Eu assisti a “Feitiço da Lua” assim que o longa apareceu no catálogo do Prime Video e, mais uma vez, saí convencido de que certas tramas envelhecem como bons vinhos. O filme de 1987, dirigido por Norman Jewison, coloca Cher e Nicolas Cage na linha de frente de um turbilhão amoroso que desafia qualquer cálculo racional.
Rever essa história em 2024, no conforto de casa, foi como abrir uma janela para os dramas afetivos que, de tão comuns, parecem ter sido escritos ontem. Eu cheguei à conclusão de que a mistura de humor, paixão intensa e dilemas familiares continua irresistível para quem curte tanto novelas quanto doramas.
O enredo de Feitiço da Lua
A trama gira em torno de Loretta Castorini (Cher), viúva que resolve aceitar o pedido de casamento do acomodado Johnny Cammareri (Danny Aiello) sem qualquer explosão de amor. A decisão parte do desejo de evitar o azar vivido no matrimônio anterior: ela acredita que disciplina e rituais bastam para afastar o caos.
O plano sai dos trilhos quando Johnny viaja à Itália para cuidar da mãe doente e pede à noiva que convide o irmão Ronny (Nicolas Cage) para o casamento. Esse encontro inesperado se torna o gatilho para o romance cheio de faíscas que sustenta “Feitiço da Lua”. Eu assisti e adorei como cada cena expõe a colisão entre razão e impulso.
Família como laboratório de emoções
Enquanto Loretta luta para manter a rotina, a casa dos Castorini funciona como um espelho das tensões amorosas. Rose Castorini (Olympia Dukakis), mãe da protagonista, questiona o próprio casamento com Cosmo (Vincent Gardenia), mergulhado em silêncios e suspeitas. O avô vivido por Feodor Chaliapin Jr. espalha melancolia pelo lar, acompanhado de cachorros que parecem sentir cada respiração dele.
Esses núcleos paralelos ampliam a discussão sobre segurança versus desejo. Eu cheguei na conclusão de que o roteiro, vencedor do Oscar, acerta ao mostrar que ninguém na família consegue iludir o coração por muito tempo, ainda que tente se proteger com regras.
Performances que atravessam gerações
Cher, premiada com o Oscar de Melhor Atriz pelo papel, entrega uma Loretta pragmática que se permite fraquejar exatamente quando acha que tem tudo sob controle. Nicolas Cage, ainda em início de carreira, injeta intensidade crua em Ronny, um padeiro que carrega traumas e vive no limite das próprias convicções.
O elenco coadjuvante reforça o mérito coletivo. Olympia Dukakis venceu o Oscar de Atriz Coadjuvante e Vincent Gardenia foi indicado a Ator Coadjuvante. Cada personagem traz camadas que, em conjunto, fazem “Feitiço da Lua” permanecer fresco para novos públicos.

Imagem: Imagem: Divulgação
Por que ver (ou rever) no Prime Video
Além da praticidade do streaming, a chegada do longa ao catálogo renova a oportunidade de observar como o cinema dos anos 1980 retratava o amor adulto sem idealizações. Quem acompanha novelas ou maratonas de doramas vai se identificar com o ritmo ágil, os diálogos cheios de humor e a construção gradual da tensão romântica.
Eu assisti de novo e notei detalhes que passaram batido na primeira vez: o simbolismo da ópera “La Bohème”, a fotografia que ressalta o frio invernal de Nova York e as pequenas repetições cômicas que pontuam os rituais familiares. “Feitiço da Lua” se revela tão atual que parece falar diretamente com as inquietações de quem busca estabilidade em meio ao imprevisível.
Ficha técnica resumida
Título original: Moonstruck
Direção: Norman Jewison
Ano de lançamento: 1987
Gênero: Comédia, Drama, Romance
Duração: 1h42min
Elenco principal: Cher, Nicolas Cage, Olympia Dukakis, Danny Aiello, Vincent Gardenia
Avaliação média: 9/10 segundo críticos consultados
Impacto cultural e legado
“Feitiço da Lua” consolidou Cher como atriz de peso no cinema e ajudou a pavimentar a carreira de Nicolas Cage. O longa arrecadou mais de 80 milhões de dólares na época, valor expressivo para uma comédia romântica. A química do casal influenciou diversos roteiros posteriores, inclusive produções seriadas que vemos hoje em plataformas digitais.
Dentro do catálogo do Prime Video, o filme se destaca como um dos títulos mais prestigiados do gênero. Ao lado de dramas asiáticos e novelas latinas, ele reforça a diversidade de narrativas amorosas que atraem o público do 365 Filmes, sempre ávido por enredos emotivos e cativantes.
