Quando o showrunner Chris Mundy descreveu Lanternas como um buddy cop show tanto quanto uma série de super-heróis, pouca gente imaginava que a afirmação se provaria tão literal. O terceiro episódio, chamado “OutKast”, pausa o mistério central da temporada para mergulhar na infância de John Stewart e entrega uma das origens mais perturbadoras já construídas para um personagem do DC.
O que parecia uma história de determinação pessoal se revela algo bem mais sombrio: John não chegou ao anel por talento ou destino. Ele foi, em alguma medida, fabricado para chegar até lá. E isso muda a leitura de cada cena anterior.
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Atenção: este texto contém spoilers do terceiro episódio de Lanternas.
O pai que falhou e o filho que foi moldado no lugar
A reviravolta começa com John Stewart Sr., interpretado por J. Alphonse Nicholson. Quando o anel de Abin Sur pousou na Terra em busca de um substituto, ele considerou o pai de John antes de encontrar Hal Jordan (Kyle Chandler). O problema foi o medo. John Sr. hesitou durante o processo de seleção e foi descartado. A experiência nunca o abandonou e ajuda a explicar os traumas que marcariam toda a sua vida.
Logo depois, um dos Guardiões foi até a família Stewart com uma proposta fria: se os pais criassem John sem medo, as características genéticas do menino o tornariam um candidato ideal ao anel no futuro. A partir dali, a infância de John virou um experimento. Seus próprios pais o colocaram em situações de risco deliberadamente, testando como ele reagia à pressão e ao perigo.
A Esquire descreveu John nesse episódio não como um herói em formação, mas como uma vítima. É uma leitura difícil de contestar. A série deixa claro que a força de vontade que sempre definiu o personagem nos quadrinhos, aquela determinação quase inabalável, não nasceu espontaneamente. Foi cultivada com método e, a depender da interpretação, com crueldade.
O que muda na relação entre John, Hal e os Guardiões
James Gunn comparou Lanternas a uma versão espacial de True Detective. O terceiro episódio entende essa proposta melhor do que qualquer outro até aqui: não é o crime que está no centro, mas o peso do que os personagens carregam antes de chegarem a cena.
Para John, esse peso ficou ainda mais concreto. Há uma cena, ainda durante seu tempo nos fuzileiros navais, que costura passado e presente com precisão: após nove meses em missão para abater um alvo ultrassecreto, Hal Jordan apareceu do nada, explodiu o local e levou o criminoso. John recebeu uma dispensa desonrosa. A raiva ficou. A admiração, curiosamente, também.
Esse detalhe importa porque a série não está apenas construindo uma origem. Está preparando um conflito real. Os Guardiões demonstram, já desde o início da temporada, interesse em substituir Hal. John não entrou por acaso na órbita do veterano. Ele foi posicionado para chegar exatamente ali. A pergunta que Lanternas começa a formular é brutal: quando John souber de tudo isso, o que vai fazer com essa informação?
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