Quando a Universal Pictures anunciou que levaria Wicked para as telas em duas partes, muita gente torceu o nariz. A prática, popularizada depois de Harry Potter, já parecia desgastada. Mesmo assim, Jon M. Chu manteve o plano e lançou Wicked – Parte Um em 2024.
O resultado surpreendeu: críticas positivas, dez indicações ao Oscar de 2025 e uma ótima arrecadação. Agora, com Wicked: For Good (Parte Dois) em cartaz, a conversa renasce. Será que a divisão em dois filmes realmente valeu a pena ou só serviu para inflar a bilheteria?
Primeiro filme abriu caminho para o sucesso
Lançado no fim de 2024, Wicked – Parte Um faturou US$ 112 milhões nos Estados Unidos e US$ 164 milhões ao redor do mundo, números robustos para um musical de fantasia. A recepção crítica também foi calorosa, registrando 88 % de aprovação no Rotten Tomatoes e 73 pontos no Metacritic. Essas credenciais garantiram dez nomeações ao Oscar, empatando com outras produções como segunda maior indicação do ano.
O diretor Jon M. Chu deixou claro, desde o início, que a história chegaria às telas em dois atos, mas a campanha publicitária evitou martelar o termo “Parte Um”. A estratégia funcionou: muita gente descobriu a divisão somente na sala de cinema, o que reforçou a curiosidade pelo desfecho. O boca a boca, turbinado pelas músicas conhecidas do palco, transformou o musical em um evento pop, algo vital hoje, quando levar o público ao cinema é cada vez mais difícil.
Wicked: For Good abre maior e renova a discussão
A sequência chegou aos cinemas em 21 de novembro de 2025. De acordo com dados do Deadline, o segundo filme estreou com US$ 150 milhões domesticamente e US$ 226 milhões no total global, superando com folga o lançamento anterior. A nota A no CinemaScore indica que quem já viu aprovou e deve recomendar, favorecendo a permanência em cartaz durante o feriado de Ação de Graças.
No entanto, as avaliações críticas caíram. No Rotten Tomatoes, a aprovação recuou para 71 %, enquanto o Metacritic aponta 58 pontos. Parte dos analistas questiona a fidelidade quase integral ao segundo ato do musical, considerado por fãs o segmento mais frágil no palco. Os poucos elementos novos, como canções adicionais, não foram suficientes para silenciar as críticas sobre ritmo e separação prolongada entre Elphaba (Cynthia Erivo) e Glinda (Ariana Grande).
Razões artísticas e comerciais por trás da decisão
Colocar a história completa em um único longa exigiria cortes drásticos ou um filme próximo de quatro horas. A produção preferiu investir no relacionamento entre as protagonistas, que se torna o fio emocional da trama. Ao dedicar quase três horas para construir essa amizade na primeira parte, o impacto dramático dos conflitos em Wicked: For Good ganha força, mesmo com a crítica dividida.
Imagem: Imagem: Divulgação
Do ponto de vista comercial, o estúdio também colhe frutos. A divisão praticamente dobra o potencial de receita; se as estimativas de sustentação de bilheteria se confirmarem, os dois filmes devem ultrapassar facilmente a marca de meio bilhão de dólares combinados. Em tempos de streaming dominante, títulos que viram “acontecimentos” nos cinemas são importantes para manter o hábito de ir às salas – lição reforçada pelo fenômeno Barbenheimer em 2023.
Avaliação das métricas de cultura pop
Além do dinheiro, há o capital cultural. A dupla Cynthia Erivo e Ariana Grande virou assunto constante nas redes sociais, impulsionando desafios musicais no TikTok e hashtags no X (antigo Twitter). Cada trailer, imagem oficial ou trecho musical rende milhões de visualizações, algo que provavelmente não ocorreria com a mesma intensidade se a história tivesse sido contada de uma só vez.
O musical original, que dura menos de três horas com intervalo, caberia tecnicamente em um filme único. Porém, transformar trechos de palco em narrativa cinematográfica pede outra cadência. Mesmo críticos da divisão admitem que a amizade das personagens ganhou nuances graças ao tempo extra. Ainda assim, persistem reclamações sobre uma segunda metade sem grandes desvios criativos em relação ao material original.
Como fica o legado de Wicked nos cinemas
Para a Universal, o resultado já compensa: franquia fortalecida, boas bilheterias e presença garantida em premiações. Para o público, os dois filmes oferecem experiência imersiva que relembra épicos de fantasia musical, algo raro atualmente. No site 365 Filmes, leitores relatam que dividir Wicked em dois filmes permitiu saborear cada canção sem pressa e entender melhor as motivações de Elphaba e Glinda.
A discussão sobre “arte versus comércio” deve continuar, mas o case Wicked ilustra como decisões estratégicas podem servir aos dois lados. A bilheteria confirma interesse popular; as indicações ao Oscar mostram respeito crítico; o volume de conversas online prova relevância cultural. Em um mercado onde só o “evento” sobrevive, separar a história em dois atos se mostrou, até agora, uma aposta certeira.
