Numa conversa franca para promover o documentário Being Eddie, Eddie Murphy revelou a decisão profissional que mais o atormenta: ter dito “não” a Ghostbusters em 1984. O comediante afirmou que a oferta surgiu junto de Um Tira da Pesada, e ele acabou escolhendo o policial de Detroit em vez dos caçadores de fantasmas.
A confissão veio durante entrevista à Associated Press e faz parte do rescaldo de mais de 40 anos de carreira, tema central do longa disponível na Netflix. Murphy contou que ainda lamenta ter recusado outros dois projetos que se transformaram em fenômenos de bilheteria: Rush Hour e Uma Cilada para Roger Rabbit.
O convite para Ghostbusters e a decisão de optar por Um Tira da Pesada
Eddie Murphy deixou claro que, na época, precisou decidir rapidamente entre dois roteiros que chegavam quase juntos às suas mãos. De um lado, Ghostbusters, produzido pela Columbia Pictures; de outro, Um Tira da Pesada, que se transformaria numa das marcas registradas do ator.
Segundo ele, o impasse foi resolvido de forma pragmática. “Era um ou outro, então fui de Tira da Pesada”, explicou. O filme de ação e comédia lançado em 1984 arrecadou US$ 316 milhões e deu origem a três continuações, além de um novo capítulo em desenvolvimento. Mesmo assim, Murphy admite que a recusa do convite para caçar fantasmas permanece como o maior “e se” da sua trajetória.
Qual papel seria de Eddie Murphy em Ghostbusters?
O comediante não revelou qual dos quatro protagonistas caberia a ele — Bill Murray (Peter Venkman), Dan Aykroyd (Ray Stantz), Harold Ramis (Egon Spengler) ou Ernie Hudson (Winston Zeddemore). Há décadas circulam rumores de que o estúdio pensava em Murphy para viver Winston, personagem que acabou nas mãos de Hudson, mas o ator nunca confirmou a informação.
Outros arrependimentos: Rush Hour e Roger Rabbit
Além de Ghostbusters, Eddie Murphy confessou que declinar Rush Hour, de 1998, é outro espinho na carreira. A buddy movie protagonizada por Jackie Chan e Chris Tucker faturou mais de US$ 244 milhões e consolidou um trio de filmes. “Foi um sucesso gigantesco, e eu poderia ter feito parte disso”, disse, sem entrar em detalhes sobre o papel oferecido.
O terceiro título da lista de arrependimentos é Uma Cilada para Roger Rabbit, mistura de live-action com animação dirigida por Robert Zemeckis em 1988. No auge do sucesso, Murphy considerou o conceito “estranho demais” e deixou a oportunidade passar. Depois de assistir ao resultado final, mudou de ideia: “Pensei: isso é absolutamente incrível”.
Por que esses filmes fazem tanta falta ao ator?
A resposta, nas palavras dele, é simples: “Foram filmes enormes, sucessos estrondosos”. O trio de títulos somado ultrapassa US$ 1 bilhão em bilheteria global, sem contar o valor cultural que carregam até hoje. Para um artista que coleciona hits, Eddie Murphy reconhece que cada escolha molda a carreira — para o bem ou para o arrependimento.

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Norbit: a exceção na lista de lamentos
Se Ghostbusters, Rush Hour e Roger Rabbit entraram para o hall dos arrependimentos, Norbit ficou de fora. Lançado em 2007, o longa recebeu apenas 9% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes e foi apontado como o motivo de Murphy ter perdido o Oscar de ator coadjuvante por Dreamgirls naquele mesmo ano.
Mesmo assim, o astro defende o projeto com unhas e dentes. “Eu amo Norbit”, afirmou, lembrando que escreveu o roteiro ao lado do irmão, Charlie Murphy. “As pessoas comparavam Norbit com Dreamgirls, mas são filmes completamente diferentes.” Para ele, o humor escrachado continua engraçado, apesar das avaliações negativas.
Being Eddie: um mergulho de 40 anos em Hollywood
O documentário da Netflix reúne depoimentos de nomes de peso como Dave Chappelle, Chris Rock, Jerry Seinfeld, Arsenio Hall, Pete Davidson e o diretor John Landis para traçar a trajetória de Eddie Murphy desde os dias em Saturday Night Live até o reconhecimento como astro global.
Durante pouco mais de duas horas, a produção reconta cada alta e baixa de uma carreira que passa por Shrek, Mulan, Professor Aloprado e, claro, Um Tira da Pesada. É nesse contexto que surge a revelação do “maior arrependimento” ao recusar Ghostbusters — informação perfeita para prender a atenção de fãs de cinema, inclusive os leitores do 365 Filmes.
Legado e futuro do ator
Aos 63 anos, completados em 3 de abril, o humorista nascido no Brooklyn mantém ritmo de trabalho intenso. Um Tira da Pesada 4 está em pós-produção, e ele ainda negocia novos projetos de comédia stand-up para plataformas de streaming.
Mesmo carregando o peso de ter recusado papéis milionários, Eddie Murphy segue como um dos nomes mais influentes de Hollywood. E, se depender do público, a curiosidade sobre o que poderia ter sido se ele tivesse topado Ghostbusters jamais vai desaparecer.
