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Palestine 36 traz épico anti-colonial grandioso e atual

Por Matheus Amorim4 Minutos de leitura

“Palestine 36” chega aos festivais como um épico histórico que, mesmo ambientado nos anos 1930, dialoga diretamente com o cenário geopolítico de hoje. Dirigido pela cineasta palestina Annemarie Jacir, o longa reconstrói a maior e mais longa revolta contra o Mandato Britânico na região, colocando em xeque narrativas recentes sobre o conflito.

Produzido antes dos eventos de 7 de outubro, o filme ganhou nova camada de significado ao evidenciar como o poder colonial britânico manipulou comunidades oprimidas para benefício próprio. Com visual de super-produção hollywoodiana, a obra alia entretenimento de grande escala a uma perspectiva nitidamente anti-colonial.

A trama de Palestine 36

No centro da narrativa está Yusuf (Karim Daoud Anaya), jovem motorista que alterna entre a vida simples na aldeia dos pais e a efervescência de uma Jerusalém em rápida urbanização. Ele trabalha para Amir (Dhafer L’Abidine), político local que navega pelos bastidores do mandato britânico.

Ao redor de Yusuf orbitam outros personagens que ilustram o mosaico social da Palestina nos anos 1930. Khouloud (Yasmine Al Massri), jornalista combativa e esposa de Amir, denuncia os privilégios concedidos a imigrantes judeus. Khalid (Saleh Bakri), estivador explorado nos portos, abraça a luta armada após sucessivas injustiças econômicas. Já Hanan (Hiam Abbass) tenta preservar a paz familiar enquanto vê os netos serem levados.

Britânicos em cena e tensão crescente

Os representantes britânicos reforçam o recorte colonial. Thomas (Billy Howle), diplomata bem-intencionado, acredita em solução pacífica via canais oficiais e arrisca a carreira vazando documentos para Khouloud. O Alto Comissário Wauchope (Jeremy Irons) professa neutralidade, mas favorece assentamentos sionistas.

O roteiro inclui ainda Charles Tegart (Liam Cunningham), primeiro a propor um muro contra “os animais” — referência direta ao controle militar do território. As posições variadas, tanto de palestinos quanto de britânicos, formam um painel complexo de conflitos internos e interesses cruzados.

Estilo épico com pesquisa histórica

Jacir recorre a imagens de arquivo restauradas e colorizadas para contestar narrativas que descrevem a Palestina pré-1948 como terra vazia. Referências a protestos liderados por mulheres em 1929, à criação do Palestine Broadcasting Service e à Comissão Peel pontuam a cronologia.

A diretora reconhece a amplitude dos eventos, mas opta por ritmo dinâmico: algumas viradas dramáticas acontecem rapidamente, reforçando o pulso político do longa. Mesmo assim, a combinação de fotografia detalhista, figurinos de época e trilha orquestral cria atmosfera de super-produção, algo raro em filmes abertamente anti-coloniais.

Evolução dos personagens e mensagem final

Ao longo de 140 minutos, Yusuf abandona o olhar ingênuo para tornar-se insurgente convicto. Khouloud e Amir divergem sobre negociar com o sionismo, enquanto Khalid radicaliza após sucessivas frustrações trabalhistas. Cada mudança reflete o colapso gradual da crença em boas-intenções britânicas.

O filme termina com os protagonistas em movimento, simbolizando tanto o deslocamento forçado que se aproximava quanto a determinação de permanecer na terra natal. A ausência de desfecho fechado reforça a permanência da luta — leitura que reverbera nos debates contemporâneos.

Elenco carismático e recepção em festivais

Estreante em longas, Karim Daoud Anaya impressiona com vulnerabilidade e presença de estrela, apoiado por nomes veteranos como Hiam Abbass. A química do elenco contribui para humanizar fatos históricos áridos.

Apresentado no AFI Fest 2025, “Palestine 36” surpreendeu plateias que desconheciam o período colonial britânico. Durante sessão de perguntas, Jacir relatou espanto ao perceber quantos espectadores ignoravam essa fase crucial.

Impacto para novos públicos

Ao combinar narrativa acessível com rigor histórico, o longa encontra eco além do circuito de cinema político. No site 365 Filmes, por exemplo, leitores indicam curiosidade por histórias que escapem do olhar ocidental dominante.

Conclusão natural

Com “Palestine 36”, Annemarie Jacir entrega um drama histórico que utiliza a escala de blockbuster para recontar a maior revolta palestina contra o Império Britânico. O resultado é um retrato vibrante, que questiona versões simplificadas do passado e reforça a relevância da memória coletiva hoje.

Matheus Amorim

Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes. Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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