“Being Eddie”, novo documentário da Netflix, promete revelar o homem por trás do astro Eddie Murphy, porém entrega um retrato quase exclusivamente elogioso, segundo críticas internacionais.
Dirigido pelo montador vencedor do Oscar Angus Wall, o longa reúne depoimentos do próprio Murphy e de celebridades próximas, mas deixa de lado episódios polêmicos e períodos menos brilhantes da carreira do comediante.
Proposta e formato de Being Eddie
Produção de Wall em sua estreia como diretor, Being Eddie chega ao catálogo da Netflix em 12 de novembro de 2025. É o quinto projeto do ator na plataforma desde “Meu Nome é Dolemite” (2019). O filme segue o formato de depoimentos em primeira pessoa, intercala imagens de arquivo e, na maior parte do tempo, cede o protagonismo ao próprio Murphy para narrar sua trajetória.
O título sugere intimidade, mas o documentário prefere enaltecer conquistas. Dave Chappelle, também contratado da Netflix, compara-se a LeBron James e define Murphy como “Michael Jordan” da comédia. Já o crítico Elvis Mitchell afirma que o artista “mudou o mundo” ao lado de Michael Jackson, Prince e Whitney Houston.
Contrato milionário e relação com a Netflix
Being Eddie integra um acordo estimado em 70 milhões de dólares, valor que Murphy teria acertado com a Netflix para retornar ao stand-up, ausente desde o icônico “Raw”, de 1987. Esse contexto reforça a percepção de que a produção funciona como peça de relações públicas prolongada, segundo parte da imprensa especializada.
Além de “Meu Nome é Dolemite”, o astro também lançou na plataforma títulos como “Um Príncipe em Nova York 2” e a comédia de Natal “O Nascimento de Um Papai Noel”, consolidando sua parceria com o serviço de streaming.
Elogios ao legado de Eddie Murphy
O documentário recapitula a ascensão meteórica do comediante: ingresso no elenco de “Saturday Night Live” aos 19 anos, estreia no cinema em “48 Horas” aos 21 e primeiro especial de stand-up aos 22. A obra destaca que, durante os anos 1980, Murphy tornou-se o ator negro mais reconhecido de Hollywood, abrindo caminho para nomes como Kevin Hart, Chris Rock, Tracy Morgan e Kenan Thompson.
Momentos marcantes, como a pele vermelha de couro usada no especial “Delirious”, a bilheteria estrondosa de “Um Tira da Pesada” e o protagonismo em sucessos como “O Professor Aloprado” e “Norbit”, também ganham espaço. O filme lembra ainda que Murphy aproveitou seu prestígio para dar visibilidade a colegas afro-americanos em produções como “Boomerang – O Jogo do Amor” e “Harlem Nights”.
Ausência de assuntos controversos
Enquanto exalta o legado, Being Eddie evita temas delicados. Não há discussão aprofundada sobre o teor homofóbico e sexista de “Raw”, nem sobre a sequência de fracassos de bilheteria na década de 1990 e início dos anos 2010. Tracee Ellis Ross chega a reinterpretar esses projetos menos bem-sucedidos como reflexo do compromisso de Murphy com a família.
Imagem: Imagem: Divulgação
Também ficam de fora passagens como a prisão por solicitação de serviço sexual a uma trabalhadora trans, Atisone Seiuli, em 1997, e a paternidade de dez filhos com cinco mulheres diferentes, incluindo anos de negação de uma das filhas. Mesmo questões pessoais, como transtorno obsessivo-compulsivo, paranoia e o assassinato do pai quando o ator tinha oito anos, são abordadas apenas de maneira superficial.
Retrato familiar e imagem de “bom pai”
Em um segmento estendido, o filme foca na relação de Murphy com os filhos. O tom publicitário, apontado pelos críticos, ressalta o caráter afetuoso do ator, mas não menciona os aspectos controversos de sua vida familiar. Esse recorte reforça a ideia de hagiografia por omissão.
John Landis, diretor de “Trocando as Bolas”, comenta que Murphy teria evitado vícios por “vaidade”, enquanto Chappelle e Jerry Seinfeld enaltecem a estabilidade emocional do colega, contrapondo-o a outros ícones do entretenimento que sucumbiram a excessos.
Notas da crítica especializada
Veículos internacionais classificaram Being Eddie como um “puff piece” – termo usado para reportagens excessivamente positivas. A crítica consultada atribuiu nota 5/10, destacando a falta de profundidade. Para os analistas, o filme ignora nuances que poderiam tornar o retrato mais completo e humano.
Ainda assim, a produção oferece visão panorâmica da influência de Murphy na cultura pop, ao mostrar como suas imitações de Buckwheat, Gumby e James Brown revitalizaram o SNL e como seus filmes desafiaram expectativas do mercado sobre artistas negros.
Ficha técnica e lançamento
Título: Being Eddie
Direção: Angus Wall
Gênero: Documentário
Classificação indicativa: R (Restrito nos EUA)
Duração: não divulgada
Lançamento mundial na Netflix: 12 de novembro de 2025
Com a estreia marcada, fãs de comédia e leitores do 365 Filmes já têm data para conferir a obra que busca celebrar quatro décadas de carreira de Eddie Murphy, mesmo sem mergulhar nas camadas mais controversas de sua vida pessoal.
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