“Resurrection” chegou com pompa ao circuito internacional depois de conquistar o Prêmio Especial do Júri em Cannes 2025. Dirigido pelo chinês Bi Gan, o longa de 160 minutos combina drama, ficção científica e mistério para refletir sobre o poder dos sonhos e, principalmente, do próprio cinema.
Dividido em seis capítulos independentes, mas interligados, o filme transita por diferentes períodos e movimentos cinematográficos, sempre conduzido por personagens que ainda conseguem sonhar em um mundo onde esse dom se tornou raro. A proposta ambiciosa rendeu elogios pela inventividade visual e pela maneira como Bi Gan costura referências históricas em uma narrativa hipnótica.
No Brasil, a expectativa é alta entre os leitores do 365 Filmes, especialmente depois da repercussão positiva lá fora. Com estreia limitada prevista para 12 de dezembro em Nova York e Los Angeles, “Resurrection” deve ganhar exibição mais ampla nas semanas seguintes, aproximando o público nacional de uma obra que já nasce cult.
Veja a seguir os principais detalhes sobre o longa, seu enredo fragmentado e os motivos que levaram a imprensa internacional a considerá-lo “uma joia intransigente de beleza hipnótica”.
Trama: quando apenas poucos ainda podem sonhar
O filme Resurrection se passa em uma realidade alternativa na qual apenas uma parcela da população, os chamados “Delirantes”, mantém a capacidade de sonhar. De acordo com a narrativa, essa habilidade provoca desordem em um mundo que, de outra forma, seria pacífico. Para conter o caos, um grupo de agentes é encarregado de caçar quem insiste em permanecer nos sonhos.
Jackson Yee interpreta múltiplos papéis ao longo dos seis segmentos, incluindo um monstro atormentado, um trapaceiro de cartas e até uma figura batizada de “Apollo”. Já Shu Qi vive Miss Shu, personagem que persegue os Delirantes e questiona por que alguém escolheria permanecer nesse território onírico, mesmo correndo o risco de perder a imortalidade.
Seis episódios que revisitam a história do cinema
Cada parte do filme Resurrection homenageia uma estética cinematográfica específica. O primeiro episódio revisita o cinema mudo em estilo expressionista alemão, repleto de sombras marcadas, cenários labirínticos e intertítulos clássicos. A sequência seguinte mergulha no film noir, com investigação criminal comandada pelo personagem do ator Mark Chao.
Mais adiante, Bi Gan transita por ecos do neorrealismo italiano, colocando Yee como um golpista que acolhe uma garota (Guo Mucheng) em um plano para faturar dinheiro rápido. O contraste entre a precariedade econômica e a fuga proporcionada pelos sonhos se torna o eixo dramático dessa etapa.
Homenagem e metalinguagem
Ao reproduzir truques de iluminação, cenários pintados e mudanças bruscas de cor, o diretor discute o próprio ato de assistir a filmes. Elementos como neve artificial em um templo budista em ruínas ou a coreografia de um plano-sequência que atravessa a cidade reforçam a ideia de que, no cinema, o tempo e o espaço se dobram conforme a necessidade da história.
Fotografia de Dong Jinsong impressiona
Parceiro de Bi Gan em “Long Day’s Journey Into Night”, o diretor de fotografia Dong Jinsong entrega um dos visuais mais elogiados do ano. A mudança constante de paleta — ora cinza metálico, ora lavada em vermelho sangue ou néon vibrante — acompanha o tom de cada capítulo. O resultado ajudou a convencer o júri de Cannes a premiar o longa.
Imagem: Imagem: Divulgação
Em uma das cenas mais comentadas, a câmera desliza sem cortes por ruas, clubes de karaokê e becos iluminados por letreiros coloridos. A tomada única traduz a sensação de que as personagens vivem múltiplas existências dentro de um único sonho coletivo.
Elenco mistura veteranos e novos rostos
Além de Jackson Yee e Shu Qi, o filme Resurrection conta com Mark Chao, Guo Mucheng e participação do produtor Charles Gillibert, conhecido por trabalhos com cineastas europeus. A multiplicidade de personagens interpretados por Yee reforça o conceito de identidades que se sobrepõem quando a lógica dos sonhos prevalece.
Shu Qi, com trajetória consolidada em produções de ação e drama, assume aqui papel de antagonista e guia moral, alguém que se vê obrigada a questionar sua missão à medida que mergulha em cenários que lembram os irmãos Lumière, Murnau e tantos outros pioneiros da sétima arte.
Prêmio em Cannes e agenda de lançamento
Exibido pela primeira vez em 22 de maio de 2025, “Resurrection” conquistou o Prêmio Especial do Júri na Croisette, reconhecimento que costuma impulsionar o alcance internacional de produções autorais. Após a estreia comercial em 12 de dezembro nas cidades norte-americanas, a distribuição deve avançar para outros territórios, incluindo salas brasileiras ainda sem data definida.
Com 160 minutos de duração e roteiro assinado pelo próprio Bi Gan, o filme Resurrection continua chamando atenção por conciliar narrativa fragmentada, virtuosismo técnico e reflexão sobre a experiência de assistir a filmes. Resta saber como o público geral reagirá a uma obra que exige imersão total, mas promete recompensar quem embarcar na viagem.
Por que ficar de olho no filme Resurrection
Para quem acompanha lançamentos pelo 365 Filmes, o longa desponta como forte candidato a figurar em listas de melhores do ano, principalmente entre cinéfilos interessados em experimentação formal. A mistura de gêneros — drama, ficção científica e mistério — amplia o alcance, enquanto a temática dos sonhos ecoa discussões filosóficas sobre realidade e arte.
Não menos relevante é a performance de Jackson Yee, jovem estrela que se reveza entre papéis diametralmente opostos, e a presença magnética de Shu Qi, que entrega nuances interessantes a uma personagem inicialmente rígida. Se você procura algo que vá além da estrutura tradicional de três atos, o filme Resurrection deve entrar no radar.
