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Crítica de Berlim e a Dama com Arminho: Spin-off de La Casa de Papel começa a mostrar desgaste

Pedro Alonso segue brilhando em Berlim e a Dama com Arminho, mas o novo roubo perde força em meio ao drama.

Por Matheus Amorim4 Minutos de leitura
Cena de Berlim e a Dama com Arminha
Imagem: Divulgação

Quando Berlim foi anunciado pela Netflix, muita gente questionou se o universo de Money Heist realmente precisava continuar. A série original já havia encerrado sua narrativa de maneira grandiosa, e transformar Andrés de Fonollosa em protagonista absoluto parecia um movimento arriscado.

Agora, com Berlim e a Dama com Arminho, essa sensação retorna ainda mais forte. A nova temporada mantém vários elementos que fizeram o personagem virar um fenômeno entre os fãs, mas também evidencia um problema difícil de ignorar: o universo de La Casa de Papel começa a mostrar sinais claros de desgaste criativo.

Pedro Alonso continua sendo o grande motivo para assistir

Existe uma verdade impossível de negar: Pedro Alonso continua hipnotizante como Berlim.

O ator mantém intacta a capacidade de transformar o personagem em alguém simultaneamente arrogante, insuportável, sedutor e melancólico. Mesmo quando o roteiro exagera no melodrama, Alonso sustenta a narrativa com uma presença absurda.

Berlim continua tratando absolutamente tudo como espetáculo emocional. O personagem fala sobre amor como quem recita poesia no meio de um assalto armado, transforma pequenos gestos em declarações grandiosas e conduz golpes criminosos como se estivesse organizando uma apresentação teatral.

Essa teatralidade sempre foi parte essencial do charme da franquia, e aqui ela continua funcionando em boa parte do tempo. O problema é que a temporada parece tão apaixonada pela personalidade de Berlim que acaba esquecendo de construir um suspense realmente forte em torno do roubo principal.

Ainda assim, é impossível negar que Pedro Alonso continua sendo o coração absoluto da série. Sem ele, dificilmente esse spin-off conseguiria manter o mesmo nível de interesse.

A série continua linda, mas o assalto perde espaço

Visualmente, Berlim e a Dama com Arminho continua extremamente sofisticada. Ambientada em Sevilha, a temporada aposta em fotografia dourada, figurinos elegantes, mansões luxuosas e uma atmosfera quase operística.

Em vários momentos, a produção parece mais interessada em funcionar como fantasia romântica estilizada do que como thriller criminal tradicional. Curiosamente, essa escolha até funciona em parte da narrativa porque combina bastante com a personalidade exagerada de Berlim.

O novo golpe gira em torno da famosa pintura “A Dama com Arminho”, de Leonardo da Vinci. Inicialmente, o roubo parece promissor, especialmente pela dinâmica entre Berlim, Damián e o restante da equipe.

Só que conforme os episódios avançam, o assalto perde espaço para romances, crises emocionais e conflitos internos.

Esse desequilíbrio acaba sendo o maior problema da temporada. Diferente de La Casa de Papel, onde os relacionamentos funcionavam como complemento da tensão principal, aqui o suspense frequentemente parece secundário dentro da própria história.

A consequência é uma narrativa menos urgente e muito mais previsível.

O spin-off começa a repetir demais a fórmula da franquia

A sensação constante é que Berlim e a Dama com Arminho tenta recriar fórmulas já conhecidas sem encontrar uma identidade realmente própria.

A temporada recicla praticamente todos os elementos clássicos da franquia:

  • o assalto impossível;
  • os romances intensos;
  • as traições internas;
  • os personagens emocionalmente instáveis;
  • os diálogos excessivamente teatrais.

O problema não é repetir estruturas conhecidas. O problema é que agora essas estruturas parecem menos surpreendentes.

Boa parte dos personagens secundários acaba funcionando quase como caricatura, existindo apenas para alimentar triângulos amorosos ou criar pequenos conflitos artificiais dentro da equipe.

Isso faz com que alguns episódios pareçam emocionalmente inchados, especialmente quando a série desacelera demais para investir em dramas românticos que nem sempre possuem o mesmo impacto que o roteiro imagina.

Cena de Berlim e a Dama com Arminha
Imagem: Divulgação

Vale a pena assistir?

Apesar dos problemas, Berlim e a Dama com Arminho continua sendo uma experiência divertida para quem gosta do universo de La Casa de Papel. A produção ainda possui carisma, visual impecável e um protagonista extremamente magnético.

Por outro lado, também fica evidente que a franquia talvez esteja começando a depender demais de sua própria fórmula. O suspense perdeu força, as reviravoltas já não possuem o mesmo impacto e o excesso de melodrama acaba cansando em alguns momentos.

Mesmo assim, Pedro Alonso continua tão bom no papel que consegue transformar cenas simples em momentos memoráveis praticamente sozinho.

Matheus Amorim

Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes. Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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