Depois de uma passagem discreta pelos cinemas em 2025, The Phoenician Scheme ganhou fôlego e, contra todas as expectativas, conquistou o top 5 do ranking mundial da HBO Max em janeiro. A façanha coloca o longa, estrelado por Tom Hanks e dirigido por Wes Anderson, à frente de produções badaladas e faz dele um dos títulos mais comentados do momento entre os assinantes de plataformas on-demand.
A virada aconteceu pouco tempo depois de a fita alcançar 77 % de aprovação no Rotten Tomatoes e somar 40 milhões de dólares nas bilheterias. Números modestos no circuito físico, mas suficientes para despertar a curiosidade de quem acompanha lançamentos de streaming — público que agora impulsiona a comédia thriller para além do status de “apenas mais um Anderson”.
Elenco estrelado eleva a tensão e o humor
Boa parte do charme de The Phoenician Scheme reside no elenco. Tom Hanks, em sua segunda colaboração com Wes Anderson, encarna Leland, empresário californiano que topa um jogo de basquete de alto risco com o protagonista Zsa-Zsa Korda. Hanks abraça a excentricidade do universo andersoniano sem esforço, equilibrando carisma e um humor quase impassível que reforça a estranheza das situações.
Benicio del Toro, por sua vez, assume o centro da narrativa ao viver Zsa-Zsa, magnata corrupto que corre o globo enquanto lida com assassinos, uma filha rebelde e os fantasmas do assassinato da esposa. O ator entrega camadas de vulnerabilidade escondidas sob o verniz de autoconfiança, criando um antagonista tão magnético quanto imprevisível. Scarlett Johansson, Bryan Cranston e Willem Dafoe complementam a lista de astros com participações breves, mas marcantes, cada um aproveitando ao máximo os diálogos rápidos e a mise-en-scène controlada.
A assinatura visual de Wes Anderson
Quem conhece o cineasta sabe o que esperar: simetria rigorosa, paleta de cores vibrante e enquadramentos desenhados como ilustrações. Em The Phoenician Scheme, essa estética se alia ao dinamismo de uma trama criminal cheia de troca de cenários. Do interior de um jatinho executivo a ruas ensolaradas no Mediterrâneo, cada locação funciona como peça de um tabuleiro minucioso, refletindo a mente metódica de Zsa-Zsa.
Anderson costura transições elegantes e utiliza cortes rápidos para manter o ritmo acelerado do thriller, ao mesmo tempo em que não abre mão de momentos contemplativos. A câmera parada, comum em sua filmografia, surge em cenas-chave, ampliando o desconforto antes de um disparo ou de uma piada absurda. O resultado é um filme que brinca com contraste: o caos da ação esbarra em composições milimetricamente ordenadas.
Roteiro equilibra crime e comédia
Assinado pelo próprio Wes Anderson, o texto faz malabarismo entre o humor seco e o suspense, mantendo a coerência apesar das reviravoltas. O diretor roteirista investe em diálogos que expõem a ganância dos personagens com frases curtas, quase telegráficas, imprimindo tom cômico às confissões mais sombrias.
Imagem: Imagem: Divulgação
Mia Threapleton, como Liesl, contracena de igual para igual com del Toro nos debates morais que atravessam o enredo. A jovem atua como bússola emocional, questionando o legado tóxico do pai enquanto participa — relutante — dos negócios ilícitos. Esse embate familiar traz ressonância dramática, impedindo que a comicidade dilua completamente a gravidade das escolhas em jogo.
Recepção do público e números que impressionam
Com 77 % de aprovação crítica, The Phoenician Scheme ocupa a oitava posição entre os títulos mais bem avaliados de Anderson. Ainda assim, o longa passou quase despercebido em seu lançamento, faturando apenas 40 milhões de dólares — cifra modesta para um elenco tão caro. Tudo mudou quando o filme entrou no catálogo internacional da HBO Max, onde rapidamente alcançou o quinto lugar global, atrás apenas de pesos-pesados como Alien: Romulus e o favorito ao Oscar One Battle After Another.
Curiosamente, a produção não está disponível na HBO Max dos Estados Unidos; por lá, o público encontra o título no Prime Video. A barreira geográfica não impediu que métricas de engajamento disparassem, confirmando a força do boca a boca. Para o site 365 Filmes, a ascensão repentina reforça a tese de que obras com perfil de nicho podem viralizar quando encontram o timing certo nas plataformas.
Vale a pena assistir The Phoenician Scheme?
Se você aprecia a estética singular de Wes Anderson e quer ver Tom Hanks se arriscando fora de sua zona de conforto, a resposta é sim. O filme mistura crime, humor e um painel de personagens extravagantes em pouco mais de 100 minutos, sem perder o fôlego. Além disso, a presença de Benicio del Toro no centro do caos garante um estudo de personagem à altura da fotografia meticulosa. Em tempos de catálogo infinito, The Phoenician Scheme surge como opção certeira para quem busca algo diferente dos blockbusters tradicionais.
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