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    Crítica de Minha Querida Senhorita: remake da Netflix acerta no tema, mas tropeça na execução

    Nova versão moderniza clássico espanhol com sensibilidade, mas sofre com mudança brusca de tom
    Matheus AmorimPor Matheus Amorimmaio 2, 2026Nenhum comentário4 Minutos de leitura
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    Minha Querida Senhorita aborda identidade e autodescoberta em drama espanhol com nota 6,8 no IMDb
    Imagem: Divulgação
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    O remake de Minha Querida Senhorita chega à Netflix com uma missão ambiciosa: atualizar um clássico de 1972 dirigido por Jaime de Armiñán, que marcou época ao abordar identidade de gênero em meio à censura do franquismo. Sob direção de Fernando González Molina e roteiro de Alana S. Portero, o novo filme decide abandonar as entrelinhas e trazer o tema da intersexualidade para o centro da narrativa.

    O resultado é uma obra que tem muito a dizer e momentos de grande força emocional, mas que também evidencia problemas estruturais que impedem o impacto completo da proposta. A sensação final é de um filme que se divide entre duas intenções diferentes e não consegue equilibrá-las plenamente.

    Veja aqui as primeiras informações sobre: Minha Querida Senhorita chega ao streaming e aborda identidade e repressão em drama espanhol

    Elisabeth Martínez dá alma a uma história necessária

    A trama acompanha Adela, vivida por Elisabeth Martínez, uma jovem de 25 anos criada em uma família conservadora na cidade de Pamplona, no final dos anos 1990. Sua rotina gira em torno do antiquário da família e das aulas de catequese que ministra, sempre dentro de um ambiente rígido e controlado.

    O ponto central da história surge quando é revelado que Adela é uma pessoa intersexo, informação escondida desde seu nascimento por médicos e pela própria mãe. A descoberta desencadeia uma crise profunda de identidade, levando a personagem a questionar toda a vida que lhe foi imposta.

    A chegada de novos personagens, como a fisioterapeuta Isabel e um padre recém-chegado, funciona como catalisador dessa ruptura. A partir daí, Adela decide fugir para Madrid em busca de autonomia e de uma nova forma de existir.

    O maior acerto do filme está justamente nessa escolha de abordagem. Ao escalar Elisabeth Martínez, uma mulher intersexo na vida real, a produção ganha uma camada de autenticidade rara. A atuação carrega sensibilidade e evita qualquer tom artificial, tornando a jornada da personagem mais honesta e impactante.

    O roteiro também acerta ao abandonar a visão patologizante presente na obra original e transformar a narrativa em um coming of age tardio, focado em alguém que teve sua própria história corporal negada desde a infância.

    A mudança para Madrid quebra o ritmo da narrativa

    Se a primeira metade do filme é consistente e emocionalmente forte, a segunda parte revela os principais problemas da adaptação. A ambientação em Pamplona funciona muito bem, com uma atmosfera marcada pela repressão silenciosa, pelos olhares julgadores e pelo peso da religião.

    Essa construção é precisa e envolvente. O espectador entende o conflito interno de Adela sem necessidade de explicações excessivas, apenas pela forma como o ambiente reage à sua existência.

    No entanto, quando a personagem se muda para Madrid e passa a se apresentar como A.D., o filme sofre uma mudança brusca de tom. O drama mais contido dá lugar a uma abordagem quase leve demais, com elementos que lembram uma linguagem de sitcom.

    Esse contraste enfraquece a narrativa. A sensação é de que estamos diante de dois filmes diferentes, unidos de forma pouco orgânica. A transição não soa como evolução natural da personagem, mas como uma tentativa de tornar a história mais acessível e comercial.

    Outro ponto que contribui para essa quebra é o excesso de participações especiais. Os cameos surgem de forma gratuita e desviam o foco do desenvolvimento emocional da protagonista, que até então era o principal motor da história.

    Além disso, a ambientação temporal perde força. Mesmo se passando no início dos anos 2000, essa segunda parte parece deslocada, com escolhas estéticas e narrativas que soam mais contemporâneas do que o contexto exige.

    Minha Querida Senhorita aborda identidade e autodescoberta em drama espanhol com nota 6,8 no IMDb
    Imagem: Divulgação

    Veredito: um filme importante que não sustenta o próprio potencial

    O remake de Minha Querida Senhorita é, antes de tudo, um projeto relevante. A forma como aborda a intersexualidade e a decisão de dar protagonismo a uma atriz intersexo são escolhas que elevam a produção e demonstram compromisso com representatividade.

    No entanto, a execução não acompanha totalmente essa ambição. O desequilíbrio entre as duas metades do filme impede que a narrativa alcance todo o impacto emocional que poderia ter.

    Quando focado no drama íntimo e na repressão social, o longa funciona com força. Quando tenta se reinventar como uma história mais leve e expansiva, perde consistência.

    Ainda assim, há valor na experiência. O filme provoca reflexão, abre espaço para discussões importantes e apresenta uma protagonista que dificilmente passa despercebida.

    7.5 Bom

    Remake de Minha Querida Senhorita acerta ao abordar intersexualidade, mas perde força com mudança de tom na segunda metade.

    • NOTA 7.5
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    Matheus Amorim
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    Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes (CNPJ: 48.363.896/0001-08). Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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