Giant, novo drama esportivo estrelado por Pierce Brosnan, chegou aos cinemas britânicos cercado de expectativa e debate. Com aprovação inicial de 67% no Rotten Tomatoes, o longa retrata a jornada do pugilista Naseem Hamed, vivido por Amir El-Masry, enquanto treina sob a tutela do excêntrico Brendan Ingle, papel que rende a Brosnan uma de suas transformações mais radicais.
Apesar dos questionamentos sobre fidelidade histórica levantados pelo próprio Hamed, a produção tem chamado atenção pela química entre seus protagonistas e pela condução segura do roteirista-diretor Rowan Athale. O 365 Filmes acompanhou as primeiras impressões da crítica e destrincha, a seguir, os pontos altos e baixos dessa cinebiografia.
A força das interpretações de Pierce Brosnan e Amir El-Masry
O maior trunfo de Giant reside no embate dramático entre mentor e pupilo. Pierce Brosnan abandona o glamour do 007 e surge irreconhecível como Brendan Ingle: sotaque carregado, postura curvada e olhar astuto. Mesmo quando o roteiro simplifica conflitos, a presença magnética do ator mantém o espectador atento a cada nuance do treinador. Brosnan equilibra dureza e sensibilidade, evitando que Ingle caia no clichê do técnico linha-dura.
Do outro lado do ringue emocional, Amir El-Masry entrega um Hamed vibrante, oscilando entre arrogância juvenil e vulnerabilidade. O ator capta a autoconfiança explosiva que marcou o verdadeiro “Prince” Naseem, mas também evidencia as inseguranças que surgem fora dos holofotes. A interação entre El-Masry e Brosnan transforma diálogos simples em duelos carregados de tensão e afeto, sustentando o ritmo do filme.
Direção de Rowan Athale: ritmo ágil e narrativa clássica de underdog
Rowan Athale, responsável pelo texto e pela direção, opta por uma estrutura tradicional de história de superação. Ele intercala treinos exaustivos, conferências de imprensa e confrontos no ringue, mantendo o “filme Giant” em constante movimento. Essa abordagem dinâmica facilita a imersão do público, ainda que, em certos trechos, sacrifique profundidade histórica.
Athale também se beneficia do trabalho de fotografia, que alterna closes suados durante os combates e planos abertos nas ruas de Sheffield, sublinhando as origens humildes de Hamed. A edição acelerada reforça o impacto visual, mas por vezes deixa pouco espaço para explorar conflitos psicológicos mais complexos. Ainda assim, o cineasta conduz o material com segurança, resultando num entretenimento competente.
Roteiro sob críticas de fidelidade: 80% de liberdade criativa
A principal controvérsia em torno do filme Giant envolve a própria figura que ele homenageia. Em entrevistas, Naseem Hamed declarou que entre 80% e 90% do enredo foge aos fatos. Segundo o ex-campeão, aposentado desde 2002, várias passagens foram embelezadas ou inventadas sem sua participação. Mesmo assim, Hamed apareceu ao lado do elenco na première britânica e demonstrou apoio ao projeto, reforçando a linha tênue entre ficção e realidade nos biopics esportivos.
Imagem: Imagem: Divulgação
No roteiro, Athale concentra-se na relação mentor-aluno e nos grandes momentos de ringue, relegando detalhes biográficos a uma colagem de acontecimentos. Essa escolha agrada quem busca emoção rápida, mas frustra espectadores interessados em precisão histórica. Para parte da crítica, o longa perde a chance de aprofundar temas como identidade cultural e a pressão midiática sobre jovens atletas.
Sylvester Stallone na produção e a comparação inevitável com Rocky
Além do apelo de Pierce Brosnan, Giant traz outro nome pesado nos créditos: Sylvester Stallone. O astro de Rocky atua como produtor executivo e, não por acaso, o longa remete ao clássico de 1976. A jornada de underdog, a preparação extenuante e os discursos motivacionais ecoam a fórmula que Stallone eternizou. A diferença está no retrato mais flamboyant de Hamed, que exibe provocações e danças antes dos combates, conferindo estilo próprio ao “filme Giant”.
Críticos elogiaram a energia dos confrontos no ringue, mas apontaram que faltam as camadas dramáticas que fizeram de Rocky um fenômeno cultural. Mesmo assim, destacam que a parceria entre Brosnan e El-Masry gera carisma suficiente para sustentar 104 minutos de projeção, garantindo ao filme a boa nota inicial no Rotten Tomatoes.
Vale a pena assistir?
Para quem busca adrenalina e grande atuação de Pierce Brosnan, Giant entrega uma sessão envolvente. O público que prioriza fidelidade histórica talvez saia com questionamentos, porém a química entre mentor e pupilo e o ritmo ágil de Rowan Athale mantêm o interesse aceso. No momento, o lançamento está restrito ao Reino Unido, sem data confirmada para chegar aos Estados Unidos.
