Lançado em 2025, Steve chegou à Netflix rodeado de expectativa e, em poucos dias, virou assunto nos grupos de cinéfilos e nas redes sociais. A repercussão tem um motivo claro: Cillian Murphy, depois de Oppenheimer e Peaky Blinders, novamente entrega uma atuação de tirar o fôlego.
Com apenas 1h33 de duração, o longa dirigido por Tim Mielants oferece um mergulho no sofrimento silencioso de um diretor de reformatório na década de 1990. Não à toa, o público descreve a experiência como incômoda, emocional e, ao mesmo tempo, impossível de abandonar antes dos créditos finais.
Enredo de Steve reúne exaustão, responsabilidade e solidão
A trama escrita por Max Porter se passa em um único dia decisivo na vida de Steve, responsável por uma escola correcional inglesa que enfrenta ameaça de fechamento. Enquanto tenta salvar a instituição, o protagonista lida com sintomas claros de esgotamento mental, ilustrando o peso de acumular funções sem cuidar da própria saúde.
Ambientado nos anos 1990, o filme ressalta a atmosfera opressora do lugar: corredores frios, salas acinzentadas e portas que parecem fechar-se ao redor dos personagens. Nesse cenário, Murphy encarna um homem exaurido que representa muitos profissionais sobrecarregados mundo afora.
Cillian Murphy entrega uma das performances mais humanas da carreira
Quem conhecia o ator apenas por papéis implacáveis, como Tommy Shelby ou J. Robert Oppenheimer, encontra aqui um intérprete vulnerável. Em Steve, Murphy trabalha nos silêncios, nos olhares perdidos e na postura curvada, transmitindo o desgaste físico e emocional de alguém prestes a desmoronar.
Ao lado dele, Jay Lycurgo vive o jovem Shy, interno que adiciona sensibilidade à narrativa. A relação entre os dois evolui sem grandes discursos, reforçando a proposta de mostrar mais do que contar. Esse jogo de nuances coloca a obra entre as estreias dramáticas mais fortes do ano no catálogo da plataforma.
Imagem: Divulgação
Direção segura, fotografia sufocante e roteiro corrido marcam o longa
Tim Mielants aposta em enquadramentos fechados e ritmo cadenciado, criando sensação de claustrofobia que acompanha o estado mental do protagonista. A fotografia pálida colabora para esse efeito, transformando a escola em personagem tão relevante quanto os próprios alunos.
O roteiro, no entanto, sofre com o tempo enxuto. Muitos conflitos surgem e são resolvidos rapidamente, deixando a impressão de que Steve teria fôlego para ao menos duas horas. Mesmo assim, momentos de alto impacto emocional seguram a audiência até o final.
No conjunto, o filme se consolida como um dos dramas mais comentados de 2025 na Netflix, explorando temas atuais como burnout e solidão. Para o público do 365 Filmes, a produção vale cada minuto, sobretudo pela performance de Cillian Murphy, apontada como uma das mais marcantes do ano.
