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    Cinema

    Diretor explica por que o novo Anaconda foge do remake tradicional e aposta em metalinguagem

    Matheus AmorimPor Matheus Amorimdezembro 26, 2025Nenhum comentário5 Minutos de leitura
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    O gigante réptil mais famoso do cinema retorna em 24 de dezembro de 2025, mas não da maneira que muita gente esperava. Em vez de refilmar a produção de 1997, o diretor e corroteirista Tom Gormican resolveu jogar luz sobre o próprio ato de refazer filmes, criando uma aventura de horror, comédia e muita metalinguagem.

    Na trama do novo Anaconda, dois amigos de infância, vividos por Jack Black e Paul Rudd, decidem filmar por conta própria uma versão não oficial do cult original. O que seria uma produção caseira acaba virando pesadelo real quando a dupla vira presa de uma cobra gigantesca, reproduzindo, sem querer, o enredo que os inspirou.

    Por que o novo Anaconda não é um remake tradicional

    Segundo Gormican, a ideia de repetir cena por cena o longa de 1997 não o empolgava. Quando a Sony ofereceu a franquia, ele respondeu com um “não” imediato. Dias depois, retornou com outra proposta: transformar Anaconda em algo parecido com “The Big Chill” misturado a terror. Para surpresa dos roteiristas, o estúdio topou sem hesitar.

    O diretor afirma que tanto ele quanto Kevin Etten, seu parceiro de roteiro, “estão cansados de tantos reboots e remakes” que lotam o mercado. A solução, portanto, foi comentar esse fenômeno em cena. O resultado é um longa que abraça o humor autorreferente, brinca com clichês de bastidores e ainda entrega as sequências de suspense que o público espera do título.

    Processo de escrita e mudanças no desfecho

    Embora o conceito tenha agradado à Sony logo de cara, o roteiro do novo Anaconda passou por várias metamorfoses até chegar às filmagens. A maior delas envolveu o final: o clímax originalmente ocorreria em um cenário australiano, mas chuvas fortes inviabilizaram a locação.

    Gormican e Etten redirecionaram a ação para um estaleiro abandonado, local onde o grupo encontra Ice Cube interpretando ele mesmo. Mas o caos não parou aí: um ciclone, o primeiro em 50 anos na região, destruiu por completo os navios cenográficos poucos dias depois. Nova rodada de reescritas emergenciais se tornou inevitável.

    Set destruído por ciclone

    O imprevisto virou piada interna e acabou incluso no texto final. Há um personagem que pergunta durante o terceiro ato: “Como os roteiristas resolveram o final?”. A resposta — “Eles nunca terminaram o roteiro” — reflete o processo real vivido pela equipe, dando ainda mais camadas de metalinguagem ao longa.

    Referências e inspirações do diretor

    Para além da franquia, Gormican cita dois títulos como bússola criativa. O primeiro é o documentário “American Movie”, vencedor do Grande Prêmio do Júri em Sundance, que retrata dois amigos sem recursos tentando rodar um terror independente. A saga desses cineastas amadores ecoa diretamente nas peripécias de Jack Black e Paul Rudd em Anaconda 2025.

    A segunda fonte é “Amigos, Sempre Amigos” (City Slickers), com Billy Crystal, sobre um homem que busca redescobrir o sentido da vida. Esse espírito de autodescoberta também paira sobre os protagonistas que, ao perseguirem um sonho de infância, enfrentam perigos reais e questionam suas escolhas.

    Diretor explica por que o novo Anaconda foge do remake tradicional e aposta em metalinguagem - Imagem do artigo original

    Imagem: Imagem: Divulgação

    Escolhas de elenco e química em cena

    Reunir Jack Black, Paul Rudd e Steve Zahn foi quase um reencontro de antigos colegas. Black e Zahn estiveram juntos em “Meu Vizinho Mafioso” e “Saving Silverman”, enquanto Rudd é amigo de longa data dos dois, apesar de nunca ter dividido protagonismo com Black.

    Curiosamente, Gormican inverteu os papéis que o público poderia esperar. Rudd, conhecido por interpretar o “cara do coração grande”, aqui assume o posto de diretor apaixonado, centro emocional da história. Já Black encarna o ator fracassado, um perfil mais “Jack Black” de sempre, porém repaginado.

    Participação de Ice Cube

    O rapper e ator, estrela do Anaconda original, surge como ele mesmo num estaleiro desolado. A presença reforça a ligação com o clássico de 1997 e atiça a nostalgia, mas sem transformar o veterano em mero easter egg; sua aparição vira ponto de virada para a trama que segue.

    O que esperar de Anaconda 2025

    Com 99 minutos de duração, classificação indicativa PG-13 e lançamento marcado para véspera de Natal de 2025, o novo Anaconda promete misturar aventura, horror e humor em doses similares. A produção é capitaneada por Andrew Form e Brad Fuller, nomes conhecidos dos fãs de suspense.

    Além do elenco principal, estão confirmadas Thandiwe Newton, Daniela Melchior e o brasileiro Selton Mello, que improvisou um canto fúnebre durante as filmagens e surpreendeu toda a equipe — a cena acabou indo para a versão final sem cortes.

    Para quem acompanha 365 Filmes, vale ficar de olho: se o longa repetir o sucesso do original, a porta está aberta para continuações, inclusive com possível volta de Jennifer Lopez, já mencionada nos bastidores como gancho para uma sequência futura.

    Anaconda 2025 já está em pós-produção e, segundo Gormican, mantém viva a intenção de fazer o público tremer de medo e gargalhar ao mesmo tempo. Resta aguardar até dezembro do ano que vem para descobrir se essa mistura ousada vai conquistar antigos e novos fãs da serpente gigante.

    Filmes
    Matheus Amorim
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    Sou redator especializado em conteúdo de entretenimento para o mercado digital. Desde 2021, produzo análises, dicas e críticas sobre o mundo do entretenimento, com experiência como colunista em sites de referência.

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