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Nova onda de interesse por As Above So Below coloca terror de 2014 no topo da HBO Max

Por Matheus Amorim4 Minutos de leitura

Sete anos depois de seu lançamento nos cinemas, As Above So Below voltou a figurar entre os títulos mais vistos da HBO Max. A produção, dirigida por John Erick Dowdle, ignora a má vontade inicial da crítica e conquista um público que parecia esquecido pela bilheteria tradicional.

O fenômeno reacende a conversa sobre a força do found footage quando aliado a um elenco comprometido e a decisões de direção ousadas. Em pouco mais de 90 minutos, o longa entrega um labirinto de tensão que, na visão dos assinantes da plataforma, merece revisão — ou descoberta.

Elenco mergulha na claustrofobia parisiense

À frente da narrativa está Perdita Weeks, responsável por dar vida à obstinada arqueóloga Scarlett Marlowe. A atriz evita cair na caricatura de heroína invencível, equilibrando coragem e vulnerabilidade em sequência. O público percebe rapidamente que suas motivações são tão pessoais quanto acadêmicas, o que reforça a tensão quando a personagem precisa liderar a equipe nos túneis.

Ben Feldman assume o ex-companheiro George, figura crucial tanto na tradução de inscrições antigas quanto na lembrança das falhas passadas do grupo. A química entre Feldman e Weeks é sutil, mas funciona como ponto de ancoragem emocional. Já Edwin Hodge, no papel do cameraman Benji, entrega o alívio dramático sem destoar do clima sombrio. É dele a perspectiva em primeira pessoa que sustenta o formato found footage.

Direção transforma catacumbas em espelho de pecados

John Erick Dowdle conduz a câmera com foco na imersão. A proposta soa simples: acompanhar um grupo em busca da lendária pedra filosofal nos subterrâneos de Paris. No entanto, o diretor constrói uma progressão de camadas que se aproxima da estrutura de “Inferno”, de Dante Alighieri, sem esquecer a urgência de um thriller contemporâneo.

As passagens estreitas ganham vida própria graças à iluminação mínima e ao som ambiente, que transita entre vozes distantes e ruídos de rochas deslocando-se. Essa abordagem sublinha o caráter psicológico da história — cada passo adiante é também um mergulho nos traumas de Scarlett e companhia. A comparação com outros filmes que falham ao explorar locações únicas, como o criticado projeto futurista em Mercy, destaca a precisão de Dowdle no uso do espaço.

Roteiro acerta na simbologia, mas tropeça na lógica interna

Escrito pelos irmãos Drew e John Erick Dowdle, o roteiro faz uso constante de referências alquímicas e religiosas. A ideia de que o tesouro procurado é, na verdade, a redenção pessoal de cada explorador adiciona peso às revelações finais. Nessa etapa, Zed (François Civil) e Papillon (François Roy) participam de sequências que exigem confissão de pecados, ampliando a tensão moral.

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Imagem: Imagem: Divulgação

O texto, porém, sofre com diálogos expositivos em momentos nos quais o mistério deveria falar mais alto. Papillon descreve regras das catacumbas em tom de tutorial, quebrando o ritmo em algumas cenas. Ainda assim, a estrutura de causa e efeito se mantém, garantindo que o espectador compreenda por que a única saída é sempre avançar mais fundo — solução que lembra o dilema de heróis em adaptações mal recebidas, caso de A Torre Negra.

Efeitos práticos reforçam autenticidade do found footage

Ao optar por efeitos práticos discretos, a produção ajuda o público a entrar no clima documental. Quedas de rochas, sangue e objetos antigos foram criados em cenários reais, permitindo que a câmera vacilante registre sustos orgânicos. O recurso diminui o risco de rupturas visuais, problema comum em filmes que exageram no CGI.

A trilha sonora quase inexistente também colabora. O espectador ouve a respiração ofegante dos personagens, o que aumenta o senso de urgência. Essa escolha, somada ao uso de headlamps como principal iluminação, fortalece o realismo da proposta, garantindo que a atenção não se disperse nem mesmo nos momentos de maior exposição narrativa.

Vale a pena assistir?

Para quem busca um terror curto, claustrofóbico e baseado na dinâmica de grupo, As Above So Below se sustenta graças às boas atuações e à direção competente de John Erick Dowdle. O retorno do filme aos holofotes da HBO Max indica que o público segue ávido por histórias que arriscam novas leituras sobre culpa e redenção — um atrativo incontestável para o catálogo de 365 Filmes.

Matheus Amorim

Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes. Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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