A comédia dramática Quero Ser Grande, lançada em 1988, acaba de entrar no catálogo da Netflix e reacende o interesse por um dos marcos da filmografia de Tom Hanks. O longa, dirigido por Penny Marshall, foi responsável por projetar o ator ao primeiro escalão de Hollywood e lhe render a primeira indicação ao Oscar da carreira.
Ambientado nos Estados Unidos do fim da década de 1980, o filme acompanha o pré-adolescente Josh Baskin, que, insatisfeito com as limitações da infância, faz um pedido inusitado para se tornar adulto da noite para o dia. Quando o desejo se concretiza, a trama mergulha no conflito entre mentalidade juvenil e responsabilidades do mundo corporativo.
A jornada de Josh Baskin em Quero Ser Grande
Logo após acordar no corpo de um homem de 30 anos, Josh, interpretado por Tom Hanks, sai de casa às pressas para evitar ser reconhecido pelos pais. Ele se refugia em Nova York, onde enfrenta obstáculos práticos como falta de dinheiro e documentos válidos. A adaptação precipitada envolve pensões baratas, uso constante de transporte público e subempregos temporários.
A guinada ocorre quando o protagonista consegue vaga provisória em uma fábrica de brinquedos, atraído pela ideia de “ser pago para brincar”. Nesse ambiente, seu olhar de criança passa a influenciar decisões de desenvolvimento de produtos, o que impressiona executivos e acelera sua ascensão interna.
Primeiras consequências da vida adulta
Com salário estável, Josh aluga um apartamento amplo e o enche de jogos, fliperamas e infláveis gigantes, símbolos da infância que ele tenta preservar. A rotina, no entanto, impõe contas, horários e cobranças hierárquicas. Para não expor sua verdadeira identidade, o personagem começa a imitar comportamentos dos colegas e reproduzir jargões corporativos.
Esse processo evidência a divisão entre fantasia e exaustão, tema central de Quero Ser Grande. Cada decisão de consumo, como comprar um sofá ou aceitar uma promoção, afasta Josh da família e do melhor amigo, que tenta lembrá-lo da vida anterior por meio de telefonemas insistentes.
Susan, a colega que vira interesse amoroso
Interpretada por Elizabeth Perkins, Susan observa a espontaneidade incomum daquele novo funcionário. Curiosa, aproxima-se primeiro por motivos profissionais, mas acaba envolvida por um romance que mistura humor e constrangimento. Ela vê nas atitudes despreocupadas de Josh um contraste com o cinismo exigido pelo ambiente corporativo.
O relacionamento evidencia expectativas conflitantes de intimidade. Enquanto Susan acredita estar se envolvendo com um adulto excêntrico, o público sabe que, na essência, Josh permanece um adolescente. Essa tensão sustenta várias cenas emblemáticas, entre elas a festa da empresa, em que o protagonista dança de forma desajeitada e causa estranhamento geral.
Direção de Penny Marshall
Penny Marshall trabalha com enquadramentos que reforçam o descompasso entre o universo infantil e o dia a dia profissional. Corredores compridos, salas de reunião excessivamente amplas e apartamentos cheios de brinquedos ressaltam o contraste entre quem Josh é e o que dele se espera. A câmera muitas vezes acompanha o personagem caminhando sozinho, sublinhando a solidão que surge do segredo que carrega.
Imagem: Imagem: Divulgação
Ao longo da narrativa, a diretora alterna momentos de humor leve com passagens que evidenciam o peso da responsabilidade. Mesmo nas cenas de brincadeira, há um crescente cansaço silencioso, mostrando que o desejo inicial não considerou as implicações de se viver como adulto em tempo integral.
Clímax e dilema final
Perto do desfecho, Josh se vê entre dois caminhos: consolidar a carreira, mantendo romance e estabilidade financeira, ou buscar a máquina misteriosa que pode devolvê-lo à idade original. A dúvida se estende até as últimas cenas, quando trabalho, amor e memórias de infância convergem em decisões que não retornam o tempo ao ponto de partida.
A conclusão preserva a perspectiva juvenil, ainda que o corpo adulto domine o quadro. Ao caminhar por ruas que antes pareciam gigantescas e encarar brinquedos que já não causam o mesmo fascínio, o personagem percebe que crescer envolve mais responsabilidade do que tamanho físico.
Impacto na carreira de Tom Hanks
Quero Ser Grande garantiu a Tom Hanks sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator em 1989. A atuação, marcada por gestos espontâneos e fala acelerada, convenceu público e crítica de que o intérprete carregava frescor inconfundível. O sucesso pavimentou caminho para filmes como Filadélfia (1993) e Forrest Gump (1994), ambos premiados pela Academia.
Para os assinantes da Netflix, a chegada do longa oferece oportunidade de revisitar um marco do cinema dos anos 1980. Já para leitores do 365 Filmes, é uma chance de entender como um roteiro sobre juventude e ambição definiu o destino de um dos atores mais reconhecidos de Hollywood.
Dados essenciais da produção
• Título original: Big
• Título no Brasil: Quero Ser Grande
• Ano de lançamento: 1988
• Diretor: Penny Marshall
• Gênero: Comédia, Drama, Fantasia e Romance
• Avaliação original informada: 9/10
Disponível agora no streaming, Quero Ser Grande continua a dialogar com quem gosta de narrativas sobre amadurecimento e mantém relevância ao explorar a eterna pergunta: o que realmente significa crescer?
