Michelle Pfeiffer retorna às telas como protagonista de uma comédia natalina que prometia virada de jogo para as mães nos filmes de fim de ano. Lançado nos Estados Unidos com classificação PG-13 e previsão de estreia em 2 de dezembro de 2025, Oh. What. Fun. chega com o selo do diretor Michael Showalter e roteiro assinado em parceria com Chandler Baker.
A produção de 109 minutos tenta questionar, logo de cara, por que a maioria dos longas de Natal gira em torno de pais e maridos. No entanto, ao longo de uma hora e meia, a proposta se perde em subtramas excessivas, embaladas por humor irregular e personagens pouco simpáticos. Será que a obra consegue mesmo entregar o que promete?
Enredo se divide em muitas frentes e deixa emoção em segundo plano
O argumento central de Oh. What. Fun. acompanha Claire Clauster (Michelle Pfeiffer) fazendo malabarismos para organizar um Natal perfeito para a família. Paralelamente, a personagem trava uma guerra de fachada com a vizinha Jeanne Wang-Wasserman (Joan Chen), alimenta uma fixação por uma apresentadora de talk show, Zazzy Tims (Eva Longoria), e embarca numa inusitada amizade com a motorista de entregas Morgan (Danielle Brooks).
Com tantas linhas narrativas, o roteiro esbarra em falta de foco. Quando alguma situação começa a ganhar ritmo, logo é interrompida por outra virada. O resultado é um filme que toca em temas interessantes — pressão materna, rivalidade social, crise de identidade — mas raramente aprofunda qualquer um deles.
Subtramas familiares vivem de lampejos de humor
Dentro da casa dos Clauster, o pai Nick (Denis Leary) protagoniza momentos levemente divertidos tentando montar uma “casa dos sonhos” de brinquedo. Já o caçula Sammy (Dominic Sessa) lida com término de namoro de maneira carismática, rendendo algumas piadas certeiras.
Apesar disso, a dinâmica entre a filha do meio, Taylor (Chloë Grace Moretz), e o cunhado Doug (Jason Schwartzman) descamba para a grosseria gratuita, resolvida às pressas com frases motivacionais genéricas. O ponto que deveria ser o coração do longa — a tensão entre Claire e a primogênita Channing (Felicity Jones) — fica engessado em diálogos de “terapia de almanaque”, sem o peso emocional que a relação mãe-filha pede.
Humor aparece em doses homeopáticas
Nem tudo é perda total. Há sequências que arrancam risadas, como a dança desajeitada de Claire no programa de Zazzy Tims ou o encontro catártico com um grupo de mães exaustas pela pressão natalina. Nesses momentos, o timing cômico de Michelle Pfeiffer brilha, lembrando o potencial prometido nos trailers.
Contudo, são respingos de leveza que não sustentam 109 minutos de projeção. A impressão é a de que Oh. What. Fun. deixa para desferir suas melhores piadas quando o público já está cansado do vai-e-vem de conflitos. Para quem busca uma comédia natalina marcante, a experiência soa, no máximo, mediana.

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Mensagem ultrapassada compromete a proposta
Em pleno 2025, roteiros que romantizam famílias disfuncionais precisam de abordagem equilibrada. O longa, porém, insiste na máxima “família perdoa sempre, não importa o que aconteça”. Para muitos espectadores, tal discurso pode soar tóxico, principalmente num contexto onde cada vez mais pessoas questionam laços nocivos mantidos por convenção.
Apesar da tentativa de modernizar o molde clássico do gênero — há inclusive uma filha gay incluída quase como cota — o texto recorre a moral simplista. A contradição fica evidente: enquanto critica a superficialidade dos velhos filmes de Natal, Oh. What. Fun. entrega praticamente a mesma fórmula.
Ficha técnica e avaliação final
Dados de bastidores
Título original: Oh. What. Fun.
Diretor: Michael Showalter
Roteiristas: Chandler Baker e Michael Showalter
Elenco principal: Michelle Pfeiffer, Felicity Jones, Denis Leary, Chloë Grace Moretz, Jason Schwartzman
Produtores: Jane Rosenthal, Kate Churchill, Jordana Mollick, Michael Showalter, Berry Welsh
Duração: 109 minutos
Classificação indicativa: PG-13
Gênero: Comédia
Lançamento: 2 de dezembro de 2025
Nota: 4/10
Veredito em poucas palavras
Oh. What. Fun. almeja inverter a lógica dos filmes natalinos tradicionais ao colocar a mãe no centro da confusão, mas se enrola em tramas demais e entrega humor de menos. Resultado: um Natal sem brilho, salvo por momentos pontuais de Michelle Pfeiffer.
Vale a pena assistir?
Se você é fã de carteirinha da atriz e não se importa com uma comédia irregular, pode até encontrar diversão nos tropeços de Claire Clauster. Entretanto, quem espera um novo clássico de fim de ano, recheado de afeto e originalidade, talvez saia decepcionado.
No fim, Oh. What. Fun. pode agradar a um nicho específico de espectadores — possivelmente mães que se identificam com a sobrecarga das festas. Porém, para o público-geral ou para quem acompanha as análises aqui no 365 Filmes, a produção de Michael Showalter fica aquém das expectativas.
