A temporada de premiações de 2026 já começou a esquentar e a Netflix volta ao centro dos holofotes. Depois de dez indicações sem vitória em Melhor Filme, o streaming acumula agora quatro títulos com chances reais de chegar à estatueta.
O problema? A plataforma dificilmente conseguirá sustentar campanhas robustas para todos eles. A escolha sobre qual produção receberá mais verba e atenção promete ser decisiva — e pode, enfim, encerrar o jejum histórico do serviço.
Quatro produções fortes na largada do Oscar 2026
Desde o início do circuito de festivais, os analistas apontam A House of Dynamite, Frankenstein, Jay Kelly e Train Dreams como as cartas mais altas da empresa na corrida por Melhor Filme. Todas surgiram respaldadas por elencos renomados, diretores premiados e recepção crítica consistente.
No Rotten Tomatoes, por exemplo, Train Dreams ostenta 98 por cento de aprovação, enquanto Frankenstein aparece com 86 por cento. Já A House of Dynamite e Jay Kelly registram 79 por cento cada, números ainda respeitáveis. Os dados do Metacritic reforçam a disputa acirrada: 85 pontos para Train Dreams, 78 para Frankenstein, 75 para A House of Dynamite e 62 para Jay Kelly.
Como cada filme chegou até aqui
A House of Dynamite, drama de Kathryn Bigelow estrelado por Anthony Ramos, chegou a Veneza cercado de expectativas e parecia o principal trunfo da Netflix. Entretanto, o fôlego diminuiu após a estreia, deixando analistas em dúvida sobre sua força real.
Já Frankenstein, versão de Guillermo del Toro para o clássico de Mary Shelley, saiu do mesmo festival com repercussão mais fria. A maré mudou em Toronto, onde o longa ficou em segundo lugar no prestigiado People’s Choice Award e ganhou novo impulso.
O nome de peso de Baumbach
Jay Kelly, dirigido por Noah Baumbach e estrelado por George Clooney, Adam Sandler e Laura Dern, aposta na popularidade do elenco para convencer os votantes. Mesmo com críticas menos entusiasmadas, o título segue bem posicionado graças ao apelo de nomes conhecidos.
Favorito da crítica
Train Dreams foi adquirido no Sundance de 2025 depois de sessões lotadas e elogios quase unânimes. O drama, com Joel Edgerton, Felicity Jones e William H. Macy, além de roteiro de Greg Kwedar, encaixa-se perfeitamente no perfil clássico que o Oscar costuma abraçar.
Dilema financeiro e estratégico para a Netflix
Manter quatro campanhas de alto nível custa caro. Viagens, eventos, anúncios impressos, peças digitais e exibições especiais fazem qualquer orçamento estourar rapidamente. Por isso, executivos avaliam concentrar recursos em dois — no máximo três — projetos.
Imagem: Imagem: Divulgação
Com A House of Dynamite perdendo tração, cresce a possibilidade de a gigante priorizar Jay Kelly e Frankenstein — decisão que agradaria a diretores influentes e elencos estrelados, garantindo boa visibilidade nas categorias principais, ainda que sem favoritismo absoluto.
Existe um caminho para a primeira vitória?
Alguns especialistas sugerem que a aposta real deveria recair sobre Train Dreams. A narrativa emocional, a aclamação quase unânime e o perfil de “filme que faz chorar” costumam seduzir a Academia. Além disso, a obra exibe o selo clássico de prestígio que falta ao histórico recente do streaming.
Entretanto, abrir mão de nomes como Clooney, Sandler ou Del Toro pode gerar atritos internos e comprometer relações futuras. É aí que o impasse se revela: conquistar o Oscar de Melhor Filme ou preservar parcerias de peso no longo prazo?
Calendário até a cerimônia
A temporada seguirá movimentada até o anúncio dos indicados, no início de 2026. Depois virão Globo de Ouro, SAG Awards e demais premiações que influenciam diretamente o humor dos votantes.
A entrega do Oscar está marcada para 15 de março de 2026, em Los Angeles, com transmissão da ABC. Até lá, muita coisa pode mudar — bastam algumas sessões de cinema e algumas manchetes para redefinir o cenário.
Por que o resultado importa além da estatueta
Para a Netflix, vencer finalmente a principal categoria do Oscar significaria legitimar seu modelo de negócios frente à indústria tradicional. Seria a prova de que um lançamento direto no streaming pode, sim, alcançar o mesmo prestígio de um grande estúdio.
Por outro lado, outro ano em branco aumentaria a pressão interna e externa, principalmente após polêmicas recentes envolvendo Emilia Pérez. O público fiel do 365 Filmes acompanha de perto essa novela hollywoodiana, torcendo para saber se 2026 será, enfim, o ano de sorte da plataforma.
