Uma das alterações mais comentadas de Wicked: For Good em relação ao musical da Broadway é a presença de Glinda na canção “Wonderful”.
No palco, o número pertence apenas a Elphaba e ao Mágico de Oz; no cinema, porém, a personagem de Ariana Grande divide a cena, e agora sabemos exatamente o motivo.
Por que a cena mudou
A roteirista Dana Fox contou ao Deadline que sugeriu incluir Glinda no dueto ainda nas primeiras reuniões virtuais sobre o projeto. Segundo ela, era necessário aumentar o tempo de tela das duas protagonistas para sustentar um filme de duas horas. “Se elas aparecessem juntas tão pouco quanto aparecem na peça, o público sentiria falta dessa química”, argumentou.
De início, a ideia provocou reações de choque entre parte da equipe. Durante a videochamada, algumas pessoas “caíram para fora do quadro”, brincou Fox. Mas a resistência durou pouco: o compositor Stephen Schwartz e a coautora do musical original, Winnie Holzman, aprovaram a proposta e colaboraram nos ajustes.
Objetivo de fortalecer a amizade
A estratégia tinha um propósito claro: usar “Wonderful” para reforçar o vínculo entre Glinda e Elphaba. No segundo ato da peça, a futura bruxa boa passa a defender interesses conflitantes, tentando conciliar seu prestígio com a amizade de longa data. Ao colocá-la junto do Mágico, o roteiro destaca o dilema de escolher lados sem perder quem ela ama.
Para o público que acompanha novelas, doramas e agora o universo de 365 Filmes, essa tensão dramática é familiar: a amizade posta à prova costuma ser um gatilho emocional poderoso, especialmente quando as personagens dividem o palco – ou a tela – num momento musical decisivo.
A dança que resgata memórias
Além do canto, o filme repete a coreografia que marcou o início da amizade das duas no primeiro longa, criando um efeito de “espelho” emocional. Esse retorno a tempos mais simples explica porque Elphaba se sente tentada a aceitar a proposta do Mágico: ela relembra como era ser aceita pela antiga colega.
Colaboração sem apego ao original
Dana Fox afirma que não foi “preciosa” com o texto da Broadway. A roteirista entende que teatro e cinema exigem ritmos diferentes, ainda mais quando cada ato vira um filme separado. “O que funciona ao vivo pode não funcionar na tela grande”, disse.
A abertura dos criadores originais foi essencial. “Posso sugerir coisas impensáveis e eles topam”, descreveu Fox, ressaltando que a parceria com Winnie Holzman foi “inesquecível”.
Recepção de crítica e público
A alteração em “Wonderful” é apenas uma das mudanças do roteiro, mas já dá sinais de aprovação popular. No Rotten Tomatoes, Wicked: For Good tem 70% de aprovação crítica — abaixo dos 88% do primeiro longa —, porém ostenta 96% de audiência “Verified Hot” e teve estreia recorde nas bilheterias.
Imagem: Imagem: Divulgação
Os números indicam que ajustes como a participação de Glinda estão funcionando: fãs parecem aceitar bem as novidades quando elas servem à história e aprofundam relações queridas.
Detalhes de produção
Dirigido por Jon M. Chu, o filme chega aos cinemas em 21 de novembro de 2025, com 137 minutos de duração e classificação indicativa PG. O roteiro leva as assinaturas de Winnie Holzman, Dana Fox e Gregory Maguire, autor do livro que originou o musical. A produção executiva reúne Marc Platt e David Stone.
No elenco, Cynthia Erivo vive Elphaba e Ariana Grande interpreta Glinda. Jonathan Bailey assume Fiyero, enquanto Michelle Yeoh surge como Madame Morrible. A presença de nomes de peso ajuda a explicar a expectativa em torno da nova leitura de “Wonderful”.
Imagens divulgadas
Entre as primeiras fotos de divulgação, destacam-se Glinda ajustando a coroa em um corredor de borboletas amarelas, Elphaba de vassoura em punho e o casal principal trocando olhares intensos. O material reforça a promessa de um espetáculo visual tão grandioso quanto a trilha.
Impacto na construção de personagens
A escolha de colocar Glinda para cantar sobre a parceria com o Mágico também altera nuances de sua personalidade. Na peça, Elphaba é quem descreve o pacto como “maravilhoso”, palavra que chega carregada de ironia. No cinema, ouvir a mesma expressão na voz de Glinda sublinha sua esperança de manter todos unidos sem conflito.
Essa inversão amplia o arco da personagem: o público percebe o quanto ela está disposta a negociar valores para preservar a imagem de “Glinda, a Boa”. Ao mesmo tempo, Elphaba passa a questionar essa boa-fé, o que aprofunda a tensão entre as amigas.
Conclusão natural
Com a inclusão de Glinda em “Wonderful”, Wicked: For Good prova que adaptações podem – e talvez devam – ajustar peças-chave para dialogar melhor com a linguagem do cinema. As mudanças aprovadas por Schwartz e Holzman, sob a batuta de Dana Fox, oferecem novas camadas a uma história que o público acompanha há mais de duas décadas, agora de olho em como essa amizade sobreviverá às luzes de Hollywood.
