Era questão de tempo até Guillermo del Toro tirar do papel seu sonho de adaptar Frankenstein, clássico de Mary Shelley. A produção da Netflix, marcada para 17 de outubro de 2025, já possui elogios ao visual, porém enfrenta críticas por apostar em caminhos muito seguros.
Apesar do recorde de aprovação do público no Rotten Tomatoes para o cineasta, a obra tem sido apontada como exemplo de como Hollywood prefere revisitar histórias conhecidas em vez de arriscar em roteiros inéditos. O 365 Filmes traz um panorama completo sobre o longa, expectativas de premiação e o debate sobre a onda de remakes.
Elenco de peso e direção alinhada ao terror gótico
A nova versão conta com Oscar Isaac como Victor Frankenstein, Jacob Elordi interpretando a Criatura e Mia Goth no papel de interesse amoroso que atravessa diferentes núcleos da trama. Christoph Waltz, Felix Kammerer e Lars Mikkelsen reforçam o elenco, que totaliza 18 nomes confirmados.
O filme traz a marca registrada de Guillermo del Toro: cenários sombrios, criaturas detalhadas e forte atenção à fotografia. O diretor divide o roteiro com a própria Mary Shelley, creditada pela obra original de 1818, enquanto J. Miles Dale e Scott Stuber assumem a produção executiva.
Fidelidade quase literal ao romance
Na história, Victor Frankenstein dedica a vida a derrotar a morte após perder a mãe ainda jovem. Seu experimento de costurar partes de cadáveres cria um ser que, rejeitado pelo “pai”, parte em busca de vingança. O longa mantém a essência, mas remove ou adiciona personagens considerados secundários no texto de Shelley.
Segundo primeiras impressões, a narrativa repete quase todos os eventos conhecidos do público que leu o livro ou assistiu outras adaptações. A crítica aponta que a abordagem conservadora diminui o impacto emocional que tornou o romance tão influente.
Produção técnica mira nas estatuetas do Oscar
Mesmo com ressalvas sobre originalidade, Frankenstein surge como forte candidato em categorias técnicas. Especialistas projetam indicações em direção de arte, figurino, maquiagem, efeitos visuais e fotografia. O tempo total de 149 minutos contribui para exibir o capricho plástico em cada cena.
Enquanto permanece incerto se chegará às categorias de atuação ou roteiro, a estética gótica assinada por del Toro deve alcançar o mesmo reconhecimento concedido a obras anteriores do cineasta, como A Forma da Água.
Troca de protagonista chamou atenção
Originalmente anunciado, Andrew Garfield deixou o projeto, dando lugar a Jacob Elordi. A mudança foi vista como escolha segura do estúdio para garantir apelo junto ao público jovem. Críticos, no entanto, elogiaram o desempenho de Elordi, apontando-o como um dos melhores de sua carreira.
Imagem: Imagem: Divulgação
Reflexo do domínio dos remakes no mercado
Frankenstein chega num cenário em que produções baseadas em propriedades intelectuais consagradas têm dominado as bilheterias. Títulos recentes, como a nova versão de Nosferatu, seguem lógica semelhante: revisitar clássicos com grande potencial de público e retorno financeiro.
O caso contrasta com investimentos mais tímidos em projetos originais, como One Battle After Another, citados como arriscados por não garantirem lucro imediato. Para especialistas, o sucesso comercial de Frankenstein pode consolidar essa preferência dos estúdios.
Cultura do “jogo seguro”
Analistas observam que a positividade crítica a remakes, mesmo quando eles pouco acrescentam ao debate artístico, reforça a sensação de que refazer histórias conhecidas é caminho menos arriscado do que apostar em narrativas inéditas. O filme de del Toro, descrito como “resumo luxuoso” do livro, exemplifica tal tendência.
Detalhes oficiais da produção
Título original: Frankenstein
Gêneros: Drama, Terror, Ficção Científica
Classificação indicativa: 16 anos
Data de estreia: 17 de outubro de 2025
Duração: 149 minutos
Direção: Guillermo del Toro
Roteiro: Guillermo del Toro, Mary Shelley
Produtores: J. Miles Dale, Guillermo del Toro, Scott Stuber
Elenco principal: Oscar Isaac, Jacob Elordi, Mia Goth, Christoph Waltz, Felix Kammerer, David Bradley, Lars Mikkelsen, Christian Convery, Burn Gorman, Ralph Ineson, entre outros
Expectativa de público e recepção inicial
A alta pontuação preliminar do público no Rotten Tomatoes demonstra entusiasmo, impulsionado pelo nome de del Toro e pela estética refinada. Entretanto, parte da audiência relatou sensação de distanciamento emocional, efeito atribuído à narrativa quase literal do romance de Shelley.
Com bilheteria promissora e apelo visual, Frankenstein deve ampliar o debate sobre a predominância de produções baseadas em franquias ou clássicos literários. Resta acompanhar se, até a estreia, ajustes serão feitos para equilibrar fidelidade ao texto original com ousadia criativa.
