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Filme Hamnet: o recurso mais irritante vira a ideia mais poderosa da nova obra de Chloé Zhao

Por Matheus Amorim4 Minutos de leitura

Chloé Zhao leva para o cinema o premiado romance de Maggie O’Farrell em Hamnet, mas inclui um detalhe inédito: a recitação literal de trechos famosos de Shakespeare.

À primeira vista, essa escolha parece gratuita e até incômoda. Porém, à medida que a trama avança, o recurso se revela peça-chave para discutir luto, memória e poder do teatro.

O que é o filme Hamnet?

O filme Hamnet adapta o best-seller lançado em 2020, centrado em Agnes, esposa de um jovem William Shakespeare. A narrativa mostra o casal lidando com a morte do filho Hamnet e sugere que a tragédia inspirou o dramaturgo a escrever Hamlet poucos anos depois.

No livro, Shakespeare não é nomeado; aparece apenas como “o marido”. Zhao mantém o foco em Agnes, mas deixa claro quem ele é e, em determinados momentos, coloca frases célebres de Romeu & Julieta e Hamlet na boca do personagem.

Por que as citações de Shakespeare chamam atenção

São duas cenas que causam estranhamento. Em uma, após um dia romântico com Agnes, o jovem autor olha pela janela, anota “Que luz se rompe por aquela janela?” e revela que ali nasceu Romeu & Julieta. Em outra, diante do Tâmisa, ele solta “Ser ou não ser?” enquanto pondera pular no rio.

A escolha lembra o clichê de cinebiografias musicais: o artista ouve uma frase solta, acende a lâmpada da inspiração e compõe o maior hit da carreira. No caso de Hamnet, esse atalho narrativo gera desconforto, mas também planta a semente de um tema maior.

Ritual, arte e sentimento no coração do roteiro

A herança de Agnes

Desde pequena, Agnes aprende com a mãe um cântico para memorizar propriedades medicinais de plantas. Ela repete a reza ao longo da vida, ensinando o irmão e, mais tarde, os filhos. O filme mostra o ritual como ponte simbólica entre vivos e mortos: recitar as palavras invoca a presença de quem partiu.

O processo do marido

Já o marido traduz sensações em versos. Quando se lembra do primeiro amor juvenil, surge Romeu & Julieta; ao afundar na dor de pai enlutado, nasce Hamlet. Zhao exibe ensaios do dramaturgo com a companhia: ele exige que os atores “sintam” o texto, não apenas repitam. É a mesma lógica de Agnes, mas aplicada à arte.

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Imagem: Imagem: Divulgação

Final de Hamnet e a força do coletivo

O clímax ocorre numa apresentação de Hamlet. Agnes percebe que o marido criou a peça para trocar de lugar com o filho: no palco, é o pai quem vira fantasma, enquanto o jovem príncipe ganha voz. O público assiste sem saber dessa camada íntima, mas sente a emoção crua que emana da interpretação.

No cinema, Zhao amplia o trecho da peça. Quando Hamlet pronuncia suas últimas palavras, Agnes toca a mão do ator, gesto repetido por toda a plateia. A cena evidencia a ideia central do filme Hamnet: arte e ritual podem transformar uma dor privada em experiência coletiva, mesmo para quem nunca conheceu Hamnet.

Ficha técnica e data de estreia

Direção: Chloé Zhao

Roteiro: Chloé Zhao e Maggie O’Farrell

Elenco principal: Jessie Buckley (Agnes) e Paul Mescal (Will)

Gêneros: Drama, romance

Duração: 126 minutos

Classificação indicativa: PG-13

Estreia nos EUA: 26 de novembro de 2025

A produção conta ainda com nomes como Liza Marshall, Pippa Harris, Sam Mendes, Steven Spielberg, Nicolas Gonda e Caroline Reynolds na equipe de produtores executivos.

Por que vale ficar de olho

Para quem curte novelas históricas e doramas carregados de emoção, o filme Hamnet oferece uma mistura de romance, luto e metalinguagem teatral. A obra promete cativar tanto leitores do livro de O’Farrell quanto cinéfilos que acompanham a carreira de Zhao.

O 365 Filmes acompanhará de perto cada novidade sobre o longa. Até lá, resta ao público decidir: o recurso de citar Shakespeare irrita ou intensifica a mensagem? A resposta só chegará quando as luzes da sala escurecerem e o ritual coletivo do cinema começar.

Matheus Amorim

Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes. Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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