Estreia de janeiro raramente chama tanta atenção, mas o filme Primate conseguiu o feito. Com 77% de aprovação no Rotten Tomatoes, a produção da Paramount deixa de lado o requinte para abraçar o sangue, entregando uma experiência que mistura humor macabro e violência gráfica.
Dirigido por Johannes Roberts, o longa de 89 minutos aposta em um chimpanzé hiper-inteligente infectado por raiva para construir seu pesadelo. A escolha do diretor de transformar o macaco Ben em uma figura quase “slasher” é o que sustenta o clima de tensão — e também o que diferencia o projeto de outros filmes de terror animal.
Chimpanzé ganha status de vilão icônico
Em cenas que lembram clássicos do gênero, Ben demonstra um nível de cálculo incomum para criaturas raivosas. Ele não apenas ataca; ele planeja, zomba e, em momentos específicos, usa até um tablet de fala para torturar emocionalmente as vítimas. A caracterização dá ao animal um toque de “Michael Myers de pelo”, criando aquele desconforto genuíno que só surge quando o inimigo parece racional.
A execução física dessa ameaça ficou a cargo de Miguel Torres Umba, ator responsável por vestir o traje do chimpanzé. Com movimentos precisos e expressões faciais estudadas, Umba transmite malícia ao balançar levemente a cabeça ou exibir um sorriso torto, destacando a capacidade humana do animal. Nas cenas de ataque — a assinatura de arrancar mandíbulas, por exemplo —, o intérprete alterna violência abrupta e pequenos gestos de ironia, o que acentua o horror.
Aposta consciente no espírito “filme B”
Johannes Roberts, que já flertou com criaturas assassinas em 47 Meters Down, volta a abraçar totalmente a estética de baixo orçamento: jovens tomando decisões questionáveis, mortes criativas e efeitos práticos abundantes. Essa autoconsciência evita que o filme Primate pareça constrangedor; pelo contrário, transforma cada exagero em parte do entretenimento.
O diretor trabalha em parceria com o roteirista Ernest Riera para equilibrar ritmo e gore. A dupla entrega diálogos enxutos, cenas que não desperdiçam tempo e um clímax que faz jus à jornada sanguinolenta. A fotografia investe em tons terrosos e iluminação pontual, reforçando a atmosfera de floresta claustrofóbica onde boa parte da trama se desenrola.
Elenco humano reage à ferocidade de Ben
No centro da narrativa está Lucy, interpretada por Johnny Sequoyah. A atriz constrói uma protagonista vulnerável, mas nunca passiva. Seu olhar de espanto diante da transformação do animal de estimação em predador comunica mais do que muitos diálogos, mantendo o público engajado na luta pela sobrevivência. Sequoyah brilha sobretudo na sequência em que enfrenta Ben à beira de um penhasco, momento em que a tensão atinge o ápice sem recorrer a falas longas.
Imagem: Imagem: Divulgação
Ao lado dela, Troy Kotsur vive Adam, figura paterna cujo tom cauteloso contrasta com o ímpeto juvenil do restante do elenco. Já Jessica Alexander (Hannah) e Victoria Wyant fazem parte do grupo de amigos marcado para abastecer o contador de corpos. Mesmo em papéis menores, ambos cumprem a função de elevar o perigo — afinal, é nas decisões precipitadas dos adolescentes que o chimpanzé encontra brechas para atacar.
Direção valoriza efeitos práticos e assinatura de morte
Um dos trunfos do filme Primate é a insistência em efeitos práticos, especialmente nos momentos em que Ben arranca mandíbulas. A opção pelo físico, em vez de CGI puro, adiciona textura às cenas e amplifica o choque visual, algo que fãs de terror valorizam. O designer de efeitos especiais cria próteses detalhadas que, quando iluminadas de forma estratégica, parecem dolorosamente reais.
Roberts ainda dá ao vilão um “truque” repetido: usar a mandíbula arrancada da vítima como se fosse máscara, zombando do sofrimento alheio. Essa assinatura lembra as armas clássicas de Jason Voorhees ou Michael Myers, reforçando a ideia de que Ben se posiciona no panteão dos assassinos cult. A decisão é simples, mas eficaz para gravar o filme na memória do público.
Vale a pena assistir ao filme Primate?
Para quem busca terror direto ao ponto, com ritmo ágil e clima de filme B assumido, o filme Primate entrega exatamente isso. O 77% de aprovação no Rotten Tomatoes confirma que, apesar dos exageros, a mistura de humor negro, violência gráfica e uma performance convincente de Miguel Torres Umba conquista críticos e audiência.
Se o interesse é conferir uma obra que transforma um chimpanzé em slasher carismático e ainda revisita convenções clássicas do horror, a produção da Paramount é forte candidata a preencher essa lacuna. Em 365 Filmes, ficamos de olho nos próximos passos de Johannes Roberts e na possibilidade de Ben ganhar status de nova franquia do terror animal.
