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Crítica de Mercy: Chris Pratt em suspense futurista que tropeça no próprio conceito

Por Matheus Amorim4 Minutos de leitura

Chris Pratt volta à ficção científica em Mercy, longa da Amazon MGM que aposta em julgamentos automatizados, câmeras onipresentes e um detetive algemado a um prazo de 90 minutos para provar que não matou a esposa.

Mesmo com elenco de peso e direção vistosa de Timur Bekmambetov, a recepção vem sendo devastadora: 19% no Rotten Tomatoes e críticas que questionam desde a construção de personagens até a mensagem pró-vigilância. O 365 Filmes analisou o motivo de tanta controvérsia.

Enredo enxuto limita o charme de Chris Pratt

Chris Pratt interpreta o detetive Chris Raven preso a uma cadeira, revendo gravações que podem absolvê-lo ou condená-lo. A proposta soa minimalista, mas restringe a fisicalidade do ator, famoso pela mistura de humor e ação vista em Guardiões da Galáxia e Jurassic World. Aqui, ele depende quase exclusivamente de expressões faciais.

O formato de “tela dentro da tela” exibe Raven observando monitores praticamente o filme todo. A condução até permite alguns picos de tensão, porém quem espera a adrenalina de um Minority Report encontra um suspense contido, por vezes repetitivo, que desperdiça a aura de astro que Pratt carrega. Não à toa, parte dos críticos define Mercy como “o mais lúgubre e desajeitado” lançamento do ano.

Direção de Timur Bekmambetov aposta em estética de tela dentro da tela

Bekmambetov, conhecido por acrobacias visuais em Procurado e pela série ScreenLife, novamente experimenta linguagens digitais. Em Mercy, drones, dashboards holográficos e a sala de audiências virtual formam um mosaico high-tech que, em tese, dialoga com a premissa de julgamento por inteligência artificial.

O problema surge quando o aparato visual vira obstáculo narrativo. Sequências inteiras acontecem em janelas sobrepostas, o que pode lembrar o leitor da experiência de A Torre Negra cujo desastre evidenciou como efeitos não salvam roteiros frágeis. Em Mercy, a estética não compensa a carência de dinamismo, e a direção parece tão vidrada na interface que esquece de extrair nuances emocionais do protagonista.

Roteiro de Marco van Belle gera debate sobre IA e Estado

Assinado por Marco van Belle, o texto investe no medo contemporâneo de algoritmos decidindo destinos humanos. No entanto, a execução deixa pontas soltas. Ao final, a narrativa soa complacente com a militarização da polícia e com o uso irrestrito de vigilância, algo que causou desconforto em boa parte dos analistas.

Crítica de Mercy: Chris Pratt em suspense futurista que tropeça no próprio conceito - Imagem do artigo original

Imagem: Imagem: Divulgação

Há quem veja o roteiro quase como se tivesse sido escrito pela própria IA que critica. Diálogos expositivos dominam, metáforas derrapam e a jornada de Raven carece de dilemas éticos palpáveis. Artigos como Queda de aprovação já apontavam que o suspense poderia sair do forno com índices baixos, e o veredito pós-lançamento confirmou o pressentimento.

Elenco coadjuvante esbarra em personagens subutilizados

Rebecca Ferguson vive a juíza Maddox, entidade digital que conduz o processo. A atriz entrega frieza calculada, mas contracena apenas por telas, sem calor dramático. A distância reduz o atrito que faria o duelo de interpretações decolar.

Annabelle Wallis e Kali Reis surgem em participações breves, reforçando sensação de elenco mal aproveitado. Basta comparar com projetos que extraem química até de universos conflitantes, como em Masters of the Universe que refina mistura de mundos. Em Mercy, o potencial é evidente, porém a narrativa amarra os coadjuvantes a estereótipos ou flashes de flashback, impedindo que eles respirem.

Vale a pena assistir Mercy nos cinemas?

Para quem busca uma experiência cerebral sobre ética em algoritmos, Mercy pode soar simplista. Já o público atrás de reviravoltas e estética futurista talvez embarque no suspense sem maiores exigências. Com apenas 100 minutos, ritmo ágil e alguns tiros bem coreografados, o longa funciona como passatempo despretensioso, mas dificilmente figurará entre os destaques da carreira de Chris Pratt.

Matheus Amorim

Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes. Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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