X-Men ’97 voltou com tudo. A segunda temporada estreou em 1º de julho de 2026 na Disney+ e já acumula 99% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, com nota 90 no Metacritic. Para uma animação de super-heróis herdeira de um clássico dos anos 1990, esses números dizem muito.
O problema é que o homem que mais contribuiu para isso não está lá para celebrar. Beau DeMayo, criador e showrunner responsável pelos roteiros que sustentam essa segunda temporada, foi demitido da Marvel em março de 2024, meses antes mesmo de a primeira temporada ir ao ar.
Desde então, o que era rumor virou processo judicial, e o que era bastidor virou declaração pública. As duas histórias correndo em paralelo criam um contraste difícil de ignorar.
Uma temporada que não deixa fôlego!
A segunda temporada aposta em uma estrutura narrativa dividida em múltiplas linhas temporais. Nos 9 episódios, o time dos X-Men se fragmenta por diferentes eras: Professor X, interpretado por Ross Marquand, e Magneto, com voz de Matthew Waterson, acabam no Egito Antigo ao lado de um jovem En Sabah Nur, o futuro Apocalipse.
Ciclope, dublado por Ray Chase, e Jean Grey, com Jennifer Hale, são lançados ao ano 3960 d.C., onde encontram a Mãe Askani, interpretada por Gates McFadden, e o jovem Nathan, o futuro Cable.
No presente dos anos 1990, o grupo restante enfrenta o X-Factor, enquanto personagens como Jubileu ganham espaço e desenvolvimento que fãs esperavam há anos. A série mantém o ritmo dos episódios de cerca de 30 minutos sem que isso pareça limitação: cada cena carrega peso narrativo e os saltos entre épocas funcionam como motor de tensão, não como confusão.
A recepção não surpreende quem acompanhou a primeira temporada, que estreou com 100% no Rotten Tomatoes. O que surpreende é a série manter esse patamar com uma estrutura ainda mais ambiciosa.
O criador que a série não pode mais creditar sem briga?
Beau DeMayo foi desligado da Marvel em março de 2024 após, segundo comunicado oficial do estúdio, uma investigação interna que encontrou evidências de má conduta sexual.
A empresa afirmou ter cortado os laços “imediatamente” dado o que chamou de natureza “flagrante” dos achados, conforme reportado pelo The Hollywood Reporter e pela Variety. Mais tarde, a Marvel também notificou a remoção de seus créditos da segunda temporada, alegando que ele havia violado repetidamente cláusulas de confidencialidade do acordo de rescisão.
DeMayo, que é negro e abertamente gay, contesta cada ponto dessa narrativa. Em entrevista à Vanity Fair, ele caracterizou a demissão como retaliação por sua identidade. Segundo ele, era comum ouvir no ambiente interno da Marvel comentários como “você não tem cara de showrunner”, e sentia que era tratado como uma contratação simbólica de diversidade, sem peso real nas decisões criativas.
“Foi tudo resolvido. Era tipo: ‘É sua vida pessoal. Contanto que você não esteja anunciando a série no seu OnlyFans, está fora da alçada deles.’ Achei que estava em um espaço seguro e logo descobri que não estava. Meu terapeuta está muito bem empregado.”
Beau DeMayo, em tradução livre, à Vanity Fair
A menção ao OnlyFans tem contexto. DeMayo mantinha uma conta com fotos de academia e conteúdo sem nudez antes da demissão, e afirma que o estúdio estava ciente e não havia objeções. Após o desligamento e o início do processo judicial, o conteúdo da conta mudou de natureza. Ele garante que o material explícito só surgiu depois do encerramento do vínculo com a Marvel.
O estopim para a retirada dos créditos, segundo DeMayo, foi uma postagem no Instagram de junho de 2024: ele compartilhou uma fan art onde aparecia de forma sensual usando o traje do Ciclope, em celebração ao mês do Orgulho. A Marvel teria considerado o post uma violação contratual. DeMayo chamou a reação de “padrão perturbador” de preconceito institucional.
Para enfrentar a empresa, ele contratou o advogado Bryan Freedman, que acusou publicamente a Disney de incluir cláusulas “ilegais e inconcebíveis” nos contratos com o objetivo de silenciar relatos. O julgamento do processo está marcado para julho de 2027.
Por ora, apesar de toda a controvérsia, DeMayo ainda aparece listado nos créditos da segunda temporada como criador e produtor executivo.

O futuro de X-Men ’97 depois da crise
A terceira temporada segue em desenvolvimento com um novo nome à frente: Matthew Chauncey, veterano de E Se…?, foi contratado como novo showrunner. A diretora Emi Yonemura, responsável por múltiplos episódios da animação, falou ao Screen Rant sobre o clima de trabalho com a nova equipe:
“Ele é adorável. Eu amo trabalhar com ele. Ele não está aqui há tanto tempo, mas já é um escritor super doce e incrivelmente talentoso. Estou realmente animada para que os fãs vejam o que ele traz para a mesa, porque é incrível, ele é um gênio.”
Emi Yonemura, em tradução livre, ao Screen Rant
O produtor executivo Brad Winderbaum já disse publicamente que quer ver a série chegar ao menos à quinta temporada. E o produtor Larry Houston indicou que, resolvidos os problemas de produção que atrasaram a segunda temporada, o intervalo entre os ciclos deve ser menor.
Com números como os do Rotten Tomatoes respaldando a aposta, a continuidade parece consolidada, mesmo que o julgamento de 2027 ainda pese sobre a história da franquia.
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