O subgênero zumbi acaba de ganhar um respiro criativo com “We Bury the Dead”, novo longa de Zak Hilditch. O filme, que já exibe uma avaliação sólida no Rotten Tomatoes, tem dividido opiniões, mas conquistou espaço ao apresentar morto-vivos bem diferentes do padrão.
Entre tantos elementos macabros, um detalhe tem saído do cinema grudado na memória (e nos ouvidos) do público: o som grotesco dos dentes dos zumbis sendo triturados até se partirem, recurso que se tornou a marca sonora da produção.
Origem dos zumbis e contexto da trama
A história se passa na Tasmânia, onde um disparo acidental de uma arma experimental extermina quase toda forma de vida em uma área isolada. Dias depois, alguns mortos começam a “voltar”, mas com funções cerebrais mínimas e zero traço de humanidade.
Nesse cenário, acompanhamos Ava, interpretada por Daisy Ridley, em uma jornada rumo ao sul do estado em busca do marido desaparecido. No caminho, ela confronta essas criaturas que, apesar de se moverem, parecem presas a um impulso animalesco: ranger os dentes sem parar.
O papel de Daisy Ridley
Longe do sabre de luz que a tornou mundialmente famosa, Ridley entrega uma atuação contida, guiada pela dor da perda. Sua performance contrasta com a brutalidade dos zumbis, realçando ainda mais a estranheza do som de dentes quebrados que pontua as cenas de tensão.
O som perturbador de “We Bury the Dead”
O diretor optou por destacar o terror não pela quantidade de aparições, mas pela qualidade do impacto. Cada vez que uma criatura surge, o rangido de dentes podres esfregando uns nos outros — e se partindo — domina o áudio. O resultado é um efeito visceral que arranca expressões de nojo e fascínio do público.
Esse barulho desconfortável lembra outros marcos do cinema de horror, como o assobio metálico do xenomorfo em “Alien” ou o clique do Predador. Aqui, porém, a repulsa é palpável: não é um som alienígena ou demoníaco, mas algo humano levado ao extremo da deterioração.
Como o efeito foi criado
Detalhes técnicos não foram revelados, mas a equipe de som combinou gravações de ossos quebrando com fricção de porcelana para formar o “crack” final. A intenção era simular dentes sem gengiva raspando até virarem pó, e pelo visto funcionou: a maioria dos relatos de quem saiu da sessão menciona náusea ou arrepio imediato.
Repercussão crítica e desempenho em bilheteria
“We Bury the Dead” estreou em 2 de janeiro de 2026 com classificação indicativa MA 15+ e 95 minutos de duração. Em sua primeira semana, entrou em cartaz na maior parte dos grandes cinemas, surpreendendo ao atrair público curioso pelo fator novidade.
No Rotten Tomatoes, o título mantém porcentagem expressiva de aprovação, reforçando a ideia de que existe espaço para inovação dentro de um gênero já bastante explorado. Alguns críticos elogiam justamente a decisão de mostrar poucos zumbis, tornando cada aparição memorável.
Comparações inevitáveis
Enquanto clássicos modernos como “Extermínio” exploram velocidade, e “The Last of Us” aposta na estética fúngica, Hilditch introduz a degradação dentária como assinatura. A brutalidade daquele estalo de esmalte rachando traz um desconforto diferente, mais tátil, quase audível nos maxilares dos espectadores.
Ficha técnica essencial
Título original: We Bury the Dead
Imagem: Imagem: Divulgação
Direção e roteiro: Zak Hilditch
Elenco principal: Daisy Ridley (Ava) e Mark Coles Smith (Riley)
Gênero: Terror / Thriller
Duração: 95 minutos
Lançamento: 2 de janeiro de 2026
Produção e bastidores
O filme conta com produção de Grant Sputore, Ross M. Dinerstein, Mark Fasano, Kelvin Munro e Joshua Harris. Hilditch, conhecido por “1922”, assina seu oitavo longa, desta vez apostando em orçamentos contidos e uma forte ênfase na ambientação sonora.
Por que o som dos dentes faz tanto sucesso
Especialistas em design de áudio apontam que ruídos ligados ao corpo humano geram repulsa quase instintiva. O cérebro associa a quebra de dentes a dor imediata, criando empatia e desconforto de forma automática. Assim, “We Bury the Dead” acerta ao transformar essa reação visceral em arma de suspense.
Para o site 365 Filmes, o longa exemplifica como um elemento aparentemente simples pode renovar um conceito já explorado à exaustão. Ao limitar o uso dos zumbis e destacar cada ruído, Hilditch transforma o silêncio e o som em protagonistas paralelos.
Vale a pena conferir no cinema?
Com pouco mais de hora e meia de duração, o filme oferece ritmo constante e sem enrolação. Quem busca sustos diferenciados deve encontrar no estalo de dentes quebrados uma experiência auditiva única, algo que dificilmente replicará assistindo em casa, longe do sistema de som de uma sala escura.
Onde assistir
“We Bury the Dead” permanece em cartaz na maioria dos complexos de cinema do país. Ingressos podem ser encontrados nos sites oficiais das redes e em bilheterias físicas. Como a exibição é limitada, a recomendação é checar horários com antecedência.
