O que aconteceu com a filha de June Osborne? Essa é a pergunta que Os Testamentos: Das Filhas de Gilead finalmente começa a responder. A nova série do Disney+ muda o foco do universo de The Handmaid’s Tale. Sai o olhar da resistência. Entra algo mais desconfortável: o ponto de vista de quem cresceu dentro do sistema.
Ambientada quatro anos após os eventos da série original, a história acompanha Agnes, agora adolescente. Criada como filha de um Comandante, ela foi moldada desde cedo para aceitar um destino que nunca escolheu.
Agnes vive dentro das regras, porém algo começa a falhar
Desde o primeiro episódio, fica claro que a série não quer apenas mostrar o que aconteceu com Agnes. O foco está em quem ela se tornou.
Ela vive em um ambiente onde tudo é definido por regras. Cores, comportamentos, linguagem. Cada detalhe determina seu lugar naquele mundo.
O conceito das “ameixas” deixa isso evidente. As jovens ainda não consideradas férteis já são preparadas para o papel que vão ocupar no futuro.
Agnes repete discursos, segue ordens e tenta se encaixar. Mas pequenos sinais começam a aparecer. Atitudes impulsivas, reações contidas. Algo não encaixa completamente.
Esse conflito não é explícito. Ele cresce aos poucos, mais nas ações do que nas palavras.
Daisy quebra o padrão e expõe o sistema
A chegada de Daisy muda o ritmo da história. Vinda do Canadá, ela reage de forma diferente ao ambiente. Enquanto as outras meninas já naturalizaram a violência, Daisy estranha, questiona e se recusa a aceitar tudo como normal.
O contraste entre as duas é direto. Agnes observa. Daisy reage. Esse choque fica evidente na cena da punição pública. A violência não é apenas exibida — ela é ensinada. As jovens participam, gritam, repetem o comportamento esperado.
Daisy não acompanha. E isso expõe o funcionamento do sistema. Quando Agnes decide proteger a reação dela, o gesto parece pequeno. Mas muda tudo. É a primeira ruptura real, mesmo que ainda silenciosa.
A série deixa claro um ponto importante: Gilead não se mantém apenas pelo medo. Ele se sustenta porque é aprendido e repetido.

Logo, dá para perceber que Os Testamentos não tenta repetir a estrutura da série original. O foco agora é mais psicológico. A violência continua presente, mas aparece de forma mais controlada e, por isso, mais desconfortável.
Chase Infiniti funciona bem como Agnes, equilibrando obediência e tensão interna. Ann Dowd mantém a presença forte como Tia Lydia, enquanto Daisy surge como o elemento que desestabiliza tudo.
O episódio constrói bem o clima e fecha com dois momentos que definem o rumo da história: Agnes entrando na vida adulta e Daisy mantendo um vínculo com o mundo fora de Gilead.
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