Vince Gilligan volta aos holofotes com Pluribus, produção que estreia em 2025 no Apple TV+ e marca seu primeiro trabalho após o encerramento do universo Breaking Bad. A disputa pelo título foi grande entre serviços de streaming e, por isso, as expectativas estavam nas alturas.
A nova atração — estilizada como Plur1bus — mistura comédia sombria, drama psicológico e pitadas de ficção científica. Nos três capítulos liberados para a imprensa, porém, a coleção de boas ideias ainda não se converteu em uma narrativa envolvente.
Premissa ousada esbarra em ritmo lento
Na trama, Carol (Rhea Seehorn) é apresentada como “a pessoa mais infeliz do planeta”. Sua rotina caótica contrasta com um mundo que parece marchar rumo à felicidade compulsória — e, segundo a premissa, ela será peça-chave para impedir esse excesso de positividade.
Os episódios iniciais repetem a fórmula de exibir o desespero da protagonista, reforçar o surrealismo da situação e mergulhar em seu desconforto emocional. O problema é a falta de progressão: a sensação é de assistir à mesma história com mínimas variações, sem um ponto de virada que impulsione o enredo.
Gilligan já transformou pequenos detalhes em explosões dramáticas em Breaking Bad, mas aqui o “pequeno” continua pequeno. A ausência de urgência gera um efeito de estagnação que dificulta o engajamento, mesmo com ideias interessantes sobre a tirania da felicidade.
Rhea Seehorn domina a tela
Após brilhar como Kim Wexler, Seehorn entrega mais um desempenho preciso, transitando entre fragilidade, ironia e desespero. Ainda assim, o roteiro oferece pouco além de um único estado emocional, limitando o espaço para nuances. Karolina Wydra e Miriam Shor também mostram potencial, mas permanecem confinadas a situações que não evoluem.
Parte técnica impecável contrasta com narrativa hesitante
Se a história tropeça, a execução visual é primorosa. A fotografia utiliza contraste marcado entre tons melancólicos e cenas ligeiramente deslocadas da realidade, realçando o clima de estranhamento. A direção mantém firmeza estilística, construindo uma atmosfera que se alinha ao conceito de uma comédia dramática de teor existencial.
Imagem: Divulgação
O design de produção, aliado à trilha minimalista, cria um universo que parece familiar e, ao mesmo tempo, um passo além do cotidiano. Porém, estética e clima não bastam quando o roteiro demora a mostrar para onde quer levar o espectador.
Nesse sentido, Pluribus lembra os tropeços anteriores de Gilligan — Battle Creek foi cancelada após 13 episódios, The Lone Gunmen não decolou e AMPED nem saiu do piloto. A nova série pode até encontrar o tom mais adiante, mas os capítulos de estreia ficam aquém da expectativa criada pelo histórico do showrunner.
Na avaliação do portal TaNoStreaming, a produção recebeu nota 6,0. É um indicativo de que, embora existam méritos, o conjunto ainda precisa avançar. Para o público do 365 Filmes, vale acompanhar os próximos episódios com cautela: a mistura de gêneros é atraente, o elenco é forte, mas o ritmo terá de acelerar para justificar o hype.
Pluribus — ou Plur1bus, como aparece no material promocional — tem roteiro de Vince Gilligan e direção dividida entre o criador e cineastas convidados pela Apple. Classificada como comédia dramática de ficção científica, a produção é exclusiva do Apple TV+ e chega ao Brasil em 2025.
Ficha técnica resumida: título original Pluribus; gênero comédia, drama, ficção científica; elenco principal Rhea Seehorn, Karolina Wydra e Miriam Shor; país de origem Estados Unidos; plataforma Apple TV+; lançamento 2025.
