Megalopolis, ficção científica que consumiu US$ 120 milhões do próprio bolso de Francis Ford Coppola, passou quase despercebida na bilheteria de 2024.
Dois anos depois, o cineasta não desistiu de sua ambiciosa obra e anunciou um relançamento exclusivo para 1º de janeiro de 2026, em salas selecionadas da rede Alamo Drafthouse.
A ideia, segundo Coppola, é tornar o longa um “ponto de apoio” para discussões sobre sociedade e humanidade a cada início de ano.
Enquanto a crítica segue dividida, o diretor aposta em sessões recorrentes, mantendo o título fora do streaming e da mídia física.
Relançamento de Megalopolis: o que muda em 2026?
O cineasta revelou a novidade pelas redes sociais, pegando de surpresa quem já dava Megalopolis como caso encerrado. O retorno acontecerá em 11 cidades dos Estados Unidos, todas com salas Alamo Drafthouse, conhecidas por exibições voltadas a cinéfilos.
Coppola pretende repetir a estratégia anualmente, sempre no primeiro dia do ano. A visão dele é simples: transformar a data em um momento de reflexão coletiva sobre os temas orbitando o enredo, que mescla referências da Roma Antiga a uma Nova York alternativa de futuro próximo.
Por que Coppola insiste em Megalopolis?
Apesar de ter arrecadado apenas US$ 14 milhões, o diretor de 85 anos afirma que a trajetória do filme seguirá os passos de Apocalypse Now, seu clássico de 1979 que também enfrentou recepção turbulenta antes de se consolidar. “O público nunca parou de assistir, e até hoje o filme continua lucrando”, disse ele em entrevista anterior.
Coppola acredita que o contexto político recente dos Estados Unidos impulsionou o interesse tardio pelo longa, descrito por alguns críticos como “profético” por comparar a sociedade norte-americana à decadência romana.
Manter distância do streaming é parte do plano
Em maio de 2025, em conversa com a revista GQ, Coppola defendeu a escolha de não vender nem exibir Megalopolis em plataformas digitais ou em Blu-ray. Segundo ele, enquanto houver procura nos cinemas, a experiência deve permanecer exclusiva da tela grande.
Reação do público e da crítica permanece dividida
Com 45% de aprovação no Rotten Tomatoes, o filme desperta amor e ódio. Alguns apontam falhas de ritmo e relatos de bastidores conturbados – desde demissões na equipe de arte até acusações de comportamento inadequado com figurantes. Outros, como a análise do site ScreenRant, definem Megalopolis como “uma conquista cinematográfica que estimula todos os sentidos”.
A polarização é evidente nas sessões que ainda acontecem esporadicamente. Lotação esgotada em algumas cidades contrasta com salas vazias em outras, reforçando o misto de curiosidade e resistência que cerca o projeto.
Imagem: Imagem: Divulgação
Alamo Drafthouse apoia a iniciativa
A rede texana de cinemas, famosa por regras rígidas contra uso de celular durante a exibição, oferece ambiente ideal para quem quer mergulhar na visão de Coppola sem interrupções. Serão 11 localidades participantes, embora a lista completa ainda não tenha sido divulgada.
Resumo financeiro de Megalopolis
- Orçamento: US$ 120 milhões, todos vindos do bolso do diretor.
- Bilheteria em 2024: US$ 14 milhões.
- Lucro até agora: distante do ponto de equilíbrio.
- Meta de longo prazo: transformar o longa em evento anual que gere receita contínua.
Comparação com Apocalypse Now
Coppola recorda que Apocalypse Now também dividiu críticas na estreia, mas ganhou status de obra-prima com o tempo. A aposta é que Megalopolis trilhe caminho similar, impulsionada por relançamentos cíclicos e pelo boca a boca.
A diferença, claro, está no modelo de distribuição atual: enquanto Apocalypse Now chegou ao home video rapidamente, Megalopolis permanece inacessível fora das salas escuras, estratégia que pode tanto alimentar o misticismo quanto limitar o alcance.
Megalopolis pode virar tradição de Ano-Novo?
A proposta de discutir “o aprimoramento da sociedade e da humanidade” todo dia 1º de janeiro ainda soa ousada. No entanto, se depender da persistência de Coppola e do interesse crescente por experiências cinematográficas exclusivas, o objetivo pode ganhar tração nos próximos anos.
Para quem acompanha o mercado, inclusive leitores do 365 Filmes, a movimentação sugere um teste de fogo: haverá público suficiente para manter viva essa tradição?
Próximos passos e expectativa
Ingressos, horários e cidades participantes deverão ser anunciados nos próximos meses. Enquanto isso, colecionadores e fãs seguem sem perspectiva de adquirir o filme para assistir em casa.
Coppola, por sua vez, mantém firme a convicção de que Megalopolis “resistirá ao teste do tempo”, trajetória que o cineasta espera repetir a partir já do primeiro dia de 2026.
Aguardemos o Ano-Novo para descobrir se a ousadia do diretor realmente transforma o longa em ponto de partida para debates anuais sobre o futuro da civilização.
