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Queda de aprovação: thriller Mercy enfrenta críticas duras mesmo antes da estreia

Por Matheus Amorim4 Minutos de leitura

Faltando poucos dias para chegar aos cinemas norte-americanos, Mercy já protagoniza um dos maiores tropeços críticos da temporada. O novo thriller de ficção científica estrelado por Chris Pratt e Rebecca Ferguson despencou para 17% de aprovação no Rotten Tomatoes depois da atualização do agregador com 47 textos especializados.

A recepção negativa coloca o longa na quarta pior posição da carreira de Pratt e na terceira de Ferguson, mesmo antes de o público ter a chance de conferir a história do detetive condenado a provar inocência em apenas 90 minutos diante de uma juíza comandada por inteligência artificial.

Um desastre na crítica: nota do thriller Mercy despenca no Rotten Tomatoes

No início da semana, Mercy ainda mantinha um magro 33% no índice de recomendação. A queda para 17%, contudo, consolidou um consenso quase unânime: a obra dirigida por Timur Bekmambetov não convenceu analistas, que apontam problemas de ritmo e de coerência temática.

A maior parte das resenhas elogia o conceito distópico de um sistema judicial automatizado, mas acusa o filme de abraçar — em vez de questionar — a tecnologia que deveria criticar. Termos como “pro-IA” e “contraditório” aparecem repetidas vezes nas publicações, indicando que a discussão sobre ética digital perde força no momento em que a trama se volta para set pieces de ação pura.

Atuações em destaque no thriller Mercy

Mesmo com o cenário crítico adverso, a dupla principal não passou despercebida. Chris Pratt interpreta o detetive Chris Raven com o carisma habitual, mesclando insegurança e arrojo em sequências de interrogatório que lembram de longe sua performance em A Guerra do Amanhã. Já Rebecca Ferguson surge como a voz — e o holograma — da Juíza Maddox, entidade algorítmica que comanda o destino do protagonista.

Parte da imprensa afirma que a atriz de Duna consegue imprimir uma frieza calculada que remete à tradição de inteligências artificiais no cinema, como a de Ex Machina. Ainda assim, o texto não lhe oferece nuances suficientes para rivalizar com sua presença física costumeira. O resultado é um duelo dramático que depende mais do talento natural dos atores do que do material disponível.

Direção de Timur Bekmambetov: espetáculo visual sobre substância

Bekmambetov, conhecido pelos planos frenéticos de O Procurado e pelo remake de Ben-Hur, imprime em Mercy seu gosto por câmeras que deslizam por telas holográficas e pela edição acelerada. A proposta mantém a adrenalina alta, mas alguns críticos alegam que o excesso de truques visuais dilui a tensão que a contagem regressiva deveria reforçar.

Em entrevistas promocionais, o cineasta destacou o orçamento de 60 milhões de dólares e as inovações de captura virtual como diferenciais do projeto. Os mesmos recursos, porém, viram alvo de comparação com blockbusters recentes que equilibram técnica e emoção, como A Quiet Place: Day One, longa que ressurgiu no streaming e ganhou nova leitura de público e crítica, segundo o portal 365 Filmes.

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Imagem: Imagem: Divulgação

Roteiro de Marco van Belle: ideias afiadas, execução confusa

Responsável pelo argumento e pelo script, Marco van Belle recebe os elogios mais tímidos do conjunto. O ponto de partida — polícia acusado injustamente que precisa se defender de um tribunal automatizado — atraiu atenção do estúdio Amazon MGM, mas a implementação ficou aquém do conceito, conforme apontam as resenhas.

Entre os principais reparos está a contradição temática: enquanto o protagonista combate um sistema desumano, a narrativa parece defender a eficiência da própria máquina. Há quem compare a abordagem à recente discussão sobre a reinvenção de clássicos, como ocorreu no remake de Overboard, onde a atualização de valores não convenceu parte da crítica.

Vale a pena assistir a Mercy nos cinemas?

O drama judicial futurista estreia em 23 de janeiro com previsão de arrecadar entre 10 e 13 milhões de dólares no mercado doméstico. Para se pagar, precisará de força internacional, tarefa que pode depender do carisma de Pratt e da respeitável filmografia de Ferguson.

Quem se interessa por ficções científicas que abordam inteligência artificial provavelmente encontrará em Mercy um estudo de caso curioso: boas ideias confrontadas por execução inconsistente. Já espectadores que priorizam suspense contínuo e visual arrojado podem sair satisfeitos, apesar das críticas.

Assim como outras produções de grande orçamento que dividiram opiniões — vide o fenômeno The Rip, elogiado pela imprensa especializada por sua direção pulsante (confira aqui) —, Mercy deve gerar debate sobre os limites entre entretenimento e reflexão. A resposta definitiva virá das bilheterias e dos próximos índices de aprovação do público, que poderão reverter, ou confirmar, o veredicto inicial dos críticos.

Matheus Amorim

Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes. Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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