John Wayne entrou para a história como o rosto definitivo do faroeste, mas nem todo fã lembra que, em alguns projetos, ele assumiu também o posto de diretor. Foram apenas cinco longas em meio a uma carreira de cinco décadas, suficientes para mostrar o quanto o astro era apaixonado pelo ofício – ainda que o talento atrás das câmeras não tenha acompanhado o carisma em frente a elas.
Nesta análise, revisitamos cada um desses títulos para entender como Wayne conduziu atores, ritmo e narrativa. A lista vai do esforço mais problemático até o que melhor sintetiza a intensidade que seu público tanto esperava. Em outras palavras, aqui estão os filmes dirigidos por John Wayne, ranqueados.
5. The Green Berets (1968) – quando a mensagem engole o elenco
Ao dividir a direção com Ray Kellogg, Wayne queria mais do que entretenimento: pretendia convencer o público a apoiar a Guerra do Vietnã. O resultado foi um panfleto que não dá espaço para nuances e acaba prejudicando a performance de nomes experientes, inclusive do próprio protagonista.
Há cenas de combate bem coreografadas, mas diálogos engessados retiram qualquer naturalidade. O crítico Roger Ebert resumiu o sentimento geral à época ao atribuir nota zero, chamando atenção para a falta de realismo. Hoje, a produção soa datada e deixa claro como a abordagem ideológica sufocou o potencial dramático.
4. The Alamo (1960) – o sonho caro que perdeu o foco
Único título que Wayne dirigiu sozinho, The Alamo consumiu mais de US$ 12 milhões – parte do bolso do próprio astro – para recontar a famosa batalha do Texas. No elenco, Richard Widmark e Laurence Harvey dividem a tela com o anfitrião, mas nem a potência desses nomes impede que a narrativa patine.
Wayne deixa cenas inteiras de discurso histórico se arrastarem, enfraquecendo a sensação de urgência. A superprodução impressiona pelos cenários e figurinos, porém a montagem frouxa compromete a tensão. Como documento de dedicação pessoal, vale a curiosidade; como filme, carece de ritmo.
3. Blood Alley (1955) – aventura exótica com direção improvisada
A troca de bastidores foi intensa: Robert Mitchum foi demitido por atrito com o diretor William A. Wellman, abrindo espaço para Wayne tanto estrelar quanto assumir momentaneamente a filmagem quando Wellman adoeceu. No enredo, um marinheiro americano tenta guiar 200 camponeses chineses rumo à liberdade.
A química entre Wayne e Lauren Bacall não chega a incendiar a tela, mas a atriz injeta energia suficiente para sustentar a trama. Visualmente, a fotografia brilha ao aproveitar locações costeiras e embarcações. O problema recai sobre a representação simplista da cultura asiática, que hoje pesa contra o longa. Ainda assim, a aventura mantém certo charme pulp graças às sequências de ação bem conduzidas pelo astro-diretor.

Imagem: INSTARs
2. The Comancheros (1961) – correção de rota em ritmo de faroeste
Depois do rombo financeiro de The Alamo, Wayne buscou papéis capazes de recuperar sua conta bancária. Quando o lendário Michael Curtiz ficou gravemente doente no set, coube ao protagonista completar a direção. A transição é tão fluida que muitos espectadores não percebem a troca por trás das câmeras.
The Comancheros oferece exatamente o que o fã de western clássico procura: tiroteios, humor pontual e um herói durão em conflito com a lei. Sem reinventar o gênero, o filme se sustenta na química entre Wayne e Stuart Whitman e no timing certeiro das cenas de perseguição. É, de longe, o trabalho mais redondo de Wayne até então.
1. Big Jake (1971) – violência crua e ritmo afiado
Oficialmente dirigido por George Sherman, Big Jake teve grande parte das sequências externas orquestradas por John Wayne devido à saúde frágil de Sherman. Aqui, o astro demonstra ter aprendido com erros anteriores: a montagem é enxuta, os tiroteios são secos e a jornada possui tensão crescente.
Wayne contracena com seu filho Patrick, o que adiciona camadas ao drama familiar que move a história. Os vilões, mais sádicos do que o padrão da época, fortalecem a sensação de perigo. Mesmo alguns alívios cômicos – incluídos para balancear o nível de sangue – não quebram o suspense. No fim, temos um western B robusto, com personalidade e ritmo que garantem entretenimento direto.
Vale a pena assistir aos filmes dirigidos por John Wayne?
Para quem estuda a trajetória de Hollywood ou aprecia o magnetismo de John Wayne, esses títulos funcionam como peças de um quebra-cabeça que revela suas ambições além da atuação. Entre tropeços e acertos, a evolução é visível: de um épico inchado como The Alamo até a eficiência de Big Jake. Em tempos de streaming, vale buscar essas obras e decidir qual delas realmente acerta no alvo. O 365 Filmes já escolheu seu preferido – e você?
