Existe algo imediatamente estranho e interessante em Advogado Fantasma. A premissa da nova série da Netflix parece saída de uma mistura improvável entre drama jurídico e história sobrenatural: um advogado que consegue ver espíritos e permite que fantasmas possuam seu corpo para resolver injustiças que ficaram sem resposta.
É um ponto de partida que poderia virar facilmente uma bagunça.
Mas os dois primeiros episódios mostram que o dorama sabe exatamente o tom que quer seguir. Em vez de apostar em terror ou em suspense pesado, a série escolhe um caminho mais humano, quase acolhedor, tratando os fantasmas menos como susto e mais como personagens com histórias inacabadas.
Essa decisão muda completamente a experiência.
Um advogado que resolve casos que ninguém mais pode resolver
A trama acompanha Shin I Rang, interpretado por Yoo Yeon-seok, um advogado que carrega um dom bastante peculiar. Ele consegue ver espíritos e, em determinadas situações, permite que eles assumam seu corpo para contar suas histórias ou apontar verdades que ficaram enterradas.
Isso transforma o escritório dele em algo único.
Enquanto advogados comuns lidam com evidências, testemunhas e documentos, Irang frequentemente precisa lidar com algo muito mais difícil: emoções que nunca tiveram a chance de ser expressas. Muitos dos casos apresentados na série envolvem injustiças que morreram junto com as vítimas.
E essa ideia funciona surpreendentemente bem.
Em vez de usar os fantasmas apenas como truque narrativo, o dorama transforma cada aparição em um pequeno drama emocional. Muitas vezes o mistério não está apenas em descobrir quem cometeu um crime, mas em entender o que ficou pendente.
Essa abordagem deixa Advogado Fantasma bem diferente de outros dramas jurídicos.
Produções como How to Get Away with Murder exploram tribunais com suspense e reviravoltas. Aqui, o foco está mais próximo do fechamento emocional. Cada caso funciona quase como uma história sobre luto, culpa ou arrependimento.
E isso cria momentos surpreendentemente sensíveis.
Um dorama que funciona mais pelo coração do que pelo mistério
O que realmente sustenta a série nesse começo é o protagonista. Yoo Yeon-seok constrói Shin I Rang com uma mistura curiosa de melancolia e leveza. Ele não é um herói clássico, nem alguém completamente confortável com o próprio dom.
Na verdade, muitas vezes parece exausto por carregar histórias que não são dele.
Esse detalhe ajuda a dar peso emocional ao personagem. Permitir que fantasmas usem seu corpo não é apenas uma habilidade conveniente para resolver casos; é algo que parece cobrar um preço psicológico constante.
Ao lado dele, Han Na Hyeon, interpretada por Esom, funciona como contraponto. Ela representa o olhar mais racional dentro de um universo onde o impossível começa a se tornar rotina.
Essa dinâmica mantém o dorama equilibrado.
Sempre que a narrativa ameaça mergulhar demais no fantástico, a presença dela puxa a história de volta para o mundo real. E esse contraste ajuda a evitar que a série pareça exagerada ou absurda demais.
A direção de Jong Hun Shin também merece crédito nesse início. Os episódios alternam com naturalidade momentos mais leves com cenas emocionalmente pesadas, algo que poderia facilmente gerar uma sensação de duas séries diferentes. Mas aqui a transição funciona. Nem tudo, porém, é perfeito.
Os episódios iniciais ainda parecem tatear o próprio ritmo. Algumas cenas se estendem mais do que deveriam, e certos diálogos explicam demais o que a história poderia mostrar com mais sutileza.
Não chega a ser um problema grave. Mas deixa a impressão de que a série ainda está encontrando sua velocidade narrativa.
Mesmo assim, há algo muito simpático em Advogado Fantasma. O dorama entende que sua maior força não está nos mistérios, e sim nas emoções que aparecem ao redor deles. Cada fantasma que surge traz mais do que uma pista. Traz uma história.

Essa escolha transforma a série em algo curioso: uma mistura de investigação, drama humano e pequenas despedidas emocionais. Quando funciona, a sensação é de assistir a uma espécie de “justiça tardia”, onde pessoas que nunca puderam falar finalmente têm uma última chance.
É um conceito simples.
Mas é também o tipo de ideia que pode gerar episódios muito marcantes se o roteiro continuar explorando esse lado humano.
Com apenas dois episódios disponíveis, ainda é cedo para dizer até onde a série pode chegar. Mas o início já deixa uma impressão clara: Advogado Fantasma não quer ser apenas um dorama sobre crimes.
Quer ser uma história sobre coisas que ficaram sem resposta. E, nesse começo, isso já é suficiente para despertar curiosidade.
Advogado Fantasma
O que realmente sustenta a série nesse começo é o protagonista. Yoo Yeon-seok constrói Shin I Rang com uma mistura curiosa de melancolia e leveza. Ele não é um herói clássico, nem alguém completamente confortável com o próprio dom. Na verdade, muitas vezes parece exausto por carregar histórias que não são dele. Esse detalhe ajuda a dar peso emocional ao personagem.
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