Quando George Lucas declarou, ainda em 1977, que 2001: Uma Odisseia no Espaço era “o filme de ficção científica definitivo”, muita gente concordou sem pestanejar. Afinal, poucas produções influenciaram tanto o gênero.
No entanto, 20 anos depois, O Quinto Elemento surgiu nas mãos de Luc Besson provando que “melhor” pode ter outro significado. O longa francês abraça o exagero, o espetáculo e o bom humor, oferecendo uma experiência oposta à austeridade de Stanley Kubrick.
George Lucas e a reverência a 2001: por que ele o considera o melhor filme de ficção científica?
Em entrevista à Rolling Stone pouco antes da estreia de Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança, Lucas confessou receio de seu épico galáctico ser comparado ao clássico de Kubrick. Para ele, 2001 reunia todos os elementos que definem o gênero: senso de mistério, ambição visual e questionamentos existenciais.
O cineasta destacou o impacto de Kubrick na construção de mundos e na forma como a obra fez o público refletir sobre a condição humana sem recorrer a diálogos óbvios. Essa abordagem silenciosa, quase contemplativa, ainda inspira realizadores que buscam profundidade filosófica nas estrelas.
Minimalismo e precisão técnica
Parte do fascínio por 2001 reside na combinação milimétrica de efeitos práticos, trilha clássica e narrativa não linear. Tudo é calculado, frio e, ao mesmo tempo, hipnótico – características que Lucas sempre admirou e procurou adaptar, à sua maneira, em Star Wars.
O Quinto Elemento desafia o trono: colorido, barulhento e cheio de coração
Dirigido por Luc Besson, roteirizado pelo próprio cineasta ao lado de Robert Mark Kamen e lançado em 9 de maio de 1997, O Quinto Elemento custou US$ 90 milhões e apostou em uma mistura explosiva de ópera espacial, ação, romance e comédia.
Bruce Willis vive Korben Dallas, um ex-militar que dirige um táxi voador em Nova York de 2263. Milla Jovovich, no papel de Leeloo, surge como a encarnação do elemento capaz de salvar ou destruir a humanidade. Gary Oldman completa o trio central interpretando Zorg, vilão que combina ganância corporativa e toques de pastelão.
Atuações que sustentam o caos criativo
Willis entrega um herói cansado, quase anti-herói, permitindo que Jovovich seja o verdadeiro núcleo emocional. A atriz intercala inocência, força física e humor – basta lembrar da cena em que Leeloo solta um improvável “dedo do meio” para reforçar sua recusa em seguir estereótipos.
Oldman, por sua vez, transforma monólogos sobre “o caos necessário” em um espetáculo à parte, apenas para ter a pompa derrubada por gags visuais segundos depois. Essa autocrítica constante é parte do charme que transforma O Quinto Elemento em candidato a melhor filme de ficção científica para quem prefere diversão sem peso metafísico.
Do real ao digital: como os efeitos dos anos 1990 impulsionaram o longa de Besson
Em 1997, a computação gráfica avançava depressa, mas ainda dependia de minucioso trabalho manual. O Quinto Elemento equilibra maquetes, explosões práticas, figurinos chamativos e CGI suficiente apenas para complementar o cenário futurista.
Esse ponto de equilíbrio cria um visual palpável: táxis voam entre arranha-céus sem parecer videogame, e os alienígenas Mangalores interagem com atores em cenários construídos em estúdio. O resultado é uma estética que, segundo muitos fãs, dificilmente seria repetida na era dos universos compartilhados dominados pelo fundo verde.
Liberdade criativa antes da febre das franquias
Besson não planejou continuações, nem alinhou seu roteiro a um calendário de estreias. Ele queria contar uma história auto-contida e, por isso, pôde ousar em tom, ritmo e figurino. Nos dias atuais, grandes estúdios evitam riscos tão altos sem a garantia de retorno serializado, o que torna O Quinto Elemento um retrato de outra fase do cinema pop.
Imagem: Imagem: Divulgação
Comparando grandezas: austeridade contra exagero
2001 prioriza silêncio, longos planos e simbolismo abstrato. O Quinto Elemento aposta em diálogos curtos, trilha tecnopop e cores vibrantes. Enquanto Kubrick convida o espectador a encontrar sentido na escuridão do espaço, Besson oferece respostas rápidas embaladas em humor e cenas de ação.
Para muitos analistas, ambos alcançam excelência, mas em caminhos opostos. Se a frase-chave “melhor filme de ficção científica” implicar profundidade filosófica, a obra de Kubrick leva vantagem. Se o critério for entretenimento puro, ambientação maximalista e personagens carismáticos, o campeão pode mudar de nome.
A força dos arquétipos em Star Wars e O Quinto Elemento
Curiosamente, as duas sagas dialogam com Star Wars, criação máxima de Lucas. Ele mesmo popularizou a fusão de jornada do herói, fantasia e sci-fi. Besson seguiu trilha semelhante: Korben é o típico guerreiro relutante, Leeloo a escolhida capaz de reescrever o destino. Esse parentesco reforça o argumento de que roteiros acessíveis, quando bem-executados, também disputam o título de melhor filme de ficção científica.
Dados de produção confirmam a ousadia de Besson
Orçamento: US$ 90 milhões
Tempo de duração: 126 minutos
Classificação indicativa: PG-13
Produtor executivo: Patrice Ledoux
Esses números, relativamente altos para a época, serviram de laboratório para integrar efeitos práticos e digitais em escala inédita. Resultado: bilheteria global robusta e estatuto de cult, ainda celebrado por comunidades como o público do site 365 Filmes.
Discussão aberta: existe um único “melhor filme de ficção científica”?
A fala de George Lucas ajudou a manter 2001 no topo de muitos rankings. Contudo, a recepção calorosa a O Quinto Elemento mostra que diversidade de estilos fortalece o gênero. Há quem prefira o silêncio de HAL 9000; outros se rendem ao carisma de Ruby Rhod, apresentador vivido por Chris Tucker no longa de Besson.
No fim, a coroação depende do que cada espectador busca numa viagem além das estrelas: reflexão filosófica ou espetáculo multicolorido. Ambos coexistem e, ao lado de Star Wars, comprovam a elasticidade da ficção científica em dialogar com públicos distintos.
Próximos capítulos do debate
Com novos lançamentos a cada ano, listas de “melhor filme de ficção científica” continuam mudando. Ainda assim, 2001 e O Quinto Elemento permanecem referências extremas de um mesmo leque, lembrando que um gênero pode ser ao mesmo tempo contemplativo e pop, sofisticado e brincalhão.
Independentemente de coroas, as duas produções incentivam futuros cineastas a explorar mundos desconhecidos, seja por meio de monólitos enigmáticos ou de táxis voadores atravessando avenidas verticais. E, enquanto houver público disposto a discutir, a disputa pelo título continuará alimentando a imaginação coletiva.
