O anúncio de que a Netflix finalmente adaptará a graphic novel Torso encerra um ciclo de quase vinte anos de impasses em Hollywood. A obra, escrita por Brian Michael Bendis em parceria com Marc Andreyko, retrata o caso real do assassino conhecido como Cleveland Torso Murderer, que aterrorizou os Estados Unidos na década de 1930.
Com os direitos de filmagem assegurados, o longa-metragem ainda não tem diretor, mas já reúne um time robusto de produtores. Para quem acompanha as notícias de cinema no 365 Filmes, a confirmação marca um momento aguardado pelos fãs de histórias policiais baseadas em fatos verídicos.
Produção de peso confirma adaptação de Torso na Netflix
A plataforma de streaming fechou acordo para levar a história às telas com o selo da Vertigo Entertainment. Roy Lee, conhecido por títulos de suspense como It: A Coisa, une forças com Zach Cregger, que dirige o inédito Weapons, para comandar a produção por meio da empresa Subconscious.
O projeto conta ainda com Alex Hedlund e Nick Antosca, nomes por trás de séries como Chucky e Hannibal, respectivamente. Já os autores da HQ, Brian Michael Bendis e Marc Andreyko, assumem o cargo de produtores executivos e devem acompanhar de perto o desenvolvimento do roteiro.
Apesar da expectativa, a adaptação de Torso não tem cronograma de filmagens nem previsão de estreia. O fato de não haver diretor anunciado indica que o projeto está nas fases iniciais, mas o respaldo de uma equipe experiente sugere que a produção deve ganhar tração nos próximos meses.
Uma saga que quase saiu do papel em 2006
Antes de chegar à Netflix, Torso teve uma passagem turbulenta por Hollywood. Em meados dos anos 2000, a Paramount Pictures cogitou uma versão comandada por David Fincher, diretor de Zodíaco. Naquele período, Matt Damon seria o protagonista e Ehren Kruger, de Top Gun: Maverick, assinava o roteiro. Até o criador de Spawn, Todd McFarlane, estava envolvido como produtor. O estúdio, porém, recuou devido ao orçamento considerado elevado. Desde então, o projeto ficou arquivado, alimentando especulações entre fãs de quadrinhos e true crime.
Entenda a importância da HQ Torso e seu impacto na cultura pop
Publicada em seis edições pela Image Comics, Torso acompanha o lendário agente Eliot Ness — célebre por derrubar Al Capone — em sua cruzada para capturar o serial killer responsável por mutilar e espalhar partes de corpos nos arredores de Cleveland. A narrativa mergulha na investigação, mostrando a pressão da imprensa, a falta de pistas concretas e o clima de medo que tomou conta da cidade.
Imagem: Imagem: Divulgação
Lançada em 1998, a série rendeu a Bendis o Prêmio Eisner de Talento Merecedor de Maior Reconhecimento um ano depois. A aclamação abriu portas na Marvel, onde o roteirista redefiniu personagens como Homem-Aranha, Demolidor e Quarteto Fantástico. Para Marc Andreyko, a obra também foi um divisor de águas, consolidando seu estilo no gênero policial.
Além do Eisner, Torso concorreu ao International Horror Guild e recebeu três indicações ao Eagle Award, reforçando sua relevância no mercado de quadrinhos. O enredo mistura documentação histórica com licença criativa, característica que promete atrair o público do streaming interessado em crimes reais revisitados com ousadia estética.
A ambientação na Cleveland da Grande Depressão é outro diferencial que pode ganhar vida na tela. O contraste entre ruas industriais sombrias e a efervescência de um país em transformação favorece a criação de um thriller visualmente impactante. Caso a Netflix mantenha a essência da HQ, o filme tende a equilibrar investigação policial, drama psicológico e comentários sociais — ingredientes valiosos para quem consome produções do gênero na plataforma.
Sem data de lançamento, resta acompanhar o andamento da adaptação de Torso. Com a movimentação de produtores experientes e o respaldo criativo de seus autores, a iniciativa pode, enfim, tirar do papel uma das histórias em quadrinhos mais aclamadas do true crime contemporâneo.
