As salas de cinema recebem, nesta quinta-feira (9), um cardápio variado que vai do horror visceral à investigação histórica sobre os bastidores do poder. São produções que dialogam com o noticiário, resgatam lendas populares e fecham trilogias aguardadas pelos fãs.
Ao todo, oito longas chegam às telonas brasileiras. Ainda que cada um mire um público específico, todos apostam em tramas intensas — um prato cheio para quem busca renovar a maratona fora do streaming e, quem sabe, encontrar o próximo hit que figurará em listas como 7 filmes que explodiram hoje no Top Global da Netflix.
Terror e política: as apostas globais
Os Estranhos: Capítulo Final
Dirigido por Renny Harlin, o último episódio da trilogia de reboot leva a sobrevivente Maya (Madelaine Petsch) ao limite do suportável. Após dois filmes fugindo de assassinos mascarados, ela se vê forçada a encarar o inimigo principal, que deseja transformá-la numa integrante do próprio bando.
O roteiro eleva o jogo de gato e rato ao explorar o trauma acumulado da protagonista, enquanto a fotografia claustrofóbica mantém o espectador sufocado.
Harlin, veterano em ação e suspense, usa cortes secos e som ambiente opressor para entregar um capítulo que caminha entre a nostalgia do slasher clássico e o terror psicológico contemporâneo. A expectativa é que o longa encerre a saga com mais camadas emocionais do que simples sustos, algo que a crítica internacional já elogiou nas primeiras exibições-teste.
A Assistente de Necrotério
Baseado no game homônimo que fez sucesso em lives de gameplay, o terror de Jeremiah Kipp transforma o River Fields em ringue sobrenatural. Willa Holland vive Rebecca Owens, aprendiz em tanatopraxia cujo plantão noturno vira pesadelo quando os mortos retornam possuídos.
A transposição da mecânica interativa para a linguagem cinematográfica aposta em efeitos práticos, cheiros de formol e um design de som que literalmente faz as gavetas de aço tremerem.
Para além do susto fácil, o longa discute a solidão dessas profissões invisíveis e a tensão de enfrentar o desconhecido sem possibilidade de fuga. Gamers curiosos sobre a fidelidade ao material original encontram easter eggs discretos, enquanto novatos no universo podem desfrutar de um terror autossuficiente.
O Mago do Kremlin
Em suspense dirigido por Olivier Assayas, Paul Dano interpreta Vadim Baranov, cineasta que aceita moldar a imagem pública de Vladimir Putin (Jude Law) após o colapso soviético. A trama acompanha a transformação do Palácio do Kremlin em palanque midiático, revelando como a desinformação se tornou arma política de longo alcance.
Assayas, conhecido por , mistura estética documental e diálogos ácidos, criando um thriller quase jornalístico. Entre bastidores de eleições e crises internacionais, o filme questiona até que ponto a construção de um mito justifica a erosão moral de quem o projeta. Críticos europeus apontam semelhanças com “A Rede de Intrigas” e destacam a química tensa entre Dano e Law.
Retalhos de Saudade
Jim Jarmusch retorna com um drama-comédia em três atos sobre luto e reconciliação. De uma fazenda no interior dos EUA a um apartamento parisiense, as histórias exploram relações familiares paralisadas pela distância emocional.
O elenco estelar — Mayim Bialik, Adam Driver, Vicky Krieps, Cate Blanchett e Charlotte Rampling — traz performances contidas, típicas do cineasta.
Com humor melancólico e vinhetas poéticas, Jarmusch observa como gestos simples — um café na varanda, um LP antigo rodando — podem reabrir feridas e, simultaneamente, pavimentar o caminho da cura.
O longa figura em premiações de roteiro e deve agradar quem se identifica com dramas intimistas como “Paterson”.
Olhar nacional: dramas, ação e fé latino-americana
Dossiê 1976
André Sturm transforma as mortes de Juscelino Kubitschek e João Goulart em thriller investigativo. Mel Lisboa vive Silvana, jornalista que, ao lado do colega interpretado por Dan Stulbach, vasculha arquivos secretos e corre atrás de testemunhas silenciadas. A narrativa costura documentos reais a passagens ficcionais, lembrando o impacto de títulos como “Z” e “Todos os Homens do Presidente”.
O filme provoca reflexões sobre revisionismo histórico e o preço de desafiar versões oficiais, assunto que ressoa em tempos de debates acalorados sobre democracia. Festivais nacionais destacaram a montagem frenética e a recriação de época minuciosa.
Cinco Tipos de Medo
Vencedor do Festival de Gramado, o thriller de Bruno Bini mergulha no triângulo explosivo entre o músico Murilo (João Vitor Silva), a enfermeira Marlene (Bella Campos) e o traficante Sapinho (Xamã).
Ambientado em Cuiabá, o longa combina ação urbana e crítica social, mostrando o poder opressivo do crime organizado sobre comunidades inteiras.
Bini utiliza a paisagem calorenta do Centro-Oeste para amplificar a tensão: becos estreitos, casas sem reboco e vielas iluminadas por luz de poste viram um tabuleiro imprevisível.
A trilha sonora, que mescla rap, sertanejo e silêncio mortal, reflete os contrastes de um Brasil realista que raramente chega ao cinema comercial.
O Pranto do Fantasma
No drama mágico de George Walker Torres, o pequeno Miguel (Zayan Medeiros) encontra ecos do folclore latino-americano ao ouvir histórias sobre uma mãe que chora pelos filhos. Entre o medo e a fascinação, o garoto passa a enxergar nas mulheres ao redor — a mãe distante (Julia Stockler) e a empregada venezuelana Carmen (Samantha Castillo) — dores tão profundas quanto as lendas antigas.
Filmado com fotografia quente e diálogos sussurrados, o longa mistura realismo social a elementos fantásticos. O resultado é um conto sobre pertencimento e perda que dialoga com sucessos recentes do streaming listados em matérias como estreias do Disney+ que chegaram esta semana.
Amém, Família!
Fechando a lista, Julio Román entrega comédia religiosa mexicana que acompanha pais e filhos encarregados de administrar uma igreja evangélica de bairro. Entre cultos animados, dívidas e fiéis excêntricos, a produção levanta dilemas sobre fé, negócios e aceitação sem nunca perder o tom de pastelão.
O humor físico — correria nos corredores, trocas de identidade e confusões com visitas inesperadas — homenageia clássicos latinos como “Nós, os Pobres”, mas com ritmo contemporâneo. A ideia é conquistar tanto o público cristão quanto quem quer apenas relaxar com um feel-good movie depois de maratonar títulos mais pesados recomendados pelo portal 365Filmes.
Com variedade de estilos e temas, as estreias de 9 de abril indicam que a temporada cinematográfica começou a esquentar de vez. Agora é escolher o ingresso, dividir a pipoca e descobrir qual dessas histórias vai render conversa na saída do cinema.
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