Vinte e oito anos depois de despertar a fúria dos zumbis em 28 Days Later, Cillian Murphy volta a dar vida a Jim em 28 Years Later: The Bone Temple. A grande surpresa é encontrar o protagonista exatamente onde o público o deixou em 2002: num chalé isolado, preparando chá e torradas para a filha enquanto relembra momentos pré-apocalipse.
O diretor Nia DaCosta, fã confessa da obra original, defende a decisão de manter Jim longe de cenas de ação barulhentas. A cineasta queria um retorno “pé no chão, humano”, em suas próprias palavras, evitando transformá-lo num herói que resolve tudo na bala. A escolha rendeu críticas positivas e colocou o longa no topo das bilheterias, desbancando Avatar: Fire and Ash.
Direção de Nia DaCosta aposta na intimidade para renovar a franquia
DaCosta, conhecida por equilibrar tensão e emoção em seus trabalhos anteriores, faz o mesmo aqui. Em vez de mergulhar o espectador numa maratona de explosões, a diretora prefere planos fechados, silêncio estratégico e diálogos curtos. Essa abordagem ressalta o clima de rotina interrompida que marcou o original de Danny Boyle, mas com um olhar contemporâneo.
O roteiro assinado por Alex Garland, veterano da franquia, colabora para esse tom minimalista. Garland planta pequenos detalhes – o modo como Jim ensina História à filha, o ranger da velha chaleira – que constroem tensão sem recorrer a sustos fáceis. A atmosfera sombria permanece, mas a trama respira, permitindo que o público observe as cicatrizes de 28 anos de caos.
Cillian Murphy reafirma a força de Jim com atuação contida
Murphy, indicado ao Oscar por Oppenheimer, troca discursos inflamados por gestos sutis. O olhar desconfiado ao escutar um ruído na mata, a respiração acelerada ao lembrar das primeiras hordas infectadas: tudo isso evidencia um trauma silencioso. O ator evita heroísmo glamouroso e se concentra em transmitir um homem que sobreviveu, mas nunca superou.
Esse minimalismo se reflete na interação com a filha – personagem inédita, cujo nome não é revelado para manter o mistério. A relação entre ambos sustenta boa parte do filme. A simplicidade das cenas, como a preparação do café da manhã, cria empatia imediata. Quando o perigo surge, o espectador entende o risco sem necessidade de explicações longas.
Elenco de apoio oferece contraste e tensão adicional
O longa conta ainda com Alfie Williams (Spike) e Jack O’Connell (Jimmy Crystal). Williams injeta energia juvenil, funcionando como contraponto à quietude de Jim. Já O’Connell traz intensidade agressiva, lembrando que o maior perigo pode vir dos poucos humanos restantes.
Imagem: Imagem: Divulgação
Mesmo em participações menores, o elenco coadjuvante sustenta a narrativa. Há economia de diálogos, mas olhares e pequenas ações contam histórias. Essa escolha de DaCosta impede o filme de virar simples corre-corre, reforçando o caráter humano da ameaça. A frase-chave 28 Years Later: The Bone Temple ecoa em cada interação, reforçando a ideia de que a violência física é menos assustadora que a degradação moral após quase três décadas de colapso.
Sucesso de crítica e público reacende o interesse em filmes de zumbis
Com 94% de aprovação no Rotten Tomatoes, 28 Years Later: The Bone Temple atinge nota recorde dentro da saga. O feito supera 28 Years Later, lançado no ano anterior, e recoloca a franquia britânica no radar de quem achava o gênero saturado. A boa performance também surpreendeu ao tirar Avatar: Fire and Ash do topo da bilheteria global.
A produção, que chega aos cinemas em 16 de janeiro de 2026, tem 109 minutos enxutos. A fotografia aposta em cores frias e iluminação natural, reforçando o clima derradeiro. A trilha sonora discreta, quase sempre submersa em ruídos ambientes, amplia a angústia de personagens que viveram quase trinta anos de sobrevivência constante.
Nos bastidores, o time de produtores — Andrew Macdonald, Bernard Bellew, Danny Boyle, Alex Garland e Peter Rice — manteve coesão e respeito à mitologia criada em 2002. Para o roteirista Garland, revisitar esse universo exigiu “escutar” a era atual. Por isso, vemos reflexões sobre isolamento, medo coletivo e memória — temas que ultrapassam o terror convencional.
Vale a pena assistir?
Para fãs de longa data ou recém-chegados, 28 Years Later: The Bone Temple entrega energia nova sem negar as raízes. A presença de Cillian Murphy, o olhar sensível de Nia DaCosta e o roteiro enxuto de Alex Garland justificam cada minuto. Quem acompanha o 365 Filmes vai notar que a obra reacende expectativas sobre o futuro da franquia, mostrando que ainda há espaço para zumbis no cinema contemporâneo.
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