Quem gosta de sustos bem pensados teve muito o que celebrar nos últimos anos. De 2016 para cá, vários filmes de terror originais provaram que boa ideia e orçamento comedido podem render grandes histórias.
Nesta seleção, 365 Filmes destaca dez produções que levantaram plateias, arrebataram prêmios e renovaram subgêneros inteiros. Prepare-se para relembrar tramas sobre aliens silenciosos, fome canibal e vampiros surpreendentes.
X (2022)
Dirigido por Ti West, o primeiro capítulo da trilogia ambientada nos anos 1970 acompanha um grupo que aluga uma fazenda no interior do Texas para filmar uma produção adulta. A proprietária, idosa e aparentemente frágil, esconde intenções violentas que logo vêm à tona.
O clima retrô faz homenagem direta a O Massacre da Serra Elétrica, enquanto as atuações de Mia Goth — tanto como a estrela pornô Maxine quanto como a velha Pearl — injetam personalidade no slasher. Jenna Ortega, Brittany Snow e Kid Cudi completam o elenco, garantindo tensão constante.
Raw (2016)
Primeiro longa de Julia Ducournau, Raw coloca no centro Justine, caloura de veterinária e vegetariana convicta. Durante um trote, ela prova carne crua e descobre um apetite novo e perigoso, conduzindo o espectador a um mergulho perturbador no subgênero body horror.
O frescor da proposta, aliado a cenas gráficas intensas, fez o longa receber críticas entusiasmadas. A narrativa sobre desejo e identidade humana se desenrola de modo que o público percebe, já fisgado, que está diante de uma história de canibalismo.
The Substance (2024)
Coralie Fargeat levou o body horror a outro patamar com The Substance. No filme, uma atriz de 50 anos vê a carreira minguar até testar uma fórmula capaz de criar uma versão rejuvenescida dela mesma. Com Demi Moore no papel da diva madura e Margaret Qualley como o reflexo jovem, o enredo questiona vaidade e indústria do entretenimento.
Os efeitos práticos surpreendem pelo exagero e pelas reviravoltas visuais. O resultado rendeu a Moore o Globo de Ouro de Melhor Atriz e consolidou Fargeat como nome quente do horror contemporâneo.
A Quiet Place (2018)
John Krasinski largou a comédia de The Office para dirigir e estrelar este sucesso de bilheteria. Aqui, o mundo está infestado por criaturas cegas, guiadas exclusivamente pelo som. A família Abbott precisa viver em silêncio absoluto para não ser devorada.
Com orçamento modesto, o longa faturou quase US$ 350 milhões e chegou a 96% no Rotten Tomatoes. Emily Blunt venceu o SAG Awards, e o filme virou exemplo perfeito de como filmes de terror originais podem conquistar públicos diversos.
Talk to Me (2022)
A estreia em longa dos gêmeos Danny e Michael Philippou saiu do YouTube direto para o topo das conversas de terror. Um grupo de adolescentes descobre uma mão embalsamada que permite conversar com espíritos; basta segurá-la e dizer “fale comigo”.
Só que o jogo perde o controle quando um dos garotos permanece conectado tempo demais. A violência gráfica choca, mas é o drama envolvendo a protagonista Mia, vivida por Sophie Wilde, que faz o público se importar com cada consequência sobrenatural.
Imagem: Imagem: Divulgação
Train to Busan (2016)
Quase dez anos depois do lançamento, Invasão Zumbi — título nacional — segue viralizando em plataformas de streaming. A premissa é simples: um pai e a filha embarcam em trem rumo a Busan quando irrompe um surto zumbi. O vagão vira armadilha claustrofóbica.
Com ação acelerada e personagens carismáticos, o diretor Yeon Sang-ho equilibra sustos, emoção e comentários sociais. Difícil não torcer por Ma Dong-seok e seu Yoon Sang-hwa enquanto hordas de mortos cercam cada estação.
Weapons (2025)
Depois de Barbarian, Zach Cregger voltou aos holofotes com Weapons. A cidadezinha do enredo mergulha no caos quando 17 crianças, exatamente às 2h17, saem correndo de casa e somem na escuridão. A narrativa não linear revela peças desse mistério de forma instigante.
O filme apresentou um novo vilão marcante, arrecadou cifras robustas e provou que a onda de filmes de terror originais continua forte mesmo em 2025.
Hereditary (2018)
Ari Aster estreou no cinema com essa história sobre luto familiar que rapidamente se transforma em algo muito mais sinistro. A morte da avó desencadeia acontecimentos perturbadores e um dos plot twists mais comentados dos últimos anos.
Toni Collette entrega atuação de cair o queixo como Annie, matriarca em colapso. Muitas cenas permanecem na memória do público — e nos pesadelos — graças à construção meticulosa de medo atmosférico.
Sinners (2025)
Ryan Coogler, conhecido por Pantera Negra, fez sua estreia no terror com Sinners e emplacou bilheteria global acima de US$ 350 milhões. A trama começa como drama criminal e, na metade, revela-se epopeia vampiresca, lembrando a virada de Um Drink no Inferno.
Michael B. Jordan interpreta os gêmeos Smokestack em dupla performance elogiada. Além de suspense, o filme funciona como celebração da cultura negra, coroado por uma sequência musical que já virou icônica.
Get Out (2017)
Fechando a lista de filmes de terror originais, o debut de Jordan Peele transformou completamente o gênero. No enredo, Chris (Daniel Kaluuya) visita a família da namorada branca e descobre um esquema macabro contra pessoas negras.
Lançado em 2017, Get Out arrecadou mais de US$ 250 milhões e mantém 98% de aprovação no Rotten Tomatoes. Além disso, levou o Oscar de Melhor Roteiro Original, marca rara para filmes de terror, e consolidou Peele como voz indispensável no cinema atual.
