Sete anos depois de seu lançamento nos cinemas, As Above So Below voltou a figurar entre os títulos mais vistos da HBO Max. A produção, dirigida por John Erick Dowdle, ignora a má vontade inicial da crítica e conquista um público que parecia esquecido pela bilheteria tradicional.
O fenômeno reacende a conversa sobre a força do found footage quando aliado a um elenco comprometido e a decisões de direção ousadas. Em pouco mais de 90 minutos, o longa entrega um labirinto de tensão que, na visão dos assinantes da plataforma, merece revisão — ou descoberta.
Elenco mergulha na claustrofobia parisiense
À frente da narrativa está Perdita Weeks, responsável por dar vida à obstinada arqueóloga Scarlett Marlowe. A atriz evita cair na caricatura de heroína invencível, equilibrando coragem e vulnerabilidade em sequência. O público percebe rapidamente que suas motivações são tão pessoais quanto acadêmicas, o que reforça a tensão quando a personagem precisa liderar a equipe nos túneis.
Ben Feldman assume o ex-companheiro George, figura crucial tanto na tradução de inscrições antigas quanto na lembrança das falhas passadas do grupo. A química entre Feldman e Weeks é sutil, mas funciona como ponto de ancoragem emocional. Já Edwin Hodge, no papel do cameraman Benji, entrega o alívio dramático sem destoar do clima sombrio. É dele a perspectiva em primeira pessoa que sustenta o formato found footage.
Direção transforma catacumbas em espelho de pecados
John Erick Dowdle conduz a câmera com foco na imersão. A proposta soa simples: acompanhar um grupo em busca da lendária pedra filosofal nos subterrâneos de Paris. No entanto, o diretor constrói uma progressão de camadas que se aproxima da estrutura de “Inferno”, de Dante Alighieri, sem esquecer a urgência de um thriller contemporâneo.
As passagens estreitas ganham vida própria graças à iluminação mínima e ao som ambiente, que transita entre vozes distantes e ruídos de rochas deslocando-se. Essa abordagem sublinha o caráter psicológico da história — cada passo adiante é também um mergulho nos traumas de Scarlett e companhia. A comparação com outros filmes que falham ao explorar locações únicas, como o criticado projeto futurista em Mercy, destaca a precisão de Dowdle no uso do espaço.
Roteiro acerta na simbologia, mas tropeça na lógica interna
Escrito pelos irmãos Drew e John Erick Dowdle, o roteiro faz uso constante de referências alquímicas e religiosas. A ideia de que o tesouro procurado é, na verdade, a redenção pessoal de cada explorador adiciona peso às revelações finais. Nessa etapa, Zed (François Civil) e Papillon (François Roy) participam de sequências que exigem confissão de pecados, ampliando a tensão moral.
Imagem: Imagem: Divulgação
O texto, porém, sofre com diálogos expositivos em momentos nos quais o mistério deveria falar mais alto. Papillon descreve regras das catacumbas em tom de tutorial, quebrando o ritmo em algumas cenas. Ainda assim, a estrutura de causa e efeito se mantém, garantindo que o espectador compreenda por que a única saída é sempre avançar mais fundo — solução que lembra o dilema de heróis em adaptações mal recebidas, caso de A Torre Negra.
Efeitos práticos reforçam autenticidade do found footage
Ao optar por efeitos práticos discretos, a produção ajuda o público a entrar no clima documental. Quedas de rochas, sangue e objetos antigos foram criados em cenários reais, permitindo que a câmera vacilante registre sustos orgânicos. O recurso diminui o risco de rupturas visuais, problema comum em filmes que exageram no CGI.
A trilha sonora quase inexistente também colabora. O espectador ouve a respiração ofegante dos personagens, o que aumenta o senso de urgência. Essa escolha, somada ao uso de headlamps como principal iluminação, fortalece o realismo da proposta, garantindo que a atenção não se disperse nem mesmo nos momentos de maior exposição narrativa.
Vale a pena assistir?
Para quem busca um terror curto, claustrofóbico e baseado na dinâmica de grupo, As Above So Below se sustenta graças às boas atuações e à direção competente de John Erick Dowdle. O retorno do filme aos holofotes da HBO Max indica que o público segue ávido por histórias que arriscam novas leituras sobre culpa e redenção — um atrativo incontestável para o catálogo de 365 Filmes.
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