É fácil lembrar de Matthew Lillard como o histérico Stu de Pânico ou como o Shaggy definitivo de Scooby-Doo. Porém, três décadas atrás, o ator já mostrava um talento afiado em uma comédia obscura que se tornou cult.
Em 1994, Serial Mom colocou Lillard ao lado de lendas como Kathleen Turner e Sam Waterston. O longa de John Waters não apenas revelou seu potencial, mas hoje serve de argumento contra as críticas recentes de Quentin Tarantino.
O que Quentin Tarantino disse sobre Matthew Lillard
Durante participação no The Bret Easton Ellis Podcast, Tarantino afirmou que “não gosta” do trabalho de Matthew Lillard — opinião que, embora pessoal, repercutiu negativamente nas redes. O diretor de Pulp Fiction ainda chamou Paul Dano de “o pior ator do SAG”.
Lillard respondeu que os comentários “machucam” e recebeu apoio de colegas, incluindo James Gunn, roteirista de Scooby-Doo. A discussão reacendeu o interesse por fases menos lembradas da carreira do ator.
Serial Mom: a comédia sombria que revelou Lillard
Lançado em 13 de abril de 1994, Serial Mom acompanha Beverly Sutphin, dona de casa suburbana que elimina quem ousa contrariar sua família. Kathleen Turner vive a matriarca assassina; Sam Waterston interpreta o marido Eugene; e os filhos Misty e Chip ganham vida nas atuações de Ricki Lake e Matthew Lillard.
Aos 24 anos, Lillard encarnou Chip, adolescente fissurado em filmes de terror. A produção, repleta de humor ácido, recebeu críticas medianas à época, mas ganhou status de cult com o passar dos anos. Roger Ebert elogiou a sátira, embora apontasse o desconforto de rir dos crimes de Beverly.
Aprendizado em um set lendário
Em entrevista ao Collider, Lillard classificou Serial Mom como um divisor de águas: “Estar num set com Kathleen Turner, Sam Waterston e John Waters colocou a mesa para o resto da minha vida”. A experiência lhe rendeu confiança e visibilidade para conquistas futuras.
Do cult ao mainstream: dois anos até Pânico
Em 1996, Wes Craven escalou Matthew Lillard como Stu Macher em Pânico. A reviravolta final revelou Stu como um dos Ghostfaces, elevando Lillard a sensação do terror teen. O ator deverá reaparecer na próxima sequência da franquia, possivelmente em flashbacks ou visões.
O sucesso em Pânico abriu portas para outros papéis marcantes, como SLC Punk! e Shaggy em Scooby-Doo (2002). Mesmo assim, parte da crítica ainda subestima sua versatilidade cinematográfica.
Outros trabalhos que contestam a crítica
Além das bilheterias, Matthew Lillard deixou sua marca na TV. Em 2009, no episódio Ballerina de Law & Order: Special Victims Unit, contracenou com a veterana Carol Burnett. A performance rendeu a Burnett indicação ao Emmy, enquanto Lillard recebeu elogios por igualar a intensidade da estrela.
Imagem: Everett Collecti
Mais recentemente, ele participou de Five Nights at Freddy’s (2023) e retorna na continuação prevista para 2025. O ator também integra a adaptação de The Life of Chuck, conto de Stephen King em produção.
Carreira longeva e multifacetada
Desde 1990, quando apresentou o programa SK8-TV na Nickelodeon, Lillard transita entre terror, comédia e drama. Ghoulies III marcou sua estreia no cinema, mas foi Serial Mom que validou seu talento diante de críticos e colegas.
Por que Serial Mom merece (re)descoberta
No longa de John Waters, cada assassinato de Beverly Sutphin responde a ofensas banais, do uso indevido do interfone a críticas escolares sobre Chip. O humor negro desafia convenções e faz do filme um retrato satírico da vida suburbana norte-americana.
Para quem acompanha o 365 Filmes, rever Serial Mom é oportunidade de notar a química entre Turner e Lillard, além de observar como o ator já dominava o timing cômico que mais tarde marcaria seus papéis em SLC Punk! e Scooby-Doo.
Detalhes técnicos do filme
Diretor: John Waters | Duração: 94 minutos | Gêneros: Comédia, Crime | Classificação: R (EUA) | Estreia: 13/04/1994
Entre o reconhecimento cult e a crítica pública
A fala de Tarantino expôs o contraste entre a admiração do público por obras como Serial Mom e o desprezo manifestado pelo cineasta. Enquanto isso, a base de fãs de Matthew Lillard cresce, impulsionada por novas gerações que o conhecem através de Five Nights at Freddy’s.
Trinta e um anos depois de Serial Mom, permanece evidente que Lillard se consolidou como ator versátil, capaz de transitar do horror sangrento ao humor nonsense sem perder o carisma. Ao revisitar esse clássico, o espectador entende por que tantos defendem que Tarantino subestima seu talento.
