Esta Sou Eu estreou na Netflix hoje, 10/02, e chega como um daqueles filmes que não tentam “chocar” para chamar atenção: preferem tocar. A produção japonesa mistura drama, biografia, romance e musical para contar uma trajetória marcada por preconceito, resistência e uma vontade insistente de viver com verdade, mesmo quando o mundo responde com frieza.
Baseado na autobiografia de Haruna Ai, o longa acompanha Kenji, um garoto que enfrenta olhares hostis e julgamentos constantes, mas não abre mão do sonho de brilhar nos palcos. O que dá força ao filme é o recorte: além da jornada de Kenji até se tornar Haruna Ai, conhecida por suas imitações de Aya Matsuura, a história destaca o vínculo com o Dr. Koji Wada, médico responsável por sua cirurgia de redesignação sexual, tema tratado com cuidado e sem sensacionalismo.
Do que se trata Esta Sou Eu e por que o filme chama atenção na Netflix
A narrativa apresenta um protagonista que vive em atrito com o entorno desde cedo. Kenji não precisa apenas descobrir quem é. Precisa sobreviver ao caminho até isso. O filme mostra como o preconceito não aparece só em agressões explícitas, mas também em silencios, portas fechadas e na sensação constante de estar sendo observado como “algo errado”.
Ao mesmo tempo, Esta Sou Eu evita reduzir a história a sofrimento. Existe palco, existe brilho, existe desejo de reconhecimento. O musical entra como linguagem emocional: quando as palavras falham ou quando a realidade pesa demais, a música vira uma forma de dizer o que não cabe em conversa comum. Para o público, esse equilíbrio ajuda a transformar uma biografia em experiência, não em lição.
Direção e roteiro: sensibilidade em um tema difícil
Dirigido por Yusaku Matsumoto e escrito por Masahiro Yamaura, o filme escolhe um tom de respeito e intimidade. A ideia não é “explicar” a identidade do protagonista como se fosse um debate, e sim acompanhar como a vida vai moldando escolhas, afetos e feridas. Isso é decisivo, porque histórias sobre transição de gênero muitas vezes são tratadas de maneira fria ou didática. Aqui, o foco está no humano.
O roteiro também ganha quando coloca o Dr. Koji Wada como figura central. Em uma época em que o assunto era ainda mais tabu, o vínculo entre paciente e médico aparece como espaço de escuta, acolhimento e responsabilidade. Não se trata apenas de um procedimento. Trata-se de um marco de vida, com medo, esperança e consequências. A coragem do filme está em tratar isso com seriedade, sem transformar o tema em “plot twist”.
Elenco e personagens: performances que sustentam a jornada
O protagonista, vivido por Haruki Mochizuki, é o ponto de equilíbrio do filme. A atuação precisa sustentar duas camadas ao mesmo tempo: a vulnerabilidade de quem apanha do mundo e a determinação de quem não abre mão do próprio sonho. Esse tipo de papel exige controle emocional, porque o personagem não pode virar apenas símbolo. Precisa ser pessoa, com contradições, impulso e silêncio.
Takumi Saito aparece como peça importante no núcleo dramático, ajudando a costurar os conflitos de afeto e pertencimento que cercam Kenji. Já Megumi e Seiji Chihara reforçam o ambiente social ao redor do protagonista, mostrando diferentes reações à sua existência: acolhimento em alguns momentos, julgamento em outros, e aquela neutralidade fria que também machuca.
O que torna Esta Sou Eu diferente dentro do catálogo
O catálogo da Netflix tem muitos dramas biográficos, mas nem todos conseguem equilibrar exposição e sensibilidade. Esta Sou Eu se destaca por tratar a história como jornada de dignidade, não como vitrine de sofrimento. Existe dor, existe conflito, mas existe também humor, desejo, vaidade artística e a ambição legítima de ser visto do jeito certo.
Outro ponto é a escolha de enfatizar o palco. O sonho de brilhar não aparece como fantasia infantil, e sim como projeto de vida. A narrativa coloca a arte como sobrevivência: quando a sociedade tenta reduzir Kenji a um rótulo, ele responde com presença, performance e insistência em existir.

Vale a pena assistir Esta Sou Eu na Netflix?
Vale, especialmente para quem gosta de dramas biográficos que priorizam emoção e humanidade. É um filme longo, com 2h10, mas a proposta justifica o tempo: acompanhar uma transformação que não é só física, é social e afetiva. E o cuidado com o tema torna a experiência mais acolhedora do que pesada.
Para acompanhar mais estreias e dramas do catálogo, dá para navegar por Netflix e pela editoria de críticas no 365 Filmes. Esta Sou Eu chega com a força de uma história que não pede permissão para existir e, justamente por isso, encontra espaço para emocionar.
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