Você já se pegou pensando em tudo que abriu mão para seguir à risca as regras do colégio? Esse é justamente o ponto de partida de Booksmart, produção de 2019 que acaba de desembarcar no catálogo da Netflix. A comédia acompanha uma dupla de melhores amigas que, prestes a se formar, descobre que os colegas festeiros também garantiram vaga em universidades disputadas.
A revelação desencadeia uma virada de 180 graus: em vez de mais uma noite de estudos, Amy e Molly resolvem provar que conseguem equilibrar boletins impecáveis e diversão. O resultado é uma maratona enlouquecida de festas, encontros inesperados e muitas situações constrangedoras — todas capazes de arrancar boas gargalhadas e, de quebra, refletir sobre o peso das expectativas.
Quem é quem na comédia comandada por Olivia Wilde
Dirigido por Olivia Wilde, Booksmart marca a estreia da atriz de House no comando de um longa-metragem. A cineasta reúne um elenco jovem que sustenta a energia da história do início ao fim. Kaitlyn Dever interpreta Amy, estudante aplicada que explora de forma tímida sua vida amorosa. Já Beanie Feldstein vive Molly, colega igualmente focada em notas altas, mas muito mais falante e obcecada por controle.
O time ainda conta com Skyler Gisondo, que encarna Jared, rapaz rico e ansioso para ser aceito pelos amigos, e Billie Lourd no papel da imprevisível Gigi, presença constante das sequências mais surreais da trama. Toda essa turma se encontra numa única noite que, a cada parada, coloca a amizade das protagonistas à prova e escancara as certezas que elas carregavam sobre o mundo.
Por que Booksmart na Netflix merece sua atenção
A força do roteiro está na capacidade de transformar dilemas estudantis em questões universais. Amy e Molly acreditam que seguir regras garante sucesso, mas se veem obrigadas a rever o roteiro de vida que consideravam inquestionável. Esse conflito, apresentado de forma leve, se conecta com qualquer pessoa que já tenha questionado escolhas rígidas em busca de aceitação.
Outro aspecto que chama a atenção é o retrato orgânico das identidades dos personagens. A relação de Amy com Ryan, colega por quem nutre interesse, surge sem grandes declarações ou reviravoltas dramáticas. A naturalidade com que a sexualidade circula pelo filme quebra padrões de outras comédias adolescentes, desenhando um ambiente mais próximo do cotidiano de muitos jovens.
Humor como ferramenta de autoconhecimento
Booksmart usa a comédia para revelar inseguranças e preconceitos que as protagonistas cultivam. Entre piadas afiadas e situações fora de controle, o longa mostra que rir de si mesmo pode ser o primeiro passo para reconhecer falhas e seguir adiante. Essa combinação de humor e sensibilidade faz com que a produção se destaque em meio a tantos títulos do gênero.
Ritmo frenético retrata a era dos stories
A noite turbulenta de Amy e Molly se desenrola em ritmo que lembra o feed de uma rede social: tudo acontece rápido, é filmado pelos colegas e logo ganha novos contornos. A famosa discussão entre as duas amigas, registrada por dezenas de celulares, escancara a vigilância constante na vida adolescente. Em segundos, o vídeo vira assunto e some com a mesma velocidade, reforçando a efemeridade da reputação online.

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Olivia Wilde traduz essa dinâmica para a linguagem visual. A câmera é ágil, muitas vezes tremida, sugerindo cumplicidade com personagens que correm contra o relógio. Essa escolha de direção amplifica o senso de urgência e aproxima o espectador da adrenalina vivida pelas protagonistas.
Imperfeições que jogam a favor
Nem tudo é perfeito: em alguns momentos, diálogos extensos poderiam ser mais enxutos. Contudo, até essa verborragia contribui para o retrato de adolescentes que falam muito, pensam demais e sentem tudo ao mesmo tempo. As falhas, portanto, realçam a autenticidade da proposta.
Detalhes técnicos e avaliação
Lançado em 2019, Booksmart dura cerca de 1 hora e 42 minutos e se enquadra no gênero comédia/coming-of-age. A recepção crítica foi positiva: muitas publicações especializadas atribuem notas acima de 8/10, destacando a direção segura de Wilde e a química impecável entre Dever e Feldstein.
Para quem acompanha as listas do 365 Filmes, vale lembrar que o longa figura com frequência entre as recomendações de produções leves que, mesmo divertindo, não deixam de provocar reflexão. A estreia na Netflix amplia o alcance do título, agora disponível com áudio e legendas em português para quem preferir.
Vale a pena dar o play?
Se você procura algo para recarregar as energias, Booksmart na Netflix entrega uma combinação rara de humor esperto e diálogo honesto sobre amadurecimento. As protagonistas terminam a jornada sem respostas definitivas, mas com um novo olhar sobre si mesmas — e é justamente essa sensação de mudança em aberto que mantém o filme em nossa memória após os créditos.
Coloque na lista, prepare a pipoca e aproveite a maratona de uma noite que, com certeza, vai tirar muitas risadas e, quem sabe, fazer questionar antigas convicções.
