyrinth como um Rocky Horror Picture Show da década de 80, famoso por sessões temáticas e plateias fantasiadas.

    Razões para não perder

    • Revisitar performance de Bowie em resolução nítida.
    • Notar detalhes de cenário que passam despercebidos em telas pequenas.
    • Compartilhar a experiência com novos espectadores, perpetuando o status cult.

    Legado cultural supera bilheteria modesta

    Embora tenha saído dos cinemas sem cobrir o orçamento, Labyrinth transformou-se no título mais celebrado de Jim Henson. A influência aparece em videoclipes, coleções de moda e até parques temáticos. Jareth inspira cosplays mundo afora, enquanto frases do filme viram legendas em redes sociais.

    Estudiosos de cinema destacam a capacidade do longa de introduzir questões adultas sob embalagem infantil, prática comum em animações contemporâneas, mas rara nos anos 80. Assim, o fracasso financeiro virou caso de estudo sobre como o tempo pode reescrever a história de um filme.

    Perspectivas futuras

    Ainda que rumores de sequência ou série circulem há anos, nenhum projeto saiu do papel. Por ora, fãs celebram a remasterização e a chance de ver cada pedra do labirinto com cores vibrantes. A jornada de Sarah permanece intocada, lembrando que às vezes precisamos nos perder para descobrir o caminho de casa.

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    Matheus Amorim
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    Sou redator especializado em conteúdo de entretenimento para o mercado digital. Desde 2021, produzo análises, dicas e críticas sobre o mundo do entretenimento, com experiência como colunista em sites de referência.

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