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    The Moment: mockumentary de Charli XCX derrapa em caos criativo e desperdiça um elenco de peso

    Matheus AmorimPor Matheus Amorimjaneiro 24, 2026Nenhum comentário6 Minutos de leitura
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    Charli XCX chega aos cinemas com The Moment prometendo um olhar satírico sobre os bastidores do pop. A proposta parece sedutora: desmontar a própria imagem em pleno auge da turnê Brat e discutir o peso das marcas na carreira de uma estrela.

    Na prática, o mockumentary vira uma coleção de cenas improvisadas, sem música do repertório da cantora e com energia que oscila entre o pastelão e o drama frenético. O resultado, exibido mundialmente no Festival de Sundance 2026, tem dividido plateias e colocado em xeque a transição da artista para o audiovisual de longa-metragem.

    Enredo sem bússola compromete o ritmo

    A narrativa de The Moment acompanha uma versão ficcional de Charli tentando sobreviver ao frenesi do mercado que transformou a turnê Brat em máquina de fazer dinheiro. Gravadoras, patrocinadores e fãs pressionam por projetos cada vez maiores, enquanto a cantora só deseja silêncio. Essa premissa, por si só, renderia discussões afiadas sobre identidade artística e mercantilização do pop.

    Entretanto, o roteiro assinado por Charli, Aidan Zamiri e Bertie Brandes, sem estrutura definida, patina na hora de transformar conflito em dramaturgia. Sequências como a parceria com um banco que cria cartão “para jovens queer” surgem cheias de potencial satírico, mas se resolvem em minutos, sem repercussão real na trama. O conflito central – a contratação do excêntrico diretor de shows Johannes, vivido por Alexander Skarsgård – tampouco ganha densidade: ele aparece, gera atrito, some, volta. Esse vaivém constante quebra o ritmo e esvazia qualquer tensão dramática.

    Direção de Aidan Zamiri carece de foco

    Conhecido por videoclipes premiados, Aidan Zamiri estreia na ficção longa com uma câmera nervosa, colada aos personagens, típica de documentário musical. Só que a fronteira entre linguagem documental e encenação nunca fica clara. Em certas passagens, a fotografia parece querer imitar o amadorismo do reality show; em outras, busca enquadramentos elegantes que denunciam o artifício. Essa indecisão visual reflete um filme que não sabe se quer parodiar ou humanizar sua protagonista.

    A montagem reforça o problema: cortes bruscos empilham esquetes sem desenvolvimento. Quando Charli enfrenta uma crise histérica após ser mal atendida em um resort em Ibiza, a cena explode em emoção, mas não há preparação prévia nem consequência posterior. Falta coesão para que o momento funcione como catarse. Ao final, a impressão é de que Zamiri domina a estética do videoclipe, mas ainda busca a cadência necessária para sustentar 103 minutos de ficção.

    Elenco luta para salvar as cenas

    O elenco de The Moment reúne nomes capazes de eletrizar qualquer projeto. Charli XCX assume a própria caricatura com coragem, sem medo de parecer arrogante ou desinteressada. Ela transmite cansaço genuíno, sobretudo quando precisa lidar com planilhas de lucros ou ouvir propostas absurdas de executivos. Ainda assim, a personagem permanece superficial, vítima de um texto que evita aprofundar suas contradições.

    Alexander Skarsgård diverte como Johannes, diretor performaticamente progressista que, no fundo, exala misoginia. O ator abraça o exagero, mas sua participação se resume a piadas sobre ego inflado e frases de efeito. Hailey Benton Gates, como a dedicada Celeste, oferece a atuação mais orgânica do longa: ela vive uma profissional que enxerga a artista antes da marca, conferindo doses raras de empatia à trama.

    Nos arredores, humoristas experientes tentam brilhar em poucos minutos. Kate Berlant arranca risadas como a maquiadora que comenta tudo em voz alta, enquanto Jamie Demetriou surge engessado como empresário ansioso. Rachel Sennott, em aparição relâmpago, quase repete tiques de outros trabalhos. A sensação é de desperdício de talento – problema semelhante ao do elenco de apoio em The Incomer, produção recente que transforma um conto folclórico em vitrine para Gayle Rankin.

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    Imagem: Imagem: Divulgação

    Improviso e tom desigual minam as intenções

    Grande parte das falas foi improvisada em cena, estratégia que pode gerar espontaneidade, mas exige performers experientes em comédia de situação. Aqui, poucos dominam a técnica e, como resultado, vários diálogos parecem ensaios captados às pressas. Falta timing cômico; sobra constrangimento. Quando o longa tenta virar drama, o contraste de tom se impõe de forma abrupta e o espectador não sabe se deve rir ou se preocupar.

    O vazio de stakes narrativas também incomoda. Charli teme “parecer cringe” diante de fãs e marcas, porém o filme não deixa claro as consequências reais dessa possível queda de reputação. Sem ameaça tangível, a tensão se dilui, tornando-se problema meramente abstrato. Outros mockumentaries bem-sucedidos, como This Is Spinal Tap, constroem conflito concreto – uma turnê falida, egos em colisão – capaz de engajar o público. The Moment prefere a ironia autorreferente, mas não entrega substância nem no humor nem na crítica ao showbiz.

    Mesmo assim, alguns lampejos de criatividade se destacam. A escolha de não usar músicas da cantora, substituindo trilha autoral por Bittersweet Symphony, soa provocativa e sublinha o desejo de romper expectativas. Além disso, há tentativas honestas de discutir saúde mental no topo do mercado pop, tema que dialoga com documentários como Paralyzed by Hope, de Judd Apatow, embora o próprio filme de Zamiri não sustente o debate até o fim.

    The Moment vale a pena ser visto?

    Para fãs ardorosos de Charli XCX, The Moment oferece a curiosidade de assistir à artista ridicularizando sua própria imagem, algo raro na cultura pop contemporânea. No entanto, quem busca um mockumentary ágil, no estilo Popstar ou Borat, pode sair frustrado. A falta de construção dramática e o improviso desajustado tornam a experiência cansativa.

    A produção, distribuída como drama musical com pitadas de comédia, deixa a sensação de rascunho estendido, mais adequado a um curta experimental do que a um longa de 103 minutos. Apesar da ambição e do elenco talentoso, a estreia de Aidan Zamiri no formato revela a distância entre videoclipes inventivos e a disciplina exigida pelo cinema narrativo. No fim das contas, The Moment desperdiça a chance de ser a grande sátira sobre os bastidores do pop contemporâneo e confirma que, às vezes, exposição demais gera apenas ruído.

    O 365 Filmes acompanha de perto lançamentos que desafiam o público; aqui, observa-se que, mesmo com recursos e fama, não há fórmula para evitar tropeços artísticos. Quem se interessar por esse tipo de experimento pode conferir a sessão por curiosidade, mas é melhor ajustar as expectativas antes de mergulhar no caos criativo de The Moment.

    Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.

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    Charli XCX crítica de filme mockumentary Sundance 2026 The Moment
    Matheus Amorim
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    Sou Matheus Amorim Paixão, jornalista de entretenimento e fundador do 365 Filmes (CNPJ: 48.363.896/0001-08). Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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