365Filmes
Cinema

Do terror mascarado à conspiração sobre JK: 8 estreias de cinema em 9/4 que podem virar assunto do fim de semana

Se não sabe o que ver nos cinemas, essa lista vai ajudar.

Por Matheus Amorim6 Minutos de leitura
Os Estranhos: Capítulo Final está nos cinemas
Imagem: Divulgação

As salas de cinema recebem, nesta quinta-feira (9), um cardápio variado que vai do horror visceral à investigação histórica sobre os bastidores do poder. São produções que dialogam com o noticiário, resgatam lendas populares e fecham trilogias aguardadas pelos fãs.

Ao todo, oito longas chegam às telonas brasileiras. Ainda que cada um mire um público específico, todos apostam em tramas intensas — um prato cheio para quem busca renovar a maratona fora do streaming e, quem sabe, encontrar o próximo hit que figurará em listas como 7 filmes que explodiram hoje no Top Global da Netflix.

Terror e política: as apostas globais

Os Estranhos: Capítulo Final

Dirigido por Renny Harlin, o último episódio da trilogia de reboot leva a sobrevivente Maya (Madelaine Petsch) ao limite do suportável. Após dois filmes fugindo de assassinos mascarados, ela se vê forçada a encarar o inimigo principal, que deseja transformá-la numa integrante do próprio bando.

O roteiro eleva o jogo de gato e rato ao explorar o trauma acumulado da protagonista, enquanto a fotografia claustrofóbica mantém o espectador sufocado.

Harlin, veterano em ação e suspense, usa cortes secos e som ambiente opressor para entregar um capítulo que caminha entre a nostalgia do slasher clássico e o terror psicológico contemporâneo. A expectativa é que o longa encerre a saga com mais camadas emocionais do que simples sustos, algo que a crítica internacional já elogiou nas primeiras exibições-teste.

A Assistente de Necrotério

Baseado no game homônimo que fez sucesso em lives de gameplay, o terror de Jeremiah Kipp transforma o River Fields em ringue sobrenatural. Willa Holland vive Rebecca Owens, aprendiz em tanatopraxia cujo plantão noturno vira pesadelo quando os mortos retornam possuídos.

A transposição da mecânica interativa para a linguagem cinematográfica aposta em efeitos práticos, cheiros de formol e um design de som que literalmente faz as gavetas de aço tremerem.

Para além do susto fácil, o longa discute a solidão dessas profissões invisíveis e a tensão de enfrentar o desconhecido sem possibilidade de fuga. Gamers curiosos sobre a fidelidade ao material original encontram easter eggs discretos, enquanto novatos no universo podem desfrutar de um terror autossuficiente.

O Mago do Kremlin

Em suspense dirigido por Olivier Assayas, Paul Dano interpreta Vadim Baranov, cineasta que aceita moldar a imagem pública de Vladimir Putin (Jude Law) após o colapso soviético. A trama acompanha a transformação do Palácio do Kremlin em palanque midiático, revelando como a desinformação se tornou arma política de longo alcance.

Assayas, conhecido por , mistura estética documental e diálogos ácidos, criando um thriller quase jornalístico. Entre bastidores de eleições e crises internacionais, o filme questiona até que ponto a construção de um mito justifica a erosão moral de quem o projeta. Críticos europeus apontam semelhanças com “A Rede de Intrigas” e destacam a química tensa entre Dano e Law.

Retalhos de Saudade

Jim Jarmusch retorna com um drama-comédia em três atos sobre luto e reconciliação. De uma fazenda no interior dos EUA a um apartamento parisiense, as histórias exploram relações familiares paralisadas pela distância emocional.

O elenco estelar — Mayim Bialik, Adam Driver, Vicky Krieps, Cate Blanchett e Charlotte Rampling — traz performances contidas, típicas do cineasta.

Com humor melancólico e vinhetas poéticas, Jarmusch observa como gestos simples — um café na varanda, um LP antigo rodando — podem reabrir feridas e, simultaneamente, pavimentar o caminho da cura.

O longa figura em premiações de roteiro e deve agradar quem se identifica com dramas intimistas como “Paterson”.

Olhar nacional: dramas, ação e fé latino-americana

Dossiê 1976

André Sturm transforma as mortes de Juscelino Kubitschek e João Goulart em thriller investigativo. Mel Lisboa vive Silvana, jornalista que, ao lado do colega interpretado por Dan Stulbach, vasculha arquivos secretos e corre atrás de testemunhas silenciadas. A narrativa costura documentos reais a passagens ficcionais, lembrando o impacto de títulos como “Z” e “Todos os Homens do Presidente”.

O filme provoca reflexões sobre revisionismo histórico e o preço de desafiar versões oficiais, assunto que ressoa em tempos de debates acalorados sobre democracia. Festivais nacionais destacaram a montagem frenética e a recriação de época minuciosa.

Cinco Tipos de Medo

Vencedor do Festival de Gramado, o thriller de Bruno Bini mergulha no triângulo explosivo entre o músico Murilo (João Vitor Silva), a enfermeira Marlene (Bella Campos) e o traficante Sapinho (Xamã).

Ambientado em Cuiabá, o longa combina ação urbana e crítica social, mostrando o poder opressivo do crime organizado sobre comunidades inteiras.

Bini utiliza a paisagem calorenta do Centro-Oeste para amplificar a tensão: becos estreitos, casas sem reboco e vielas iluminadas por luz de poste viram um tabuleiro imprevisível.

A trilha sonora, que mescla rap, sertanejo e silêncio mortal, reflete os contrastes de um Brasil realista que raramente chega ao cinema comercial.

O Pranto do Fantasma

No drama mágico de George Walker Torres, o pequeno Miguel (Zayan Medeiros) encontra ecos do folclore latino-americano ao ouvir histórias sobre uma mãe que chora pelos filhos. Entre o medo e a fascinação, o garoto passa a enxergar nas mulheres ao redor — a mãe distante (Julia Stockler) e a empregada venezuelana Carmen (Samantha Castillo) — dores tão profundas quanto as lendas antigas.

Filmado com fotografia quente e diálogos sussurrados, o longa mistura realismo social a elementos fantásticos. O resultado é um conto sobre pertencimento e perda que dialoga com sucessos recentes do streaming listados em matérias como estreias do Disney+ que chegaram esta semana.

Amém, Família!

Fechando a lista, Julio Román entrega comédia religiosa mexicana que acompanha pais e filhos encarregados de administrar uma igreja evangélica de bairro. Entre cultos animados, dívidas e fiéis excêntricos, a produção levanta dilemas sobre fé, negócios e aceitação sem nunca perder o tom de pastelão.

O humor físico — correria nos corredores, trocas de identidade e confusões com visitas inesperadas — homenageia clássicos latinos como “Nós, os Pobres”, mas com ritmo contemporâneo. A ideia é conquistar tanto o público cristão quanto quem quer apenas relaxar com um feel-good movie depois de maratonar títulos mais pesados recomendados pelo portal 365Filmes.

Com variedade de estilos e temas, as estreias de 9 de abril indicam que a temporada cinematográfica começou a esquentar de vez. Agora é escolher o ingresso, dividir a pipoca e descobrir qual dessas histórias vai render conversa na saída do cinema.

Matheus Amorim

Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes. Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

Mais artigos