Antes de se tornar o tirano invencível que os X-Men temem através do tempo, En Sabah Nur foi um bebê abandonado na areia do Egito Antigo. X-Men ’97 dedicou os episódios 3 e 4 da segunda temporada a mostrar exatamente como um ser com tanto potencial para o bem chegou ao ponto de ser chamado de Apocalipse, e o resultado é a exploração mais completa dessa origem em qualquer animação da franquia.
O quarto episódio, “A Ascensão do Apocalipse: Parte II”, disponível no Disney+, não é só uma sequência de batalhas no Egito. É uma investigação sobre culpa e inevitabilidade: os próprios X-Men viajam ao passado para salvar Nur, e cada passo que dão o empurra mais fundo para o caminho que juraram impedir.
Uma vida moldada pela rejeição, antes mesmo da Nave Celestial
Tudo começa antes da tecnologia alienígena, antes de Rama-Tut, antes de qualquer profecia. Nur foi abandonado ainda bebê pela mãe por causa de sua pele cinza, olhos vermelhos e lábios azuis. Encontrado por escravizadores, foi vendido como escravo e se destacou por sua força descomunal. O Professor Xavier enxerga esse passado diretamente ao sondar a mente de Nur, e é um dos momentos mais pesados da série: o Professor vê o momento em que Nur foi abandonado ainda bebê por sua mãe anônima, sendo rejeitado por sua tribo por causa de sua aparência.
Eventualmente, Nur fugiu e se juntou à tribo dos Sandstormers. Seu líder, Baal, ensinou a Nur a acreditar na sobrevivência do mais apto. É Baal quem funciona como pai adotivo, e sua morte, provocada pelos ataques de Rama-Tut, é o gatilho direto que inicia a transformação.
Espelhando os quadrinhos originais, o pai adotivo de En Sabah Nur perde a vida pouco antes de o Primeiro Mutante abraçar o seu grande destino. Essa perda trágica serve como catalisador fundamental para a mudança de sua trajetória.
O que X-Men ’97 faz com esse material é mais ambicioso do que a série animada dos anos 90 jamais tentou. Este arco de dois episódios humaniza o Apocalipse de formas que a animação original nunca tentou, transformando-o de uma força da natureza imparável em um homem moldado por perdas profundas e por uma visão distorcida de evolução.
Magneto, a traição e o paradoxo que os X-Men criaram
A maioria dos X-Men quer apenas voltar para casa. Magneto, porém, decide ficar e se torna mentor de Nur, tentando ensinar o jovem mutante a conter sua raiva. A intenção era nobre: se o mutante mais poderoso do passado abraçasse o sonho do Professor Xavier, talvez o futuro dos mutantes fosse diferente. O problema é que a mentira tem prazo de validade.
Quando Nur descobre os segredos que os X-Men esconderam, sua confiança se rompe por completo. Os hieróglifos dentro da Nave mostram Nur ascendendo à forma do Apocalipse na mesma câmara, cercado por seis figuras: Noturno, Vampira, Fera, Bishop, Charles e Magneto. O destino estava literalmente gravado nas paredes, e os heróis faziam parte da cena. A tentativa de salvar Nur foi, ela mesma, parte do processo que o condenou.
Movido pelo ethos da “Sobrevivência do Mais Apto”, Nur entra diretamente na maquinaria Celestial, fundindo permanentemente sua biologia com a infraestrutura alienígena para se transformar no Apocalipse. Assistir ao Apocalipse fazer evaporar um personagem vital como Magneto com um disparo brutal no peito foi aterrorizante, provando que ninguém está a salvo e consolidando essa como uma das adaptações mais ameaçadoras já feitas para o vilão.
Mas até no pior momento, há um fio de contradição: a frase que Apocalipse diz ao poupar Xavier foi exatamente a mesma que Magneto compartilhara com Nur para convencê-lo a poupar um general de Kang. A implicação é que, apesar de Nur ter se tornado o Apocalipse de qualquer maneira, Magneto ainda teve algum impacto no Primeiro Mutante.
A frase icônica, Eson e o elo com o MCU que X-Men ’97 costura com cuidado
Quem cresceu assistindo à série animada dos anos 90 certamente guarda na memória a frase mais famosa do Apocalipse. Uma das frases mais famosas de Apocalipse é: “Eu sou as rochas da margem eterna; quebrem-se contra mim e sejam destruídos!”, ouvida pela primeira vez de forma memorável na série animada original dos X-Men.
A segunda temporada de X-Men ’97 revela as verdadeiras origens e o significado mais profundo dessa citação: ela veio do próprio Eson, o Buscador, dita enquanto ele incumbia En Sabah Nur de seu novo propósito como o fim supremo de tudo. Nur não inventou aquelas palavras; ele as herdou do ser cósmico que o criou.
Um Celestial chama por En Sabah Nur e concede a ele poder e tecnologia da “Nave”, transformando-o no Apocalipse com a promessa de que ele “trará um fim a todas as coisas”. Este é Eson, o Buscador, o mesmo Celestial que concedeu poder a Nur nos quadrinhos.
E aqui a série abre um elo com o MCU: Eson fez uma breve aparição em Guardiões da Galáxia quando o Colecionador explica a origem da Pedra do Poder. Há uma indicação clara de que os poderes recém-adquiridos do Apocalipse vêm dessa Joia do Infinito. Ao ligar a Pedra do Poder ao Apocalipse, X-Men ’97 conecta o mundo mutante diretamente ao lado cósmico do MCU.
Este arco de dois episódios é a exploração mais profunda já feita em qualquer série animada dos X-Men sobre como En Sabah Nur se tornou o Apocalipse. A série anterior dos anos 90 o apresentou como uma força quase mitológica. X-Men ’97 mostra de onde veio a mitologia, e o preço que todos pagaram para que ela existisse.
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