Quando The Wolverine chegou aos cinemas em julho de 2013, fãs e críticos elogiaram a tentativa de levar Logan a um drama mais contido, quase intimista. O filme, porém, trouxe um buraco de roteiro que ainda rende discussão e mancha a cronologia do mutante nas telas da Fox.
Mesmo assim, a produção dirigida por James Mangold, escrita por Mark Bomback e Scott Frank, segue citada como um ponto alto da passagem de Hugh Jackman pelo personagem graças ao elenco eficiente, fotografia sóbria e cenas de ação que brincam com o noir japonês.
Hugh Jackman segura o peso dramático de Logan
Hugh Jackman já vinha interpretando Wolverine há 13 anos quando The Wolverine estreou. Em vez de repetir a fórmula de pancadaria desmedida vista em X-Men Origens, o ator explora nuances de cansaço e melancolia. O Logan que desembarca no Japão é um herói marcado pela culpa, e Jackman traduz isso em silenciosos olhares perdidos e respiração pesada, evitando exageros.
As cenas ao lado de Hal Yamanouchi, que vive o bilionário Ichirō Yashida, exemplificam essa entrega. Yashida oferece mortalidade ao mutante, mas o diálogo escorrega na lógica quando Logan associa seu fator de cura à experiência do Projeto Arma X. O roteiro esquece que o poder faz parte de sua genética, não de experimentos externos. Ainda assim, a troca de emoções entre os atores mantém a sequência interessante.
Elenco de apoio dá textura ao suspense samurai
Hiroyuki Sanada domina o caos como Shingen, filho ambicioso de Yashida. O ator confere intensidade às lutas corpo a corpo, contrastando com a frieza calculada do magnata. Já Rila Fukushima, na pele da guarda-costas Yukio, injeta carisma e agilidade ao longa, apresentando química autêntica com Jackman.
Tao Okamoto, estreante nos cinemas na época, interpreta Mariko com vulnerabilidade genuína. A personagem serve de âncora emocional para Logan, e a atriz evita esterótipos ao equilibrar doçura e força. O resultado aproxima o filme de obras que investigam solidão em ambientes exóticos, lembrando o sentimento descrito no artigo sobre como o longa Islands revela “o lado entorpecente da solidão” em um resort ensolarado.
Direção de James Mangold privilegia ritmo e atmosfera
Mangold utiliza Tóquio e Nagasaki para construir um thriller de perseguição que alterna metrôs lotados e jardins silenciosos. O diretor emprega câmeras mais estáticas nos diálogos e movimentos bruscos durante confrontos, sublinhando a labilidade emocional de Logan.
Imagem: Imagem: Divulgação
A fotografia de Ross Emery aposta em tons frios que refletem isolamento. Já a trilha de Marco Beltrami mistura cordas discretas a pancadas eletrônicas, reforçando a tensão. Todo esse cuidado, porém, colide com o momento em que o roteiro decide extrair o fator de cura de Wolverine… pelos ossos das garras. Nem a direção elegante evita que o espectador questione a coerência biológica dessa escolha.
Roteiro acerta nos personagens, mas erra na ciência mutante
Mark Bomback e Scott Frank constroem conflitos internos convincentes: Logan resiste ao próprio passado, Mariko luta contra tradições familiares e Yukio encara visões de morte. No entanto, a dupla tropeça ao tratar o gene mutante como se fosse tecnologia que pudesse ser “transferida” – uma contradição reforçada pelo próprio protagonista em um diálogo que reconhece a ligação do poder com “o que fizeram” a ele.
O deslize quebra a lógica que a franquia cultivou desde X-Men (2000). Personagens como Magneto e Tempestade sempre encararam seus dons como parte de seu DNA. Logo, a sugestão de que a capacidade de cura pudesse ser removida e implantada desconsidera quinze anos de construção de universo, atitude que faz lembrar discussões sobre finais de franquias, como o possível adeus aos heróis clássicos em Avengers: Doomsday.
Vale a pena assistir a The Wolverine hoje?
Apesar do furo narrativo, The Wolverine ainda se sustenta como estudo de personagem, impulsionado por atuações sólidas e direção segura. O ritmo firme de Mangold, aliado à entrega de Jackman, transforma o longa em parada obrigatória para quem deseja ver o mutante em registro mais contido antes da explosão multiversal que o futuro reserva.
