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The Wrecking Crew reúne Jason Momoa e Dave Bautista em ação energética que nem sempre aprofunda seus heróis

Por Matheus Amorim4 Minutos de leitura

Jason Momoa e Dave Bautista finalmente dividem a tela em The Wrecking Crew, produção que mistura pancadaria, piadas e clima de “policial camarada”. A dupla entrega energia de sobra, mas tropeça quando o roteiro tenta soar mais profundo do que realmente é.

Lançado diretamente no Prime Video em 28 de janeiro de 2026, o longa dá o que promete em sequências de luta bem coreografadas e humor físico, ainda que recicle muitas fórmulas. A seguir, veja como atuações, direção e texto se encaixam nessa engrenagem nostálgica.

Atuações: química sob medida e contrastes bem explorados

The Wrecking Crew aposta todas as fichas na dinâmica entre Jonny Hale (Momoa) e James Hale (Bautista). De um lado, o policial que dobra regras numa reserva indígena em Oklahoma; do outro, o disciplinado SEAL que treina recrutas no Havaí. A rivalidade instantânea rende faíscas e empurra o enredo para a frente.

Momoa desliza com carisma no papel de agente impulsivo, brincando com provocações fora de hora e piadas de gosto duvidoso. Bautista, ao contrário, economiza nos gestos e nas tiradas, funcionando como “homem sério” da dupla. Esse contraste reforça o tom clássico de comédias policiais dos anos 1980, mas não chega a inovar.

O elenco de apoio cumpre função básica. Claes Bang, como o vilão Marcus Robichaux, coloca em cena uma faceta ambígua que ensaia maior complexidade, embora o texto a explore apenas na superfície. Jacob Batalon e Morena Baccarin aparecem em papéis menores, virando alvo de piadas que soam datadas, especialmente as repetidas referências ao peso de Batalon.

Roteiro: fórmula conhecida, tensão familiar subaproveitada

Jonathan Tropper, nome por trás de séries como Banshee e Warrior, assina um script que dispara com velocidade, mas se mantém na trilha mais segura possível. O ponto de partida – irmãos distantes investigando a morte do pai – promete drama familiar, porém as arestas emocionais são aparadas com poucas linhas de diálogo.

A investigação envolve yakuza, conspiração imobiliária e críticas discretas à gentrificação no Havaí. No papel, as tramas paralelas sugerem ambição; na prática, parecem acessórios para emendar perseguições e brigas. Quando o texto tenta discutir impacto cultural, recua para o conforto do humor de “tapa nas costas”.

Também chama atenção o timing das piadas: num momento em que a comédia de ação evoluiu, insiste-se em trocadilhos sobre nacionalidade de Valentina (Baccarin) ou no velho estereótipo “bagunçado vs. certinho”. Isso derruba parte do frescor que Momoa e Bautista poderiam adicionar.

Direção: Ángel Manuel Soto entrega ação brutal e bem coreografada

Se o texto patina, a câmera de Ángel Manuel Soto mantém a adrenalina em alta. Conhecido por Blue Beetle, o diretor abraça a classificação indicativa para maiores e deixa cada soco ressoar. A fotografia clara destaca golpes e quedas, aproximando-se do realismo estilizado de John Wick sem perder o humor físico à la Jackie Chan.

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Imagem: Imagem: Divulgação

O clímax reserva um longo confronto em corredor, capturado de fora, em plano quase contínuo. A inspiração evidente no icônico duelo de Oldboy impressiona pela coreografia e pelo empenho de Bautista, ainda que repita recurso já visto em franquias como John Wick e na série Demolidor. Fica aquela sensação de déjà vu estiloso.

Outro acerto está na geografia das cenas de ação. Soto posiciona a audiência dentro dos espaços — seja numa cabana em Oklahoma ou nas ruelas havaianas — e prolonga as tomadas o bastante para o espectador entender a progressão dos movimentos. Isso mantém o ritmo rápido, sem recorrer a cortes excessivos.

Entretenimento garantido, profundidade opcional

The Wrecking Crew sabe ser barulhento, ligeiro e visualmente empolgante. Desde o primeiro embate, fica claro que a obra quer divertir o público-alvo de fitas como Máquina Mortífera, não reformular o subgênero. A falta de ousadia dramática pesa, mas não sabota totalmente o passeio.

O filme termina de forma relativamente fechada, porém deixa margem para sequência. Caso isso se confirme, há espaço para evoluir temas negligenciados nesta estreia — algo semelhante ao que acontece com produções que tentam equilibrar drama e sátira, como a recente The Gallerist, dirigida por Cathy Yan (saiba mais).

Vale a pena assistir a The Wrecking Crew?

Para quem busca pancadaria estilosa, humor descompromissado e a curiosidade de ver Jason Momoa e Dave Bautista juntos, The Wrecking Crew cumpre o serviço. O filme fica aquém quando tenta mergulhar nos traumas dos irmãos ou comentar tensões sociais, mas compensa com química dos protagonistas e direção vigorosa.

Aos leitores do 365 Filmes que apreciam uma aventura policial sem frescuras, a produção entrega duas horas de escapismo eficiente, mesmo repetindo piadas que poderiam ter ficado nos anos 1990. Se a sequência vier, o material base oferece fundação sólida para lapidar personagens — e, quem sabe, atualizar o humor.

Matheus Amorim

Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes. Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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