Faltam sete semanas para o tapete vermelho de 2026, e a lista de indicados ao Oscar já provoca debates acalorados. Entre recordes de nomeações e surpresas agradáveis, a temporada exibe um cardápio diverso que vai do terror social ao drama esportivo.
Para ajudar quem quer chegar preparado à cerimônia, o 365 Filmes destrinchou as atuações, direções e roteiros que mais chamaram atenção, além de indicar onde cada longa está disponível no streaming ou para aluguel digital. A seguir, mergulhe nos destaques sem precisar sair do sofá.
Sinners redefine o terror social com elenco em estado de graça
Ryan Coogler ampliou a ousadia ao misturar vampiros e segregação racial em Sinners, que já carrega o recorde de indicações da história da Academia. O diretor valoriza o subtexto político sem sacrificar o susto, apoiando-se em um elenco afinado liderado por Michael B. Jordan e Miles Caton. A química dos dois sustenta a tensão e confere humanidade a personagens que poderiam soar caricatos.
Jordan domina a tela com um protagonismo contido, revelando o horror dos anos Jim Crow em pequenos gestos, enquanto Caton conquista a empatia do público ao representar o medo coletivo que permeia a trama. O roteiro original, igualmente assinado por Coogler, amarra crítica social e estética de horror com segurança rara no gênero. Quem assina a fotografia explora tons quentes, quase sanguíneos, lembrando a atmosfera de As Above So Below, que recentemente voltou aos holofotes na HBO Max. Sinners já está disponível mundialmente na mesma plataforma.
Dramas históricos assumem a dianteira: Hamnet, Frankenstein e Train Dreams
Entre os épicos de época, Hamnet surge como favorito a Melhor Filme. Dirigido por um detalhista Sam Mendes, o longa resgata o cotidiano de William Shakespeare a partir dos gêmeos Hamnet e Judith. Jessie Buckley, intérprete de Agnes, rouba a cena ao dosar melancolia e força em cada aparição. A composição física da atriz, sempre curvada sobre tarefas rústicas, traduz a opressão feminina da época e confirma seu favoritismo ao prêmio de Melhor Atriz.
Jacob Elordi surpreende em Frankenstein, versão de Guillermo del Toro que mantém o espírito da obra de Mary Shelley. O ator interpreta o Monstro como uma alma em busca de afeto, rompendo com leituras apenas brutais do personagem. A maquiagem pesada nunca eclipsa o olhar vulnerável de Elordi, enquanto o diretor replica seu estilo barroco em cenários inundados por luz esmeralda. O longa estreou na Netflix e continua entre os títulos mais vistos da plataforma.
Na mesma gigante do streaming está Train Dreams, adaptação do romance de Denis Johnson. Joel Edgerton, embora esnobado na categoria de atuação, conduz o público pelo Oeste norte-americano com uma entrega silenciosa e dolorida. A fotografia privilegia planos abertos que lembram pinturas, reforçando a solidão do protagonista. O roteiro adaptado evita narrações expositivas, confiando na expressão corporal de Edgerton para transmitir décadas de perdas.
Humor e subversão em Marty Supreme, Bugonia e One Battle After Another
Timothée Chalamet retorna ao radar da Academia como Marty Mauser, astro de tênis de mesa decidido a popularizar o esporte nos Estados Unidos em Marty Supreme. O roteiro original equilibra comédia de costumes e crítica ao chauvinismo esportivo, mas é a energia hipnotizante de Chalamet que sustenta cada virada narrativa. A produção da A24 chega em PVOD em fevereiro e pousa no Prime Video no verão de 2026.
Imagem: Imagem: Divulgação
Já Bugonia, dirigido por Yorgos Lanthimos, confirma a aptidão do cineasta para a estranheza. Emma Stone interpreta uma executiva que pode — ou não — ser uma ameaça alienígena. A atriz constrói a personagem com tiques corporais, alternando fragilidade e frieza, o que lhe rendeu a sétima indicação ao Oscar. O humor ácido evoca a mesma ousadia com que Chris Pratt tentou revolucionar o sci-fi em Mercy, produção cujo conceito tortuoso não convenceu a crítica. Bugonia está no Peacock Premium.
One Battle After Another marca o reencontro de Paul Thomas Anderson com o escopo épico. O diretor entrega seu trabalho mais político desde Sangue Negro, guiado por Leonardo DiCaprio no papel de um pai omisso envolvido com revolucionários perseguidos pelo governo. O ator, reconhecido por composições expansivas, adota aqui um registro quase lacônico, ampliando o peso moral das escolhas do personagem. Disponível na HBO Max, o drama também se beneficia do texto adaptado que sustenta diálogos cortantes.
Cinema internacional e esportes: The Secret Agent e F1 ampliam o leque da Academia
The Secret Agent consolida Wagner Moura como figura recorrente no Oscar. O brasileiro interpreta um dissidente político durante a ditadura militar de 1970, mergulhando em nuances que vão além do herói tradicional. Seu sotaque contido e o olhar exausto comunicam anos de paranoia, numa construção que lembra o mergulho de Idris Elba em A Torre Negra, elogiado mesmo num roteiro tímido pela crítica. O longa chega ao Hulu nos EUA no próximo verão, mas já poderá ser alugado no fim de janeiro em diversas plataformas.
No campo esportivo, F1 mistura ficção e registros reais da categoria para acompanhar o retorno de um veterano vivido por Brad Pitt. A edição costura imagens de corridas oficiais com planos dramáticos, oferecendo verossimilhança rara no gênero. O diretor, Joseph Kosinski, mantém o ritmo frenético sem perder de vista o arco emocional, apoiado em um som indicado à estatueta. No Apple TV, o filme prova que blockbusters de streaming podem competir de igual para igual com as majors tradicionais.
Completando o panorama, Sentimental Value e sua dobradinha inédita na categoria de Atriz Coadjuvante — Elle Fanning e Inga Ibsdotter Lilleaas — mostram que o festival de premiações está aberto a narrativas íntimas. Joachim Trier dirige com sensibilidade, evitando melodrama ao retratar a reconciliação de um cineasta com as filhas. O lançamento em PVOD acontece nos próximos meses, seguido de estreia no MUBI britânico em março.
Vale a pena maratonar os filmes indicados ao Oscar 2026?
A julgar pela variedade de gêneros, escalas de produção e nacionalidades presentes na lista deste ano, o público terá dificuldade em escolher por onde começar. De aventuras sobrenaturais a dramas familiares, cada título oferece uma experiência distinta, ancorada em atuações que já fazem história e em direções que arriscam formatos. Seja pela conveniência do streaming ou pela chance de ver algumas obras ainda em salas selecionadas, os filmes indicados ao Oscar 2026 prometem sustentar conversas muito além da noite de premiação.
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