Entrevista com o Vampiro chega à Netflix com três temporadas e um dos históricos críticos mais sólidos da TV recente: as duas primeiras temporadas foram amplamente elogiadas, e a série acumula 99% de aprovação no Rotten Tomatoes. Com a 2ª temporada estreando na plataforma em 14 de julho e a 3ª em 20 de julho, é o momento certo para entender o que fez tanta gente tratar essa adaptação da AMC como algo fora do comum.
Só que há um detalhe importante: cada temporada é um tipo diferente de série. O que a crítica valoriza na primeira não é exatamente o que elogia na segunda, e a terceira mudou tanto de formato que chegou com outro nome. Para quem quer maratonar tudo em julho, entender esse percurso muda bastante a experiência.
O que fez a série decolar com a crítica desde o início?
Criada por Rolin Jones para a AMC e baseada em As Crônicas Vampirescas de Anne Rice, a série tem Jacob Anderson como Louis de Pointe du Lac e Sam Reid como Lestat, e abraça os elementos queer da obra, que no filme de 1994 ficavam apenas sugeridos. Esse foi um dos pontos que mais chamou atenção dos críticos logo de cara.
Ao contrário do livro e do filme, a adaptação transforma Louis em um homem negro bem-sucedido na Nova Orleans dos anos 1910, trazendo temas como racismo para o centro da narrativa. A relação entre Louis e Lestat também é tratada de forma direta como um romance, algo que no filme ficava apenas sugerido. Para a crítica especializada, essas escolhas não pareceram liberalidades desnecessárias, mas atualizações que deram mais peso dramático à história.
Os críticos descreveram a adaptação como surpreendentemente boa, tanto para quem conhece o livro quanto para novos espectadores, com uma afirmação categórica: a série concorre como um dos melhores programas da televisão no ano de sua estreia. Não é elogio pequeno.
A 2ª temporada foi ainda melhor, segundo os críticos
A 2ª temporada alcançou 89 no Metacritic, em faixa de aclamação universal, e consolidou a série como uma obra que não só respeita Anne Rice, mas encontra uma linguagem televisiva própria para seu universo. Para quem viu a primeira temporada e gostou, o segundo ano é descrito como uma escalada, não uma repetição.
Quando a história se move para Paris e para o Théâtre des Vampires, Assad Zaman e Ben Daniels ampliam o mundo da série. A ambientação sai da Nova Orleans decadente e ganha uma camada ainda mais performática e cruel, como se a série admitisse que o vampirismo ali é também espetáculo, encenação e violência ritualizada.
A crítica chegou a afirmar que a segunda temporada supera o filme dos anos 1990 e até o material original, com uma abordagem extravagante e sem recuos que a consolidaria como uma das melhores da história. Uma análise foi ainda mais direta: “é estruturada com inteligência e tem cara de cinema.” Esse tipo de recepção é raro para uma segunda temporada de qualquer série.
Há um ponto de divisão, porém. No Metacritic, a nota do público é de 6,8, com 65% de avaliações positivas mas 27% negativas. Parte dos fãs mais ligados aos livros de Anne Rice resistiu às mudanças de personagens e tom, especialmente à abertura explícita da relação entre Louis e Lestat. Críticos e parte do público não estão completamente alinhados nesse ponto.
A 3ª temporada virou outro programa. E a crítica adorou
A 3ª temporada, chamada The Vampire Lestat, representa uma transformação total em relação às duas anteriores. Os filmes anteriores nunca souberam como fazer a virada do vilão Lestat funcionar. Foi o showrunner Rolin Jones quem encontrou um caminho: deixar o próprio Lestat narrar a era em que se tornou um astro do rock alternativo. Estreou na AMC em 7 de junho de 2026.
Transformar a série em um mockumentário centrado em Lestat não é um salto tão grande quanto parece. A série sempre foi marcada pelo excesso e pelo flair dramático, qualidades que combinam com a nova persona de Iggy Pop que o personagem adota. A música começa a funcionar como forma de expressar o que palavras e imagens sozinhas não conseguem.
Sam Reid lidera o elenco com confiança, ao lado de Jacob Anderson, Eric Bogosian, Assad Zaman e Delainey Hayles. A série abraça de vez a premissa do tour musical, e a trilha sonora do compositor Daniel Hart passa a funcionar como narrativa própria. A Variety descreveu a temporada como uma reconfiguração que mudou até o nome do programa, e ainda assim funcionou.
Para a 3ª temporada, o showrunner Rolin Jones coloca muito nas costas de Sam Reid, que volta como Lestat. A boa notícia, segundo a crítica: “Reid é eletrizante e age, veste e caminha como um astro de rock legítimo da era Bowie e Jagger.” É o tipo de performance que dá sustentação a um risco criativo grande.

Para quem vai entrar pela primeira vez na série em julho, a trajetória faz mais sentido sabendo o que muda. Para quem conhece só o filme de 1994, a série oferece algo bem diferente: mais tempo para os personagens respirarem, mais espaço para a perversidade emocional aparecer e mais coragem para assumir o teor queer e romântico da obra sem recuo.
A 2ª temporada expande o mundo e aprofunda a relação entre Louis e Armand em Paris, com uma camada de crueldade performática que a primeira não tinha. Já a 3ª muda de narrador, de formato e de tom: Lestat assume o controle, a câmera vira quase um documentário de tour e a série decide ser mais barulhenta e mais musical. The Vampire Lestat ocupa um lugar único dentro da série: é uma virada abrupta em relação à entrevista formal que a precedeu e, ao mesmo tempo, uma continuação caotica e eletrizante da história existente.
A Netflix confirmou oficialmente as datas em publicação nas redes sociais: a 2ª temporada chega ao catálogo em 14 de julho e a 3ª em 20 de julho. Para quem quer maratonar tudo de uma vez, o calendário foi quase ideal.
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