Uma mãe chinesa cruzando meio mundo para cuidar da filha em coma. Um urso imaginário num beco gelado de Winnipeg. E um perfil de namoro criado às escondidas. Esses são os ingredientes de “The Mother and the Bear”, novo longa de Johnny Ma que chega aos cinemas norte-americanos em 2 de janeiro e ao Canadá em 9 de janeiro.
Exibido pela primeira vez no Festival de Toronto em 2024, o filme abre oficialmente a programação de 2026 com uma história simples, mas carregada de afeto. Ao acompanhar a jornada de Sara, mãe que tenta assumir o controle da vida amorosa da filha, Ma entrega uma comédia leve, perfeita para quem procura esperança na virada do ano.
Trama gira em torno de uma mãe superprotetora
Interpretada por Kim Ho-jung, Sara vive sozinha na China desde a morte do marido. A personagem transforma sua dedicação materna em dependência emocional, ligando e deixando recados sem parar para a filha Sumi, que agora mora em Winnipeg.
Quando Sumi (Leere Park) desmaia após ouvir o rugido que parece de um urso num beco, a jovem é colocada em coma induzido como medida de segurança. O susto confirma a convicção de Sara: se a filha tivesse um marido, nada disso teria acontecido. A partir daí, a protagonista decide que vai arrumar “o homem certo” para Sumi — com ou sem consentimento.
Decisão questionável movimenta a comédia
Enquanto cuida do apartamento recém-alugado da filha, Sara descobre detalhes da vida de Sumi sem qualquer ajuda direta. Ela conhece colegas de trabalho, observa o impacto que a professora de piano tem nas crianças e, ainda abalada, cria um perfil de namoro em nome da filha. A ideia de se passar por Sumi e atrair um pretendente coreano rende momentos de humor e tensão moral.
Romance paralelo com dono de restaurante coreano
Durante as andanças pela vizinhança gelada, Sara encontra Sam (Lee Won-jae), chef e proprietário do restaurante Seoul Kitchen. Ele também é viúvo, divide a obsessão por kimchi perfeito e sofre com o filho que se recusa a namorar “a pessoa certa” segundo os padrões coreanos.
Essa conexão imediata cria um segundo arco romântico: enquanto banca cupido para a filha, Sara acaba redescobrindo a própria capacidade de se apaixonar. As conversas entre ela e Sam são algumas das passagens mais cativantes do filme.
Rede de coincidências reforça tema da diáspora
A narrativa costura situações improváveis, como o fato de o filho de Sam namorar justamente a médica de Sumi. Johnny Ma usa essa teia de encontros para ilustrar o quão interligada pode ser a comunidade asiática em cidades de imigração, ainda que o efeito pareça inverossímil em alguns momentos.

Imagem: Imagem: Divulgação
Atuação de Kim Ho-jung sustenta o tom emotivo
Ho-jung entrega uma mãe carente, controladora e, ao mesmo tempo, irresistivelmente carinhosa. A atriz estabelece logo nas primeiras cenas o nível de emoção que permeia o longa, garantindo equilíbrio entre drama e humor.
Algumas piadas, porém, soam batidas — como a confusão entre vibrador e massageador — e enfraquecem o frescor da história. Mesmo assim, a química entre Sara e Sam, reforçada pela trilha ligeiramente excêntrica de Marie-Hélène Leclerc-Delorme, mantém o ritmo agradável.
Detalhes de produção e lançamento
“The Mother and the Bear” tem 11 minutos de duração, enquadrando-se como obra curta, embora traga desenvolvimento emocional típico de longas tradicionais. A direção e o roteiro são assinados por Johnny Ma, com produção de Amal Ramsis.
Além de Kim Ho-jung e Lee Won-jae, o elenco conta com Leere Park (Sumi), Amara Pedroso (Amaya) e Samantha Kendrick (Dr. Jennie). O filme estreia nos Estados Unidos em 2 de janeiro e chega ao circuito canadense em 9 de janeiro, coincidindo com a aproximação do Ano-Novo Lunar em fevereiro.
Porque vale colocar na lista de 2026
Para o leitor do 365 Filmes, “The Mother and the Bear” surge como aposta certeira para quem busca histórias de família, choque cultural e descobertas tardias. Johnny Ma constrói um relato reconfortante, onde previsibilidade vira vantagem: o espectador quer justamente esse conforto.
Com humor discreto, fotografia de ruas cobertas de neve e uma protagonista fora de sua zona de conforto, o curta reforça a ideia de que nunca é tarde para recomeçar — nem para mães nem para anos-novos. Se você procura um primeiro filme do ano que aqueça o coração sem exigir muito, esta produção entrega exatamente isso.
