Justiça Artificial chegou aos cinemas brasileiro em 25 de janeiro de 2026 oferecendo um combo apetitoso de ação acelerada e inquietação tecnológica. Dirigido por Toa Fraser, o longa coloca Chris Pratt na pele de um detetive caçado por uma Inteligência Artificial que promete acabar com falhas humanas no Judiciário.
O filme, de 1h45, prende o espectador desde a primeira sirene ao acenar para temores bem atuais: algoritmos que julgam vidas e inocência condicionada ao tempo de bateria de um tablet. Ainda assim, a obra tropeça quando tenta explicar a própria mecânica com diagramas demais e reflexão de menos.
Um julgamento contra o relógio
No futuro próximo retratado por Justiça Artificial, réus precisam provar inocência em poucas horas antes de a IA “Athena” emitir sentença inapelável. A perseguição se espalha por arranha-céus, túneis e escritórios envidraçados, sempre com drones no teto e monitores exibindo relatórios em tempo real. Esse relógio dramático funciona: cada nova pista empurra o protagonista a lugares mais claustrofóbicos, enquanto a trilha de James Newton Howard martela a urgência.
A narrativa evoca corridas contra o tempo vistas em franquias como Jason Bourne, mas tempera o percurso com dilemas parecidos aos de Minority Report: e se a rapidez sacrificar o contraditório? Quando a IA justifica decisões com fórmulas probabilísticas, o roteiro cutuca o medo de quem já teve crédito negado por um score impessoal.
Chris Pratt assume papel de escudo e alvo
Chris Pratt abandonou o herói piadista de Guardiões da Galáxia para encarnar um policial exausto que sobrevive na base do improviso. A câmera frequentemente gruda em seu rosto suado, reforçando o estado de alerta permanente. Pratt responde com respirações curtas e olhar paranoico, compondo um sobrevivente mais estratégico que espirituoso.
A química com Kali Reis, que interpreta a paramédica Helen, surge nos poucos respiros dramáticos. Ela injeta firmeza e cria contraponto emocional sem cair em romance convencional. Mesmo relegada a arco secundário, Reis injeta credibilidade semelhante à de Olivia Colman em Wicker ao sustentar a tensão apenas com postura corporal. Pena que o roteiro a deixe à margem quando a ação engrena.
Direção de ritmo frenético e estética claustrofóbica
Toa Fraser filma corredores estreitos e escritórios espelhados como se fossem labirintos, intensificando o senso de vigilância. Cada corte dura pouco, mantendo o pulso acelerado. Quando a narrativa invade avenidas futuristas, o diretor usa iluminação de néon para pintar um mundo bonito, mas intimidante — há redução de cores nos momentos em que a IA domina a tela, sublinhando o controle algorítmico.
Imagem: Imagem: Divulgação
As melhores sequências surgem nas perseguições em escadas de serviço, onde drones táticos piscam luz vermelha e sirenes abafam diálogos. A montagem encadeia esses fragmentos sem respiro, lembrando o efeito que The Wrecking Crew alcança ao apostar em adrenalina contínua. Fraser, contudo, preferiu priorizar a tensão física a debates filosóficos, decisão que sustenta o ritmo, mas reduz fôlego reflexivo.
Roteiro vacila ao simplificar dilemas complexos
Escrito por John Rogers e Mylène Ferrand, o script abraça diálogos expositivos que sublinham regras já entendidas pelo espectador. Quando um perito tenta decodificar a IA em tempo real, a sequência pausa a perseguição para explicar protocolos que poderiam ficar subentendidos — momento que drena parte da eletricidade.
Os coadjuvantes, embora interpretados por nomes competentes como Holt McCallany e Indira Varma, entram e saem apenas para empurrar o protagonista à próxima porta giratória. Falta-lhes textura, algo que dramas como O Último Azul conseguem ao explorar conflitos internos do elenco. Aqui, as motivações surgem em frases rápidas, sem tempo para fricção humana.
O próprio cerne — uma Justiça automatizada — carece de camadas mais densas. Discussões éticas aparecem em manchetes de TV ao fundo, mas raramente se infiltram nos diálogos principais. Quem busca provocação filosófica no estilo Black Mirror pode sentir falta de um mergulho maior no abismo moral.
Vale o ingresso?
Justiça Artificial mantém tensão constante, oferece perseguições bem coreografadas e celebra Chris Pratt em modo sobrevivência. A direção segura evita que as explicações prolongadas derrubem o suspense, mas o roteiro deixa lacunas ao tratar a Inteligência Artificial de maneira quase didática. Se o objetivo for um thriller dinâmico com pitada de ficção científica, o filme cumpre a missão — ainda que não conquiste profundidade no debate sobre tecnologia e poder. Para o leitor do 365 Filmes, vale conferir na telona e decidir se a urgência compensa as perguntas que ficam sem resposta.
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