Rota de Fuga 2: Hades, lançado em 2018, voltou ao catálogo da Netflix e rapidamente entrou no Top 10 da plataforma, impulsionado principalmente pelo apelo nostálgico de Sylvester Stallone e pelo interesse de quem busca uma sessão direta de ação e pancadaria. No entanto, apesar da boa posição entre os mais assistidos, o filme está longe de repetir o impacto do primeiro capítulo da franquia.
Se o longa original funcionava muito mais pela reunião entre Stallone e Arnold Schwarzenegger do que pela trama em si, a sequência comete justamente o erro de abandonar esse principal atrativo e apostar em uma expansão pouco inspirada, com roteiro fraco, personagens sem carisma e ação confusa. Antes de se aprofundar na crítica, confira o trailer:
O filme transforma Stallone em coadjuvante da própria franquia
A trama mostra Ray Breslin anos após escapar da prisão conhecida como A Tumba. Agora, ele precisa voltar à ativa quando um dos integrantes de sua equipe é sequestrado e levado para Hades, uma nova prisão de segurança máxima que promete ser ainda mais impenetrável. A premissa parece repetir a estrutura do primeiro longa, mas o problema não está na repetição, e sim na falta de reinvenção.
O roteiro de Miles Chapman escolhe reduzir o protagonismo de Breslin, transformando Stallone quase em uma figura de mentor. Em vez de liderar a ação como antes, ele observa grande parte da narrativa de fora, enquanto personagens menos interessantes tentam assumir o centro da trama sem o mesmo peso dramático.
Essa decisão enfraquece imediatamente o filme, porque retira justamente seu principal atrativo: a presença de Stallone como força narrativa.
A nova prisão deveria ser o grande diferencial visual e dramático da sequência, mas Hades é um dos elementos mais frustrantes do filme. O espaço não possui identidade própria, não gera tensão real e falha em criar a sensação de perigo que o conceito exige.
O ambiente parece genérico, sem criatividade e sem qualquer inteligência estratégica que torne o jogo de fuga interessante.
As cenas dentro da prisão se repetem com frequência e rapidamente se tornam cansativas. O filme aposta em confrontos físicos constantes, mas sem progressão dramática. A narrativa entra em um ciclo de brigas, perseguições e diálogos fracos que não constroem urgência nem suspense. Ao longo de 1h30, a sensação é de desgaste, e não de escalada narrativa.
Dave Bautista surge como acerto, mas também é desperdiçado
Entre os poucos pontos positivos está a presença de Dave Bautista como Trent DeRosa. Sua entrada claramente tenta ocupar o espaço deixado por Schwarzenegger, trazendo presença física, carisma e um tipo de energia que combina com esse universo mais bruto da franquia.
Nos poucos momentos em que divide cena com Stallone, o filme finalmente parece encontrar algum propósito. Há ali uma dinâmica que poderia sustentar toda a continuação, principalmente porque ambos funcionam bem dentro dessa lógica mais clássica do cinema de ação, com frases de efeito, tensão direta e confrontos físicos.
O problema é que Bautista aparece pouco e tarde demais. Quando finalmente entra em cena, a narrativa já está desgastada demais para ser salva.
A direção de Steven C. Miller também contribui para o fracasso da experiência. Em vez de valorizar a ação com clareza visual, o filme aposta em câmera excessivamente agitada e uma montagem acelerada demais, dificultando até a compreensão dos combates.
Esse excesso de movimento não transmite intensidade, mas confusão. Em vários momentos, o espectador não acompanha exatamente o que está acontecendo, o que enfraquece justamente o principal gênero que o filme tenta vender. Quando nem a pancadaria convence, sobra muito pouco para sustentar o restante.
Veredito: uma continuação que não precisava existir
Curiosamente, os melhores momentos surgem quando o longa abandona qualquer pretensão de sofisticação e abraça o exagero cafona típico dos filmes de ação dos anos 80 e 90. Algumas falas absurdas e interações entre Stallone e Bautista resgatam esse espírito mais simples, onde o objetivo era apenas construir a próxima grande luta.
Esses pequenos momentos até funcionam, mas são insuficientes para sustentar uma produção inteira. O restante do elenco pouco ajuda, os coadjuvantes são irrelevantes e o filme parece constantemente preso a uma tentativa frustrada de parecer maior do que realmente é.
Rota de Fuga 2: Hades representa exatamente o tipo de sequência que existe apenas porque a franquia ainda possui algum valor comercial. Sem Schwarzenegger, com Stallone subaproveitado e um roteiro incapaz de oferecer novidade, o filme se arrasta em uma narrativa sem identidade e sem impacto real.
Nem mesmo o próprio Stallone escondeu a decepção ao afirmar publicamente que o longa foi “pior do que horrível”. A frase parece dura, mas faz sentido quando se observa o resultado final: uma continuação que ignora o melhor do original e entrega apenas ação genérica com pouca inspiração.
O espectador que procura nostalgia até encontra alguns flashes dela, mas isso está longe de ser suficiente para justificar a experiência.
Rota de Fuga 2 desperdiça Stallone, enfraquece a franquia e entrega uma sequência genérica sem o charme do filme original.
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